Quarta feira, 21 de novembro de 2018 Edição nº 9916 08/04/2001  










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Crescimento de 7,76% ao ano é um dos maiores do país

ORLANDO MORAIS
Da Reportagem

Cuiabá, 8 de abril de 1975 – Cuiabá completa hoje 256 anos e bem poderia acontecer que, após as merecidas festas, a cidade começasse a se perguntar: o que é que vamos fazer com tanta gente? Nesta década, o índice médio de crescimento da população tem sido, de acordo com o IBGE, de 7,76% ao ano. Trata-se de um dos maiores índices entre as cidades brasileiras e um recorde para a própria Cuiabá. Para se ter uma idéia do que isso representa em sua história, basta verificar que, há quinze anos, em 1960, a população da cidade não passava dos 58 mil habitantes. E hoje, já bate na casa dos 150 mil.

São quase três vezes mais pessoas convivendo em uma cidade que, há décadas, não obtinha índices de crescimento populacional superiores a 0,33%. Isso significa também que, hoje, quase dois terços da população são de imigrantes. A cidade é hospitaleira? Não há quem não confirme. Mas o que tem acontecido é que, por maior que seja a boa vontade do dono da casa, o número de hóspedes é tal que pelo menos alguém terá que ir dormir na casa do cachorro. Em outras palavras: a cidade não estava e nem está preparada, sob nenhum aspecto, para absorver a enorme onda de imigração que teve início a partir da construção de Brasília (leia reportagem nesta página). E pior: a cada dia vão chegando mais hóspedes.

Em sua maioria, são pessoas provindas do sul do país, em especial do Paraná. Mas também há um grande número de paulistas, nordestinos, mineiros... Muitos apenas passam por Cuiabá e vão desbravar o Norte de Mato grosso e a região Amazônica. Por lá, levantam acampamento, reúnem-se em vilas, fundam novos municípios. Recebem todo o apoio dos que ficaram em Cuiabá. É na capital do Estado que estão os bancos, as escolas, os hospitais, os hotéis, os escritórios das empresas de colonização, as lojas de roupa, comida e autopeças, enfim, os serviços em geral.

Todos esses serviços, entretanto, ainda são muito precários. Sobretudo os de natureza pública. Faltam água, luz, moradia, escola, estrada e saneamento. A Prefeitura diz ser inadministráveis taxas tão altas de crescimento para uma cidade histórica, nascida no século 18. O governo do Estado, por sua vez, está terminando a construção da cohab Morada da Serra, ou CPA, com capacidade para 60 mil pessoas, já prevendo um crescimento ainda maior da população, e mesmo sob as críticas dos que dizem que nem no ano 2000 o CPA chegará a ter 60 mil habitantes.

DE SITIANTE A FAZENDEIRO - O paranaense Antônio Linhares da Silva, de 31 anos, é o típico imigrante destes tempos. Ele tinha um pequeno sítio numa cidadezinha do norte do Paraná, onde plantava milho e café. Sua vida era a mesma há anos e ele só ouviu falar de Mato Grosso na propaganda de uma empresa de colonização. “Não acreditei na hora que ouvi o preço das terras daqui”, diz ele. “Se eu vendesse o meu pequeno lote no Paraná, poderia comprar uma área dez vezes maior no Mato Grosso e ainda sobrava dinheiro para investir”. E é exatamente isso o que ele está fazendo agora.

Por enquanto, Antônio está vivendo, com a mulher e um casal de filhos, na casa alugada por seu cunhado, que por sua vez já havia saído do Paraná há três anos. Antônio não sabe ainda se vai levar os filhos, que estão em idade escolar, para sua nova fazenda. “Não estou encontrando vaga para eles na escola”, afirma. “Mas se não conseguir, paciência, eles só vão estudar no ano que vem. Melhor para mim, que ganho uma ajuda extra na lida com o gado. Dizem que as terras daqui são boas é para criar gado”.

Fontes: Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE); Prefeitura de Cuiabá (IPDU); Arquivo do Diário de Cuiabá; “Um Histórico dos Usos da Biodiversidade em Mato Grosso”, de Lylia Guedes Galetti e Maria Inês Malta Castro. * Especialista consultado: José Antônio Lemos – Secretário Municipal do Meio Ambiente e Desenvolvimento Urbano



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