Domingo, 08 de dezembro de 2019 Edição nº 14202 21/05/2015  










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O normal é a exceção

Enquanto no Brasil o índice de partos cesáreos é de 84%, o que já é considerado inaceitável, em MT passa dos 95%


Anaangélica Pereira e os filhos: ela teve que enfrentar resistências para realizar o desejo de dar à luz pelo método normal
ALECY ALVES
Da Reportagem

Com índices superiores à média nacional em partos cesáreos, os médicos mato-grossenses que atendem por planos de saúde terão de justificar a opção pelo procedimento cirúrgico.

Justificar e convencer, caso contrário poderão receber como resposta a recusa do pagamento da cirurgia quando esta for considerada desnecessária.

A medida, adotada esta semana pelo Ministério da Saúde e a ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar), vale para todo o país e entrará em vigor no prazo de seis meses. O objetivo é a redução do número alarmante de partos cesarianos nos serviços privados de saúde.

Enquanto a média nacional é de 84%, o que já é considerado inaceitável, aqui em Mato Grosso passa dos 95% em algumas operadoras.

A Unimed Norte (região de Sinop), por exemplo, contabilizou 759 partos realizados em 2013, dos quais 726, o que representa 95,7%, foram procedimentos cirúrgicos, ou seja, cesáreos. Apenas 33 crianças vieram ao mundo pelo meio considerado normal pela medicina.

Já a Unimed Cuiabá, uma das maiores operadoras de planos de saúde na região, registrou no mesmo ano, 3.537 partos dos quais 3.326(94%) cirúrgicos; apenas 211 normais.

Na rede pública de saúde, a média brasileira de cesáreas é de 40%. Mato Grosso aparece um pouco acima, com 42,3%. Dos 31.973 partos realizados em unidades publicas e conveniadas ao SUS (Sistema Único de Saúde) em 2013, 13.517 foram cesáreos.

Na rede privada, de um total geral de 21.019 partos, 18.656, ou 88,7% foram cirúrgicos e somente 2.363 normais, que corresponde a 12,3%.

Ainda na rede privada, em 2014 não houve mudança significativa nesses percentuais. No Estado, o índice de partos cesáreos caiu em apenas 2,3%.

Conforme dados divulgados ontem pela Secretaria Estadual de Saúde (SES), dos 23.085 bebês nascidos pelo sistema privada de saúde, 19.854(86%) ocorreram em cirurgias, a maioria com data programada.

A pequena Ana Sofia, filha de Anaangélica Pereira e Helton César Oliveira, está entre as poucas crianças que ano passado (em julho) nasceram em parto normal.

A mãe, que tem outro filho, Raí, de 7 anos, conta que sempre teve em mente que teria os filhos pelo meio natural. “Pensei: cesáreo só em último caso, se o parto normal representar risco de vida para a criança ou para mim”.

Entretanto, recorda, enfrentou a resistência de diversos médicos por suas escolhas. Por diversas vezes, conta Anaangélica, teve de mudar de ginecologista/obstetra para fazer valer o seu desejo.

No início da gestação de Ana Sófia, Anaangélica deixou o consultório de uma médica indignada com o que acabara de ouvir: ”Não! Faz cesárea, é mais rápido, são apenas 45 minutinhos de cirurgia e em poucos dias você já estará bem, recuperada; e depois não terá de fazer períneo” (perineoplástica, a cirúrgica que visa a reconstituir os músculos do períneo, localizado na zona íntima feminina), ouviu.

Todos os médicos, com exceção do SUS, nos casos das mulheres que dão entrada na maternidade em trabalho de parto, cobram pelo acompanhamento da gestante para o parto normal, diz ela.

Sem dinheiro para pagar a obstetra que a acompanhou durante a gestação, Anaangelica optou por fazer o parto com o médico plantonista de um hospital que atende tanto pelo sistema privado, quanto pelo SUS.

O parto dela acabou sendo feito pelo sistema público. A única diferença foi que, logo depois, ela e o bebê foram para um leito privativo, custeado pelo plano de saúde.



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