Terça feira, 18 de dezembro de 2018 Edição nº 14053 20/11/2014  










CONSCIÊNCIA NEGRAAnterior | Índice | Próxima

MT não tem nenhum parlamentar negro

Na atual legislatura e na que iniciará no próximo ano, dos 24 deputados estaduais, 8 federais e 3 senadores, nenhum é negro


Carlos Caetano é presidente do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial
ALLINE MARQUES
Da Reportagem

Apesar de 62% da população mato-grossense ser considerada negra, esta maioria não se reflete na política. Na Assembleia Legislativa não há nenhum representante do movimento negro no Estado e a situação se repete entre os deputados federais e senadores. Esta dificuldade da inserção dos negros no cenário político é reflexo de anos de desigualdade racial e de um “racismo invisível” existente no país.

Hoje celebra-se o Dia da Consciência Negra, projeto de autoria dos ex-vereador Rinaldo Almeida e Aurélio Augusto, ambos negros. O feriado foi criado no ano de 2000 e 14 anos depois ainda se vê questionamentos acerca da data.

O presidente do Conselho Estadual de Promoção da Igualdade Racial, Carlos Alberto Caetano, aponta para a existência do racismo institucional, além da falta de maturidade dos partidos para se promover negros no cenário.

As dificuldades não são apenas na política, mas na vida profissional ocorre o mesmo. Caetano relata que para um negro se promover, ocupar cargos de primeiro escalão ou obter salários maiores ele precisa de muito mais esforço e provar, diariamente, a sua capacidade técnica.

“É preciso que a população negra construa sua identidade política e tem que enfrentar o preconceito da sociedade. O racismo é uma bandeira que causa constrangimento social, pois existe a negação da existência do preconceito. Apesar de todas as políticas já criadas para garantir a igualdade racial, o preconceito está na sociedade. Existe ainda o racismo institucional que impede que nós tenhamos o mesmo ingresso que outros na política. Isto só demonstra como a sociedade ainda é racista e é um racismo invísivel, que as pessoas negam”, afirmou.

Na política, Caetano aponta falha no processo de disputa como o fato de as campanhas saírem com custo elevado. É um círculo vicioso, porque se o negro encontra dificuldade em alcançar empregos com altos salários automaticamente ele não possui a mesma capacidade financeira de outros políticos.

“Esta é uma herança antiga da falta de acesso aos cargos com melhor remuneração e isso, ao mesmo tempo, reduz nossas chances de crescer na política e na vida profissional”, contextualizou.

Só que os fatores para a ausência de representantes negros nos parlamentos e até mesmo no Executivo são vários. Inclusive a resistência existente dentro do próprio movimento negro, que, às vezes, por não acreditar na possibilidade de trabalhar para eleger alguém ligado a ele, acaba apoiando outros políticos, que depois de eleitos, também parecem esquecer deles.

“Existe uma maior resistência dentro do movimento negro, pois os gastos com a campanha são muito alto e ele não acredita na possibilidade de eleger um negro e opta por apoiar outras lideranças”.

Na atual gestão municipal, na capital, Caetano ressalta não haver nenhum cargo de primeiro escalão exercido por negro.

A última administração que teve maior participação foi a do tucano Wilson Santos, que na primeira gestão teve a vice-prefeita Jacy Proença, e ainda Aurélio Augusto como secretário de Esportes. Além disso, foi criada, na época, a Secretaria de Promoção da Igualdade Racial, e atualmente funciona apenas como coordenadoria, mas mal representada, na avaliação do presidente do Conselho.

Caetano ressalta ainda que o negro não entra para política apenas para disputa eleitoral. Ao contrário, ele ingressa com muito luta através dos movimentos sociais.

E apesar de anos de embates e de conquistas importantes como a questão das cotas, os avanços ainda são poucos e isto é reflexo também desta falta de representatividade parlamentar, pois acaba que leis que poderiam ajudar a população negra ficam “empacadas” no Congresso ou nas Assembleias.

Em Mato Grosso, os avanços apontados por Caetano estão, em sua maior parte, voltados para área de Educação. Como a reserva de 50% das vagas da Universidade Federal de Mato Grosso para negros, e a política de cotas que existe há nove anos na Universidade do Estado de Mato Grosso.

Na Secretaria de Estado de Educação existe a Coordenadoria de Política de Igualdade Racional, que tem promovido ações para garantir a ampliação desses direitos e de conquistas, mas Caetano afirma: “Em Mato Grosso não avançamos quase nada”.

Para tentar amenizar essa desigualdade, Caetano destaca que existe uma discussão para que os partidos também estipulem ‘cotas’ para os negros nas chapas da disputa proporcional, semelhante ao que já ocorre atualmente com as mulheres. Esta é uma discussão que o presidente do Conselho defende que seja colocada no plebiscito.

“Somos um povo sofrido e não apenas na questão da política eleitoral, mas na política pública de Estado. Tudo para nós tem de ser conquistado com muita luta e tudo isso tem muito a ver com a nossa militância. Queremos ser reconhecidos pela nossa capacidade, com este referencial e não pela nossa cor”, finalizou Caetano, que já disputou a prefeitura de Cuiabá e atualmente é filiado ao PDT e participa da equipe de transição do governo na equipe da Educação.



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