Sábado, 23 de março de 2019 Edição nº 14215 06/06/2015  










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Com Lino ao microfone, não tem pra ninguém

“Chamada Geral”, com Lino Rossi, é a mais gabaritada atração nas manhãs de Cuiabá, conversando e prestando serviço à comunidade

JOÃO BOSQUO
Da Reportagem

Laudnir Lino, o muito conhecido Lino Rossi, o radialista que domina as primeiras horas das manhãs cuiabanas com o seu tradicional “Chamada Geral”, no dial 95,9, da Mega FM, acredita que o rádio é um prestador de serviço e deve conversar com outras mídias, como o WhatsApp, Twitter e Facebook.

Essa é a opinião de quem está há mais de quatro décadas dentro dos estúdios, atrás dos microfones, fazendo rádio. Lino Rossi entrou nos estúdios pela primeira vez com 14 anos, pré-adolescente, em sua cidade natal, Astorga (PR), fazendo locução de programa musical na emissora local.

Ele, junto com um amigo, entregava revistas pra uma livraria nas residências e comercio. Um desses locais era a Rádio Astorga Orquestra e estavam fazendo inscrição para fazer teste. Ele e o amigo fizeram os testes de voz, desembaraço e, de inicio, Lino acreditou que o parceiro é quem seria o escolhido, até por sua sugestão, mas as pessoas que fizeram a avaliação optaram por ele. Uma semana de treinamento, com lápis na boca essa coisa toda, e teve início a carreira de apresentador de programa musical. Segundo ele, era coisa simples: as pessoas deixavam cartas na rádio, pedindo e oferecendo musicas que eram lidas no ar.

O irmão, Delmiro, dono de um bar em Ribeirão Preto (SP) ficara doente e Lino mudou-se para lá pra ajudar. Dali a pouco começa a trabalhar na Rádio Colorado, alguns anos, e depois na Rádio Renascença, hoje uma FM, que é propriedade da Universidade de Ribeiro Preto. Esse ciclo em Ribeirão Preto encerra-se em 1977, após o festival local, e vai pra Catanduva, onde fica até 1982.

Na década de 80 a uma mudança territorial. Lino, que ainda não era Rossi, vem para o Centro Oeste, mais especificamente para Goiânia trabalhar na Rádio Brasil Central, onde ficou perto de três anos, até que o suplente de senador Dinuamérico Silvino de Oliveira, “cismou” com Lino e pediu sua transferência para Porangatu (GO) e foi trabalhar na Rádio Tropical. Dinuamérico também cismou com o nome, principalmente com Laudnir e decretou que dali pra frente seria Lino Rossi. Na pequena Porangatu o cotidiano vira rotina e cansa.

Cuiabá entra no mapa nacional por conta da emenda das Diretas-Já, do deputado Dante de Oliveira e Lino Rossi resolve conhecer a capital mato-grossense. Antes, porém, se calçou. Procura na lista telefônica e acha o telefone da Rádio A Voz D’Oeste, e conversa com Valdelino Ribeiro, que dá ordem para ele vir para Cuiabá que tinha emprego garantido. Assim que chegou na RVO, da família Brunini, conversa com Valdelino que nem levanta a cabeça para olhar e disse “não tenho vaga”. Lino conta que Valdelino, que atualmente mora no litoral paulista, nega essa história, mas ela é real.

No outro dia, toma um táxi e pergunta ao motorista, onde tem uma rádio? Já estavam na avenida da Prainha, o homem aponta o edifício Palácio do Comércio, onde ficava a Rádio Vila Real. Chegando lá, o locutor de plantão, disse: “É você que eu estava esperando, você tem que começar segunda-feira porque estou indo pra São Paulo”. Dali saíram para o escritório e foram conversar com Vilson Minossi, Eugênio de Carvalho e Onofre Ribeiro, e passa apresentar o Chamada Geral.

Era uma equipe de primeira linha: Lúcio Sorge, Elias Neto, Clóvis Roberto, Roberto Silva, José Ribamar Trindade, Lino Pinheiro, Orlando Antunes, Elisete Mengatti, entre outros, e duas viaturas. “Não tinha pra ninguém”, afirma. É nesse momento que o perfil de locutor começa a mudar para o de radialista polemista. Começa exatamente quando acontece a reintegração de posse da área onde hoje está o bairro Jardim Colorado. Quem comandava a tropa era o coronel Campos Filho. Lino foi para o local de microfone em punho para transmitir a desocupação. Depois veio o Pedra 90 e firmou-se como tal.

Quando a Vila Real passou para o PMDB de Carlos Bezerra, um dos primeiros demitidos foi Lino Rossi. Ele muda para a Rádio Industrial e fica lá até quando João Dorileo compra as duas emissoras. Por orientação de Antero Paes de Barros, Lino é contratado. Lá, no Grupo Gazeta, fazendo também o “Cadeia Neles” fica mais de uma década.

Se elege vereador, disputa a prefeitura de Várzea Grande, a pedido de Dante de Oliveira, e se elege deputado federal. Como deputado, uma das bandeiras foi a migração das rádios AM para FM. Lembra que reuniu-se com Hélio Costa e o atual senador Eunício Oliveira, do Ceará. Ele apenas lamenta que essa migração está sendo muito lenta, até porque a Noruega já acabou até com as FMs, agora tudo é digital.

Lino Rossi diz que antes era contrário ao projeto do PT de regulamentação das mídias e hoje acredita que é uma necessidade para que não aconteça de um mesmo grupo econômico ter mais de uma emissora na mesma cidade, coisa que já vem acontecendo em Cuiabá. Diz também que a ação do Ministério Público, fazendo valer as legislação das comunicações, que proibe as igrejas de arrendar emissoras de rádio será benéfica para o mercado de trabalho.

O “Chamada Geral” de hoje, véspera de completar três décadas, conta com a participação tarimbada do economista Vivaldo Lopes. Os ‘repórteres’ são os ouvintes que, pelo WhatsApp, interagem, mandando informação, sugerindo assuntos a serem debatidos. “Rádio é prestação de serviço. Quem quer ouvir música coloca no pendrive”.



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