Domingo, 26 de outubro de 2014 Edição nº 13767 07/12/2013  










REGINALDO GONÇALVESAnterior | Índice | Próxima

Contabilidade criativa

O recente aumento no preço dos combustíveis - gasolina 4% e diesel 8% - não demonstrou, perante o mercado, qualquer segurança com relação à recuperabilidade de lucro e melhoria do endividamento. Isso porque o represamento dos ajustes acabou por criar um passivo significativo que, para que haja uma recuperação, necessita agora de uma política de austeridade aliada a formas de aumento para que não acabe financiando o combustível para o mercado doméstico enquanto o produto importado sai mais caro que o repasse.

As discussões entre Dilma Rousseff e a presidente da Petrobrás, Maria das Graças Foster, quanto a um mecanismo de gatilho não saíram da conversa. Embora exista algo sendo alinhavado, a total falta de transparência gera insegurança. O receio é que a empresa continuará sendo uma estratégia política de contenção da inflação em patamares que não extrapolem, no ano, o índice de 6,5% quando, inicialmente, a meta central estabelecida era de 4,5%.

A necessidade de aplicações da Petrobrás e a obrigação de participar dos leilões do pré-sal estão minando seus investimentos e fazendo com que haja a busca por recursos por meio da venda de ativos no Exterior. Esse quadro indica que a desimobilização e a redução dos investimentos poderão afetar, futuramente, o caixa na busca de estratégias que poderiam vir a auxiliar a empresa na procura de alternativas para maximizar outras formas de captação de recursos.

Na tentativa de fechar a meta, este ano, o governo poderá gerar, para 2014, uma significativa e preocupante insegurança, além de um aumento gradual da inflação. O panorama atual aponta para uma situação deficitária na balança comercial, falta de investimentos em infraestrutura para minimizar as significativas perdas no parque fabril em relação à competitividade e, ainda, sinaliza para a insegurança política gerada pela não remota possibilidade do uso da Contabilidade Criativa para forçar a redução dos indicadores econômicos.

Fazer política somente com aumento da taxa Selic poderá ocasionar maiores problemas financeiros e redução gradual do consumo. Isso, indiscutivelmente, prejudicará as empresas, em geral, além de assinalar para a real - e temida - possibilidade de redução do nível de empregabilidade, devido a um PIB bastante modesto.

O ano de 2013 ainda não terminou, mas o que se observa é que alcançar determinadas metas é, praticamente, inatingível. O superávit primário poderá ficar cada vez mais distante devido ao aumento da taxa de juros e há, ainda, outro fator que é o empobrecimento das indústrias. Entretanto, o governo precisa vislumbrar recursos para Copa do Mundo de Futebol e para as eleições, mantendo um patamar de arrecadação que, embora desonerado para alguns segmentos, vem apresentando aumento real.

Para fazer ajustes e atingir metas fictícias, o governo não pode utilizar as estatais, e, portanto, recorre a outras alternativas com receio da poderosa e pragmática pressão política. O próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, deixou o chapéu cair quando falou em cancelar uma alternativa tirada da cartola para ajustar as contas públicas. Reconheceu que isso poderia vir a ser criticado pelos economistas como uma nova manobra da Contabilidade Criativa, pois o empréstimo da Caixa para a Eletrobrás flexibilizaria a necessidade do Tesouro de colocar recursos necessários na estatal por conta de obrigações assumidas. Desse modo, o empréstimo da Caixa cairia como uma luva para efetuar tais pagamentos na CDE - Conta de Desenvolvimento Energético.

As manobras do governo têm recebido inúmeras críticas e, portanto, há a necessidade e urgência de mudar a postura. Para colocar o trem nos trilhos é preciso cortar gastos e fechar estatais, que significam um peso enorme para a população que, involuntariamente, financia operações que não geram resultados para melhoria da própria qualidade de vida. Precisa haver uma reestruturação de custos com incentivo à produção e acabar, definitivamente, com a irresponsabilidade no uso dos recursos públicos.



* REGINALDO GONÇALVES é coordenador do curso de Ciências Contábeis da Faculdade Santa Marcelina - Fasm



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