Quarta feira, 21 de novembro de 2018 Edição nº 9916 08/04/2001  










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Doença da bexiga matou mais de 3 mil pessoas nos últimos 4 meses

Autoridades temem pelo aumento no número de mortes, em razão do fim dos estoques de soro imunológico

Album Graphico do Estado de Matto-Grosso
A Santa Casa de Misericórdia de Cuiabá: estrutura não é suficiente para atender os novos casos da doença
RODRIGO VARGAS
Da Reportagem

Cuiabá, 01 de outubro de 1867 – Passam de três mil os mortos pela epidemia da bexiga em Cuiabá. Na última semana, as equipes do exército enterraram 263 novas vítimas no cemitério especial de Nossa Senhora do Carmo, na região do Porto. Os hospitais militar e dos indigentes, superlotados, necessitam urgentemente de voluntários para obter novos estoques do soro imunológico.

Dos indigentes aos mais abastados, a cidade toda conta seus mortos. Em algumas casas, onde a epidemia não poupou a ninguém, foi preciso arrombar portas para recolher as vítimas. Desde 8 de agosto, data da inauguração do cemitério, os encarregados de recolher, queimar e enterrar os corpos – soldados já imunizados e prisioneiros paraguaios – não tiveram sequer uma noite de folga.

O controle é precário e a doença já ultrapassa os limites da capital. Foram registrados casos nas localidades de Diamantino, Guia, Brotas, Rosário e Rio Abaixo. Em Serra Acima, conforme estimativa da paróquia local, 124 pessoas teriam morrido infectadas.

Já estão no fim os estoques de soro imunológico, importado do Rio de Janeiro e Buenos Aires. Uma alternativa seria reproduzi-lo diretamente na capital, mas, segundo os médicos do Hospital Militar, não há voluntários dispostos a receber a aplicação.

Para dificultar o trabalho dos médicos, começou a florescer a crença, entre setores da população, de que a Província estaria sofrendo um castigo divino, indiferente a qualquer profilaxia (ver matéria). A estes só resta o auxílio da igreja, que vem realizando sessões extras de preces e celebrações litúrgicas, na tentativa de acalmar o “anjo da morte”. A preocupação é maior em relação aos bairros do Mundéu e do Porto, onde a condição de vida dos moradores é ainda mais precária que no resto da cidade.

EPIDEMIA - Transmitida pelas vias respiratórias, a bexiga tem duas formas distintas. Na maioria dos casos, as mortes estão sendo causadas por sua variedade mais agressiva, a chamada confluente, que, por conta do aspecto das infecções cutâneas que provoca, é conhecida como “pele de lixa” - a outra forma, mais branda, é chamada benigna.

O primeiro infectado da capital foi o soldado do Batalhão de Voluntários, Antônio Félix, que, retornando da campanha militar que expulsou os paraguaios de Corumbá, inauguraria a contagem oficial das vítimas (ver matéria). Outras 71 viriam, exclusivamente entre os militares, até que morresse o primeiro civil, a 23 daquele mês.

No início de agosto, com o número de mortos chegando a duas centenas, a epidemia já se configurava. Em caráter emergencial, o presidente da Província, José Vieira Couto Magalhães, mandou erguer um hospital provisório nas proximidades do Acampamento Militar, destinado ao atendimento de pobres e indigentes. Também indicou a abertura do cemitério especial, na área conhecida como Cai-Cai, e o início das campanhas de prevenção ao contágio.

No mês passado a infestação parece ter atingido seu ponto mais crítico, tendo os enterros no Cai-cai alcançado a razão de 50 por dia, com picos de até 100 entre os dias 5 e 6. Segundo acreditam as autoridades sanitárias, e a julgar pelas características da doença (não se contrai duas vezes), é provável que a epidemia continue fazendo vítimas, mas em ritmo reduzido a partir de meados de outubro. (RV)

Bexiga era o nome que se dava à varíola. Em Cuiabá, a epidemia só seria controlada a partir de dezembro de 1867. O número exato de mortos ainda hoje é uma incógnita, tendo sido utilizado nesta reportagem a estimativa referente à Freguesia da Sé, onde estava o maior contingente da população.

Fontes: Arquivo Público de Mato Grosso; Virgílio Corrêa Filho, “História de Mato Grosso”; Luíza Rios Ricci Volpato, “Cativos do Sertão”; Rubens de Mendonça, “História do Poder Legislativo em Mato Grosso”. E a professora Marlene Vilela, do Departamento de História da UFMT.



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