Quarta feira, 16 de janeiro de 2019 Edição nº 13976 22/08/2014  










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Petrópolis

Atendendo convite do amigo e historiador Pedro Farias, do Rio de Janeiro, visitei com a minha esposa Sandra, a cidade de Petrópolis no último final de semana. O que era para ser um simples passeio, se transformou numa viagem pelo período Imperial.

O ponto de partida para entrar nesse túnel do tempo foi passear em carruagem do século XIX (hoje um passeio obrigatório aos milhares de turistas que visitam a cidade), pelo centro histórico. Nesse dia, o clima estava frio coberto por uma névoa serrana. A aparência era de que não estávamos no século XXI. Os casarões de estilo neoclássico, como o Palácio Rio Negro, o Solar do Império, a Catedral de São Pedro de Alcântara, localizados nos arredores das avenidas Koeler e Ipiranga, nos dava a sensação de que voltamos ao tempo das velas nos lustres de cristais, onde não havia banheiros e sim um quarto de banhos para onde a água era transportada em vasilhas, e a ausência de vasos sanitários era substituída por comuas (cadeiras com urinóis embutidos).

A parada principal foi no Museu Imperial, uma das residências da família imperial brasileira. Construído entre 1845 e 1862, com recursos oriundos da dotação pessoal do Imperador Dom Pedro II, o majestoso palácio possui um dos mais importantes arquivos históricos do Brasil, com mais de 200 mil documentos manuscritos e impressos, iconográficos e cartográficos; uma biblioteca especializada em história brasileira do século XIX, que conta com cerca de 60 mil títulos, incluindo obras raras; e um setor de museologia responsável pelas exposições da Casa e pela preservação, pesquisa e divulgação de 7 mil objetos. Os setores atendem estudantes, professores e pesquisadores de todo o país e do exterior.

Petrópolis foi fundada por iniciativa do imperador dom Pedro II. Seu nome vem da junção da palavra em latim Petrus (Pedro) com a em grego Polis (cidade), ficando a “cidade de Pedro”. E se tornou um dos mais importantes monumentos arquitetônicos do Brasil. As prolongadas temporadas de Pedro II em Petrópolis criaram uma atmosfera favorável para a prática de veraneio ou vilegiatura, como se dizia à época, iniciada pelo próprio monarca e pela aristocracia do Império. Aliás, a cidade se formou ao redor do Museu Imperial.

Em suas estadias na cidade, o imperador, a imperatriz D. Tereza Cristina e suas filhas, as princesas D. Isabel e D. Leopoldina, frequentemente, recebiam a corte, os diplomatas e artistas nacionais e estrangeiros para saraus e recitais. Os encontros expressavam o gosto especial da família pela música, uma tradição da dinastia de Bragança na qual se destacou Dom Pedro I, que era músico e compositor.

Dom Pedro II era uma pessoa querida pela população. Apesar de sua imagem estar associada ao manto de veludo com bordados a ouro, o imperador apenas portava o traje majestático e as insígnias imperiais duas vezes por ano; na abertura e no encerramento da Assembleia Geral, solenidade que reunia o Senado e a Câmara dos Deputados.

Petrópolis era um estímulo para o imperador, também, aos estudos, à leitura ou a correspondência com amigos, intelectuais e cientistas de sua época. Seu refúgio predileto era o Gabinete de Trabalho, onde passava a maior parte do dia e mesmo a noite. Próximo à janela ficava o óculo de alcance que ele utilizava para observar o céu, o que ilustra a paixão do imperador pela ciência; sobre a mesa de trabalho, o primeiro telefone que trouxe para o Brasil após conhecer Graham Bell na Exposição Internacional da Filadélfia, nos Estados Unidos, em 1876. O aparelho ligava o Paço de São Cristóvão à Fazenda Imperial de Santa Cruz.

A importância política da cidade perdurou por décadas, mesmo depois do fim do Império Brasileiro, em 1889. Todos os presidentes da república, de Prudente de Morais a Costa e Silva, passaram pelo menos alguns dias na “cidade imperial” durante seus mandatos. Inclusive FHC e Lula. O mais assíduo dentre eles foi Getúlio Vargas.

Visitar a cidade é importante também para toda juventude brasileira interessada em conhecer a história do Brasil, mais do que isso, deveríamos estimular nossa juventude, toda ela, a conhecer a história do país.



* VICENTE VUOLO é cientista político e analista legislativo do Senado Federal

vicente.vuolo10@gmail.com



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