Sábado, 21 de setembro de 2019 Edição nº 14213 03/06/2015  










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Índios Karajá são acusados de vender tartarugas no Araguaia

YURI RAMIRES

Índios que residem na região do Araguaia foram flagrados vendendo tartarugas em uma praça do município de Santa Terezinha (1.329 km de Cuiabá). O comércio ilegal foi flagrado por um padre que atua na região e, segundo ele, não seria a primeira vez que os índios são vistos vendendo animais silvestres. A Polícia Civil e o Ibama já estão investigando o caso.

Conforme o padre Paulo César Xavier de Matos, o flagra foi feito na manhã de segunda-feira (1º). Os índios da etnia Karajá estavam reunidos na praça próxima ao Rio Araguaia, com os animais expostos na grama. As tartarugas custavam em média 40 reais.

Nas imagens registradas pelo padre, é possível ver os animais na grama, mas virados, com o casco para baixo. Eles fazem isso para evitar que as tartarugas fujam. “Não é a primeira vez que vejo isso, fora que já os vi vendendo peixes de várias espécies. Não há fiscalização nenhuma aqui”, afirmou.

A Polícia Civil da região alegou que a fiscalização fica complicada, uma vez que, quando pegos com esses animais, os índios alegam que é para consumo próprio, conforme permite a legislação.

“Então, não tem como saber se a finalidade é ou não para comercialização. Eles são amparados pela lei, fora que para abordá-los é preciso que algum fiscal da Fundação Nacional do Índio (Funai) esteja junto”, disse um agente.

Para a superintendência do Ibama em Mato Grosso, o problema é maior. “Se está tendo essa comercialização, é porque há quem compra. Caso contrário, eles não estariam vendendo no local”, disse um técnico do órgão.

Ainda conforme ele, a fiscalização pode ser feita de outras formas. “Abordando não somente os índios, mas também os que estão comprando esses animais. Comprar, assim como vender, também é ilegal, também é crime”, finalizou.

No momento em que esteve próximo ao local onde os animais estavam sendo comercializados, o padre Paulo observou que ao menos um dos animais foi vendido para um popular.

Um antropólogo da Funai já está a caminho do município para conversar com os índios; a ideia é conscientizá-los sobre a prática ilegal. Agora, o Ibama também busca identificar os vendedores, bem como os compradores do animal. A multa vai de R$ 500 a R$ 5 mil.

Vale ressaltar que a espécie das tartarugas não foi identificada até o momento, mas, conforme a denúncia do padre, elas são trazidas da Ilha do Bananal, no Tocantins. A Polícia instaurou um inquérito para investigar o caso.



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