Terça feira, 20 de agosto de 2019 Edição nº 9916 08/04/2001  










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Demolição da Catedral Metropolitana deixa uma pessoa gravemente ferida

Apesar do cordão de isolamento e da cautela dos engenheiros, muitos moradores foram surpreendidos

Lázaro Papazian
Após as explosões, centenas de pessoas se aproximaram para observar os escombros da centenária igreja
ORLANDO MORAIS
Da Reportagem

Cuiabá, 26 de setembro de 1968 - Pelo menos uma pessoa ficou gravemente ferida ontem durante a trabalhosa implosão da Catedral Metropolitana de Cuiabá. Foram necessárias três cargas de dinamite para fazer a igreja de mais de cem anos vir abaixo. Por desinformação, ou por falta de organização, pessoas passavam tranqüilamente pelo Largo da Matriz no momento da primeira explosão, no final da manhã.

O comerciante Nicomedes Nunes de Almeida, que voltava para casa depois de pagar suas contas na Exatoria Fiscal, levou duas tijoladas, uma na cabeça e outra no braço direito e foi levado inconsciente para o hospital. Estudantes que saiam de uma escola próxima ao Largo, apesar de não terem sido atingidos, também ficaram “abalados” com a explosão. Isso tudo aconteceu apesar das inúmeras cautelas tomadas pela equipe de engenheiros responsáveis pela demolição.

O cordão de isolamento foi colocado muito longe da igreja, ainda na avenida da Prainha. O problema foi terem se esquecido das pessoas que estavam dentro das repartições, bancos e escolas próximos ao Largo da Matriz. Apesar da polêmica que antecedeu a demolição, boa parte da população simplesmente não sabia que a antiga Catedral seria derrubada.

Mesmo as pessoas que fizeram questão de conferir os últimos momentos da igreja matriz se surpreenderam com a violência da explosão e se jogaram no chão, assustadas. Quando a poeira levantada pelos escombros começou a baixar, perceberam o comerciante Nicomedes muito ferido estirado na rua. Perceberam também que a igreja — cuja demolição havia sido justificada devido às “paredes frágeis” — ainda estava de pé.

“Ninguém da nossa equipe tinha experiência com dinamites”, disse João Bosco London, engenheiro do Dermat. “Só na terceira tentativa calculamos a quantidade correta”. De fato, as duas primeiras explosões não causaram abalo nenhum à santa estrutura. Segundo o pároco da Catedral Metropolitana, padre Firmo Duarte, a parte da igreja que custou a cair foi a parede da fachada, que havia sido levantada por ocasião da última reforma, em 1928. “Não havia mais quem a derrubasse”, brinca ele.

Quanto à implosão, padre Firmo diz que, apesar do homem ferido (a quem a igreja promete prestar toda a assistência), “foi uma verdadeira festa”, afirmou. “Como não havia, e também não se podia, fazer nada no centro da cidade, uma multidão ficou em volta, apostando de daquela vez a igreja cairia ou não”. No final das contas, ainda sobrou partes de paredes a serem derrubadas, trabalho a ser feito agora com tratores, picaretas e martelos.

A construção da nova Catedral deverá começar tão logo o local seja limpo. As obras, aliás, já haviam começado em 1958. Em cinco anos, a parte de trás da nova igreja, com a capela-mor e a sacristia, já estava construída. Por falta de recursos, as obras pararam em 1963. Resta agora construir a parte principal — a enorme nave que promete abrigar mais de 1,5 mil pessoas sentadas.

Largo da Matriz é hoje a Praça da República. O comerciante Nicomedes de Almeida recobrou a consciência no dia seguinte. Aposentado, mora hoje no bairro Terra Nova. Por causa da tijolada, têm limitados os movimentos do braço atingido.

Fontes: “História Geral de Mato Grosso (vol.II), de Lenine Póvoas; e Arquivo do Diário de Cuiabá.



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