Quinta feira, 21 de março de 2019 Edição nº 13951 24/07/2014  










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Reação vacinal pode provocar perdas econômicas ao pecuarista

Considerando a arroba a R$ 115, os prejuízos podem ser de R$ 50 por animal


Manejo adequado nas imunizações e vacinas de qualidade podem reduzir, e muito, perdas na pecuária de corte
Da Redação

A reação vacinal pode provocar perdas de até R$ 50 por animal. Os prejuízos econômicos, provenientes de descarte de carnes, são causados por vários fatores, entre eles a aplicação inadequada das doses e a composição das vacinas. A constatação faz parte do projeto “Na Medida”, desenvolvido em parceira com a Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), a Universidade Estadual Paulista (Unesp), Campus de Botucatu-SP, e a Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Campus de Sinop (MT). A iniciativa contou ainda com a participação das empresas Beckhauser e Frialto.

De acordo com o estudo, considerado o valor da arroba do boi em R$ 115, as perdas por reação vacinal podem chegar a aproximadamente R$ 50 por animal. Sobre a pesquisa, o coordenador do projeto e professor da Unesp, Roberto de Oliveira Roça, conta que foram avaliados 1.012 bovinos, divididos em 19 abates, durante o ano de 2013. “Os resultados foram analisados de forma coletiva, com apresentação dos valores totais de cada lote avaliado”.

Ao calcular as perdas, o resultado da reação vacinal alcançou o valor máximo de 6,5 quilos por animal, considerando 1,65% de lesões em relação ao peso vivo pré-jejum. “Isso indica que há necessidade de informação e treinamento da prática de vacinação na propriedade rural, para que as perdas sejam reduzidas”, conclui Roça.

O superintendente da Associação dos Criadores de Mato Grosso (Acrimat), Luciano Vacari, acrescenta que medidas simples podem melhorar o manejo dos animais, como troca de seringas e a forma correta de aplicação das vacinas. “Além disso, é preciso que o setor da pecuária discuta com as empresas de medicamentos e com o Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento a eficiência e composição das vacinas comercializadas no país”, pontua.

O médico-veterinário da Acrimat, Guilherme Nolasco, explica que por serem vacinas oleosas, a forma de aplicação precisa ser mais cuidadosa. “A absorção desse tipo de vacina é mais lenta e se mal aplicada pode provocar edemas, abcessos e contaminação da carne, cujos prejuízos são descontados no peso do animal no abate”. Ele lembra que a antiga utilização de doses aquosas diminuía com as perdas no processo de vacinação.

Outros problemas que podem prejudicar o rebanho e, consequentemente atrapalhar o ganho do pecuarista, são as condições estruturais dos currais. Tábuas frouxas, piso sujo e encharcado podem aumentar o risco de contusões nos animais em função de escorregões e quedas. A recomendação é para que os pecuaristas percorram o caminho por onde os animais serão conduzidos, verificando se há pregos salientes, pedras, buracos, tábuas soltas, quinas, que podem prejudicar o andamento do manejo e causar danos aos animais.

“NA MEDIDA” - O projeto visa reconhecer os pontos de divergências entre produtores e frigoríficos com relação ao rendimento de carcaça. Animais que foram para o abate receberam o acompanhamento do técnico da Acrimat desde o manejo dentro da propriedade até a hora da pesagem de carcaça. Esses animais passaram por cinco pesagens, duas na propriedade, uma no ‘balanção’ da cidade, uma na balança Peso Vivo, que pertence à Acrimat e está instalada dentro do frigorífico e por último a pesagem de carcaça. As diferenças de pesos entre essas etapas apontaram onde e porque os animais perdem pesos.



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