Segunda feira, 12 de novembro de 2018 Edição nº 9916 08/04/2001  










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Comitiva era sinal da decadência

Da Reportagem

A cena chamou a atenção pelas ruas de Cuiabá: uma comitiva, formada por membros da aristocracia de Vila Bela da Santíssima Trindade, chegou na cidade em 1821. Nesse tempo, 15 anos antes da atual oficialização da transferência da capital, o presidente da província já não percorria as margens do rio Guaporé. Com baús, móveis e escravos domésticos, os membros da caravana chegaram para ficar - causando estranhamento de uns e satisfação de outros.

A cidade inchou com a repentina mudança. Para a elite cuiabana, significou um atestado da prevalência de Cuiabá sobre a então capital da Província – um reconhecimento da decadência de Vila Bela, fortalecendo a rival na disputa pelo poder. Por outro lado, o acontecimento não deixou de gerar um certo desconforto entre as classes dominantes de ambos os lados, que há muito haviam estabelecido um verdadeiro “cabo de guerra”. Agora, as duas correntes compartilhavam o mesmo espaço.

Em Vila Bela, não havia como estancar as perdas demográficas. Segundo o engenheiro Luiz D’Alincourt, responsável por uma série de trabalhos estatísticos e topográficos na região, “o mapa geral da população da cidade de Mato Grosso e mais lugares anexos totalizava 5.316 almas em 1828”. Ele observa que, em nove anos – entre 1819 e 1828 – a população de Vila Bela diminuiu 22%. Nessa época, a cidade contava com apenas 1.595 habitantes, e pouco restava do comércio e movimento local. Segundo ele, havia “somente nove lojas de fazendas secas, e molhados, e 17 tabernas”.

Nessa época, de acordo com os levantamentos de D’Alincourt, a minoria branca que ainda permanecia em Vila Bela – a migração continuou nos últimos anos – representava 8% do total de habitantes, enquanto pardos, negros e índios somavam os outros 92% da população.

Mas o processo migratório da aristocracia branca não foi desencadeado em 21. A viagem da comitiva – “acompanhando os cofres públicos”, conforme apontava a população local – foi considerada um marco histórico, mas o esvaziamento da cidade vinha de outros tempos.

Dados do Censo de 1800 revelam que Vila Bela abrigava, no período, 7.105 pessoas – sendo cerca de 93% negras, índias ou mulatas. Mais da metade do total de habitantes era escrava.

O sargento-mor Luiz D’Alincourt realizou, na primeira metade do século XIX, amplos levantamentos na Província de Mato Grosso. Os resultados dos seus trabalhos foram publicados pela Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, em 1880, com informações referentes aos estudos de 1828.

Entende-se por “cidade de Mato Grosso e mais lugares anexos” a região de Vila Bela da Santíssima Trindade, incluindo seus distritos.

Fontes de pesquisa para esta matéria: “Território Negro em Espaço Branco”, de Maria de Lourdes Bandeira e entrevista com a autora; “Revivendo Mato Grosso”, de Elizabeth Madureira. (CP)



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