Quarta feira, 21 de novembro de 2018 Edição nº 9916 08/04/2001  










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Comércio pelo rio Cuiabá é cada vez mais intenso

Volume de produtos comercializados cresceu mais de 40% em dois anos

ALBUM GRAPHICO DE MATTO-GROSSO
Os vapores e as chatas vindas de Corumbá trazem toneladas de produtos para o consumo dos moradores
CARLA PIMENTEL
Da Reportagem

Cuiabá, 1º de janeiro de 1906 - Sedas, veludo, tapetes, chapéus, louças, cerveja, cigarreiras, querosene, porta-moedas chegando. De saída, erva-mate, borracha, couro bovino, entre outros. Um balanço das importações e exportações realizadas no ano passado revela que o Porto de Corumbá embarcou mercadorias correspondentes a um total de 3.739 contos e 753 réis e desembarcou um volume de 2.621 contos e 986 réis em produtos. A partir de Corumbá, esses produtos chegam a Cuiabá através de vapores e chatas, abastecendo o mercado local.

O contrabando é uma das características do escoamento da produção local. No balanço de 1905, o volume total de exportações de borracha em Mato Grosso é ignorado. Não há fiscalização para a exportação do produto no Norte do Estado. Quase toda a produção é, portanto, comercializada como se pertencesse ao Amazonas e Pará. Ainda que sem muito controle, a exportação da borracha é um elemento expressivo da economia local – mas o mesmo já não se pode mais dizer das riquezas minerais.

Números oficiais apontam que, através de Corumbá – por onde também segue a produção levada através dos portos de Cuiabá e Corumbá – escoaram 544,9 toneladas. Esse volume é cerca de 40% superior ao registrado em 1904, quando 307,7 saíram de Mato Grosso a partir do terminal portuário. A erva-mate foi o produto mais exportado em Mato Grosso no ano passado, atingindo o patamar de 4,3 toneladas. Ela é seguida pelo couro bovino, que ultrapassou os 700 mil quilos.

Desse vaivém de mercadorias através dos portos, novos negócios vêm surgindo em Cuiabá, Corumbá e Cáceres. Nas três cidades, o movimento de embarcações gerou a multiplicação de casas comerciais, como a Orlando Irmãos & Cia, na capital. A abertura da navegação pelo rio Paraguai também favoreceu o nascimento das primeiras indústrias instaladas no Estado, como de açúcar (ver matéria nesta página).

As vias de comunicação usadas no século XVIII – monções do Tietê e Guaporé – foram desativadas no século passado. Mas, em 1856, a partir das negociações com a República do Paraguai, a navegação voltou à ativa. O trânsito foi novamente interrompido durante a guerra do Paraguai, e novamente reativado após o conflito.

Dos três rios mais importantes da bacia do Prata – Paraná, Paraguai e Uruguai – os dois primeiros nascem em território que, nos tempos do Brasil-colônia, pertenceu à capitania de Mato Grosso. Uma das conseqüências disso é a ligação cultural entre o Estado e os países da Bacia do Prata ao longo de sua história. Em Cuiabá, não foram raros os casos de paraguaios que se estabeleceram na região. Sestas depois do almoço e conversas à porta de casa depois do jantar, por exemplo, são costumes típicos dos vizinhos de língua espanhola. Moedas desses países chegaram a circular por Cuiabá no século passado.

O intenso intercâmbio comercial determinou também a chegada de espanhóis e italianos - industriais, comerciantes, armadores, operários etc – que respondiam pelo sobrenome de Fragelli, Vasques, Candia, Bonilha, Ricci e tantos outros.

Há tempos, notícias da Corte chegam a Cuiabá através do lento caminho das águas. A libertação dos escravos, por exemplo, aportou mais tarde em Mato Grosso. Informações sobre a Lei Áurea, assinada pela princesa Isabel no dia 13 de maio de 1888, só chegou em Cuiabá em 6 de junho. A notícia de que o Brasil tinha proclamado sua Independência também chegou em atraso - ela foi divulgada quatro meses depois do Grito do Ipiranga. Devido às dificuldades de comunicação, a novidade só foi divulgada em Cuiabá no dia 5 de janeiro de 1823.

Fontes de pesquisa para esta matéria: “Influências do Rio da Prata em Mato Grosso”, de Lenine Póvoas; Arquivo Público do Estado de Mato Grosso; “Revivendo Mato Grosso”, de Elizabeth Madureira e “Album Graphico do Estado de Mato Grosso”.



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