Terça feira, 18 de dezembro de 2018 Edição nº 9899 22/03/2001  










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Elizabeth Savalla interpreta Millôr

Atriz comanda, a partir de amanhã, o elenco da comédia “É” que fica em cartaz até domingo no Teatro da UFMT. Em cena, os desafios enfrentados por uma dona-de-casa que se surpreende com o caso que o marido quarentão assume com jovem aluna

MÍRIAM BOTELHO
Da Reportagem

Uma super comédia de Millôr Fernandes, com adaptação e direção de Camillo Attila estréia amanhã, a partir das 21h, e prossegue no sábado, mesmo horário, e Domingo, às 20h, no Teatro da Universidade Federal de Mato Grosso. “É”, nome da peça, já foi apresentado em quase todo o país e traz no elenco a tarimbada Elizabeth Savalla e grande elenco: Élcio Romar, Stella Rabello, Kátia Kassen e Janser Barreto.

O texto nada mais é que uma história de amor, tratada com a fina ironia e o humor inteligente de Millôr. Em cena, uma mulher que após vinte e dois anos de casamento, se vê diante de um fato insólito: seu marido se apaixona por uma adolescente com idade para ser sua filha.

Vera (Elizabeth Savalla) é esta mulher de 42 anos, elegante e refinada que apesar de grande domínio intelectual, optou por ser uma simples dona de casa. Mário (Élcio Romar), seu marido, é um professor universitário, cinqüentão, extremamente liberal e aberto com seus alunos, embora seja um homem de hábitos conservadores, em sua vida privada. Oto (Janser Barreto) é um ex-aluno de Mário que se tornou seu colega de magistério. Ludmila (Stella Rabello), a esposa de Oto, é uma moça de formação intelectual sólida e dotada de extrema segurança para a sua idade. Sara (Kátia Sassen), irmã de Ludmila, é uma amiga e confidente de Vera, que se vê na incômoda posição de dividir sua lealdade entre as duas rivais, empenhadas numa luta de vida e morte, pelo seu homem.

A trama desnuda os desentendimentos de um casal já maduro, a redescoberta de um amor juvenil por um homem de meia idade e o estupor de uma mulher que se achava imune às vulgaridades da existência . Tudo muito banal, quase ridículo, uma trivial história de amor, tratada com a fina ironia e o humor inteligente de Millôr Fernandes.

Um dos espetáculos de maior sucesso do teatro nacional, agora completando oito anos e meio de cartaz, “É” já se tornou um clássico da dramartugia brasileira. A peça teve sua estréia em 1977 pela companhia de Fernanda Montenegro e Fernando Torres, e ficou quatro anos em cartaz.

Em 1996, Elizabeth Savalla & Átilla, sob a supervisão do autor, montaram uma nova versão do espetáculo, que já se apresentou em mais de cem cidades de todos os estados brasileiros, além de ter cumprido oito meses na cidade do Rio de Janeiro e dez meses na cidade de São Paulo.

De março a junho do corrente ano, o espetáculo realiza sua terceira turnê pelo país e encerrará sua carreira com uma temporada de quatro semanas em Portugal, no próximo mês de agosto. Esta é a quarta produção da Companhia Savalla & Áttila constituída em 1987 e desde então em cartaz com Lua Nua (dezembro 87 a novembro de 90), Ações Ordinárias (março de 91 a fevereiro de 93) e Mimi (junho de 93 a dez 95), cada uma delas com temporada média de três anos, e apresentadas em circuito nacional. Maiores informações sobre o espetáculo deste final de semana: 624-2200, 624-1866, 624-0046.

SERVIÇO

O QUE: “É”, comédia de Millôr Fernandes, com elenco comandado por Elizabeth Savalla

ONDE : Teatro da UFMT

QUANDO: sexta e sábado às 21h , domingo 20h

QUANTO: Inteira, R$ 25,00 – estudante paga meia

“É !... Feminismo é pra mulheres muito especiais”

( Trechos do primeiro ato da peça de Millôr Fernandes)



ATO I

CENA I: PRENDAS-DO-LAR

(Vera e Sara estão sentadas em grandes poltronas. Conversam. Vera levanta, vem até um móvel à direita, serve um copo d’água e com ele na mão vem até o proscênio. Olha o público no olho e diz, com suspiro, como quem aceita tudo sem poder explicar)

VERA: É!... (Volta a sentar, diz sem transição...) de vez em quando eu me pergunto o que é que eu tenho com isto. Não que seja contra. Mas feminismo é pra mulheres muito especiais, eu acho.

SARA: (Afirmando) Você também acha que o destino da mulher é biológico.

VERA: O meu, pelo menos. Não tenho de que me queixar. Menstruações corretas durante toda a vida, desejos monogâmicos toda a vida, três vezes gravidez, dois partos serenos, sem dor – quase sem dor. Sou contra cesariana. Meu destino é biológico. Que posição posso tomar com um par de seios senão uma posição decididamente feminina? As amazonas, para poderem atirar melhor de arco e enfrentar os homens, cortavam um seio.

SARA: Você está chamando as feministas de sapatão. Que minha irmã não te ouça.

VERA: Longe de mim. Mas feminismo é em inglês. Na tradução não dá certo.

SARA: Não em nossa classe. Os jornais estão aí mesmo, a televisão, os livros, as conversas, as viagens, as mais jovens fazendo pressão...

VERA: Que idade você tem mesmo? Responde como se eu não soubesse.

SARA: Vinte e oito.

VERA: Põe mais metade nisso e você verá toda uma diferença. Não é comigo! Que libertação eu quero? Toda minha vida fui cercada de homens e me dei muito bem. Minha mãe morreu moça. Fiquei só com meu pai e dois irmãos. Aos vinte anos meu pai me passou pro meu marido. Tive dois filhos homens. Meu pai me deu proteção e sustento. Meu marido, sustento e fidelidade. Os dois filhos me dão carinho e me prestam obediência. Estou, agora, no primeiro neto.

SARA: Você vê. Eu, aos vinte e oito anos, ainda estou me decidindo se vou ser mãe ou não.

VERA: Casando ou sem casar?

SARA: Casando ou sem casar, importa?

VERA: Ter um filho sozinha, não é mais difícil?

SARA: Teu marido te ajudou a ter o filho?

VERA: Me deu dinheiro, médicos, babá. O sistema era a meu favor, eu reconheço. Admito que para as babás é mais difícil porque os filhos das babás não têm babás.

SARA: Eu só terei um filho casada se a afinidade for total: O filho será nosso – meu e dele – responsabilidade dividida, prazer dividido. Senão, pra que casar?

VERA: Mesmo ele pensando totalmente igual, você não vê a possibilidade dele ter mais responsabilidade e você mais carinho ou vice-versa? E se você for mãe solteira, onde vai deixar seu filho, em nosso mundo sem creches?

SARA: Não sei. É problema posterior. Os filhos crescem. Os filhos sempre cresceram. Meu problema é ter ou não ter – se não tiver talvez me arrependa, se tiver estarei presa a ele a vida inteira. Se resolver ter talvez não seja importante pra mim saber quem é o pai mas não sei se posso negar ao filho a identidade desse pai. Mas, como diz minha irmã Ludmila, que não tem os meus problemas, identificar o pai de nosso filho obriga a um longo período de fidelidade a um homem; lamentável!

VERA: As mulheres de minha geração não tinham tanto problema. Arranjavam um marido e o resto estava resolvido.

SARA: Estamos num período de transição, eis tudo.

VERA: Transição que os homens não têm. Eles sempre saberão quem é a mãe de seus filhos.

VERA: Mas nunca terão a certeza de que são os pais. Tudo dá na mesma.





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