Quinta feira, 20 de setembro de 2018 Edição nº 9916 08/04/2001  










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Tragédia fez cuiabano ‘esquecer’ a guerra

Da Reportagem

A tragédia colocou em segundo plano o desenrolar da guerra com o vizinho Paraguai, que ainda ameaça o território da Província. Ao conflito, muitos cuiabanos só se referem quando têm de lidar com a escassez e a conseqüente carestia de gêneros alimentícios e produtos manufaturados, reflexo do fechamento da navegação pelo Prata.

Outra lembrança remonta a 29 de junho, data da chegada dos primeiros integrantes da guarnição militar que reconquistou a cidade de Corumbá - em mãos paraguaias desde 1864. Junto com as boas novas, os soldados trouxeram a doença.

Não fosse a fatalidade e a retomada das terras ao Sul da província seria o momento mais importante do ano, por se tratar da primeira participação efetiva de tropas cuiabanas na guerra.

Em 1865, é verdade, houve o episódio da fortificação da colina de Melgaço, onde o comandante das armas, Augusto Leverger, manteve tropas de prontidão, durante o período de cheias, protegendo a cidade de uma provável invasão paraguaia. Mas, na ocasião, o inimigo nunca veio.

Quando a assumiu a presidência da província, em 1866, José Vieira Couto Magalhães não escondeu que seus objetivos seriam retomar Corumbá e viabilizar a navegação pelo rio Araguaia, como forma de fugir ao bloqueio imposto pela guerra à rota do Prata.

A 15 de maio, sob suas ordens, a tropa cuiabana – cerca de 2000 homens – iniciou a contra-ofensiva, sob o comando do Tenente-Coronel Antônio Maria Coelho. Chegando ao destino, o grupo desviou-se do curso principal do rio, onde a esquadra naval paraguaia fazia guarda, e conseguiu aportar na cidade, no dia 13 de junho, sem encontrar grande resistência.

Tanto que, em menos de uma hora de combate, as tropas de Antônio Maria já dominavam a cidade – 29 soldados cuiabanos morreram, contra 115 paraguaios. Quando chegou o segundo grupo de soldados, sob o comando de Couto Magalhães, não havia mais sinal dos invasores.

A não ser nos registros secretos das tropas paraguaias, onde o grupo soube que estaria a caminho um considerável reforço da artilharia naval, vindo de Assunção. Temeroso, ele reuniu a todos os soldados, e alguns moradores corumbaenses que quiseram fugir da cidade, e em 24 de junho de 1867, partiu rumo a Cuiabá. Não sabia que, naquele momento, já havia infectados no grupo.

DESESPERO – Se a intenção fosse colaborar com a atual mística em torno da doença, poderia-se dizer que a viagem de volta, de tão malsinada, foi um presságio. Os sintomas só foram se manifestar durante o trajeto, quando todos já vinham respirando juntos nas embarcações – os vapores Antônio João, Jauru, Corumbá, Paraná e Cuiabá - e compartilhando a doença.

O grupo que se adiantou para dar a notícia da vitória chegou à capital em 29 de junho, já trazendo o primeiro infectado. Bem atrás vinham os outros, espalhados por todo o trecho, em completo desespero, muitos já perdidos por entre os corixos do pantanal.

A 11 de julho, na desembocadura do rio Alegre, os batalhões comandados por Antônio Maria e Antônio José da Costa foram alcançados pelos paraguaios e uma nova e desesperada batalha começou, obrigando os cuiabanos a organizar outro contra-golpe, com o apoio de tropas que estavam em terra. Venceram novamente os paraguaios, mas já perdiam a guerra contra a doença. A epidemia, que para a Cuiabá seria flagelo maior do que a guerra, era apenas questão de tempo. (RV)

Mesmo com a controvertida “retomada” de Corumbá, o forte de Coimbra permaneceu sob o comando dos Paraguaios. A Guerra terminaria oficialmente a 1º de março de 1870, com a morte de Francisco Solano López, governador da república inimiga. Após o conflito, a navegação pelo Prata seria franqueada.



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