Sexta feira, 21 de setembro de 2018 Edição nº 9916 08/04/2001  










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Proclamação da República surpreende classe política

Ontem mesmo, o primeiro governador do Estado, Antônio Maria Coelho, assumiu seu novo posto

História Geral de Mato Grosso
O general Antônio Maria Coelho, desde ontem o primeiro governador do Estado de Mato Grosso
RODRIGO VARGAS
Da Reportagem

Cuiabá, 10 de Dezembro de 1889 – A notícia da Proclamação da República, ocorrida a 15 de novembro no Rio de Janeiro, chegou na madrugada de ontem a bordo do paquete Coxipó, sacudindo a cama de liberais e conservadores como se fora um terremoto. Ao amanhecer, Mato Grosso - não mais província monárquica e, sim, Estado da Federação – já tinha seu cenário político todo redesenhado.

O coronel Ernesto Augusto da Cunha Matos renunciou à presidência da Província. Em seu lugar, aclamado em sessão extraordinária pela Assembléia Legislativa, foi empossado o general Antônio Maria Coelho, o comandante da retomada de Corumbá (ver matéria), como o primeiro governador da história.

“Mato-grossenses, enfim é livre a terra de Colombo. A planta exótica que ainda existia feneceu no glorioso dia 15 de novembro”, disse Maria Coelho, em proclamação redigida logo após a posse. “Aclamado hoje, pelo povo desta capital e pela Assembléia, em nome do mesmo povo, governador do Estado de Mato-Grosso, que assim confirmou a nomeação do governo provisório dos Estados Unidos do Brasil, assumi as rédeas do governo”.

Segundo os neo-republicanos presentes, a posse por aclamação se tornou necessária para garantir a ordem institucional no Estado, já que, até o fechamento desta edição, não havia um documento oficial dando conta das medidas tomadas pelo governo provisório do Presidente da República, o General Manoel Deodoro da Fonseca.

O motivo de tanta certeza – e da renúncia prematura de Cunha Matos – seria uma carta escrita pelo doutor José Maria de Metelo ao coronel Antônio Manoel da Silva Fontes. Nela consta que Deodoro da Fonseca teria forte intenção de nomear o general Maria Coelho para o cargo.

A carta foi escrita por Metelo às pressas, pouco após uma parada do paquete “Coxipó” em sua propriedade ribeirinha, na região do rio abaixo. Conversando com os viajantes, a maioria vinda do Rio de Janeiro, ele soube das novidades em primeira mão e, aproveitando-se do fato de a viagem fluvial a Cuiabá se tornar mais lenta a partir daquele ponto, colocou tudo o que ouviu em um papel e ordenou que o trouxessem a Cuiabá por via terrestre, a cavalo.

Como Metelo imaginou, a carta chegou antes que o navio e seus correligionários, os líderes republicanos José Marques Fontes, Ernesto Frederico de Oliveira, André Virgílio Pereira de Albuquerque e Vital de Araújo - todos da oposição conservadora - foram os que primeiro souberam de seu conteúdo explosivo.

Imediatamente, o grupo tratou de esquadrinhar o plano que permitiria a Maria Coelho, um liberal descontente com os ditames situacionistas, assumir o cargo o quanto antes – e, por consequência, garantir-lhes algum retorno político.

Hospedado em Cuiabá somente para fazer a inspeção dos cargos de infantaria, o general foi acordado no meio da noite pelo grupo afoito que, com a tal carta em mãos, o convenceu não apenas da iminência de sua nomeação, mas da necessidade de uma posse imediata, logo ao amanhecer, antes mesmo que se confirmasse o convite oficial.

E assim foi feito. Com a renúncia do presidente da província, ao novo governador só restou esperar a reação do grupo da situação, o Liberal, do qual muitos de seus integrantes, até o início daquela madrugada, haviam participado de animado baile em homenagem ao presidente da Assembléia Provincial e do partido, o Capitão Generoso Paes Leme de Souza Ponce, e ao Imperador Dom Pedro II – àquele momento, ninguém poderia saber, já deposto e a caminho da Europa (ver matéria).

Porém, ao saber que Maria Coelho já recebia apoio na Câmara Municipal – e que havia inimigos planejando ficar debaixo de suas asas -, Ponce convocou às pressas a Assembléia Provincial e, por meio de uma comissão de deputados, comunicou-lhe de sua posse como governador do Estado seria às 10 horas da manhã.

Com isso, e pela primeira vez em décadas de embates, um governante consegue a proeza de unir forças políticas aparentemente inconciliáveis. Conservadores e liberais, cujos partidos também foram extintos com a monarquia, aplaudiram de pé a posse do novo governante e, juntos, gritaram palavras de ordem saudando a República. O que resta saber, depois de tamanha reviravolta, é: até quando dura a trégua?

Quando deu posse a Maria Coelho, a Assembléia Provincial já estava oficialmente extinta (Decreto nº7, de 20/11/1889). O general governou por 1 ano e dois meses, até ser exonerado do cargo, em 13/01/1891. A trégua entre as elites, de fato, nunca existiu.

Fontes: Arquivo Público de Mato Grosso; Virgílio Corrêa Filho, “História de Mato Grosso”; Lenine C. Póvoas, “História Geral de Mato Grosso”; Rubens de Mendonça, “História do Poder Legislativo em Mato Grosso”. E a professora Lylia da Silva Guedes Galetti, do Departamento de História da UFMT.



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