Terça feira, 21 de outubro de 2014 Edição nº 13738 30/10/2013  










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Futuro

Apesar do meu apelo em recente artigo implorando que o governo conjugasse o verbo sempre no presente quando dos anúncios das suas iniciativas administrativas, o resultado foi o mesmo de uma conversa que entra por um ouvido e sai pelo outro.

A recém-criada Empresa Cuiabana de Saúde (ECS) prometeu colocar em funcionamento, daqui a quatro meses, o “novo” Hospital das Clínicas, que funcionará no antigo prédio que já foi Hospital Neurológico Eggas Muniz, Hospital das Clínicas, da Criança, da Mulher e, no ano passado, Hospital de Transplantes.

Diz o município que a “nova” unidade hospitalar terá duzentos e cinquenta leitos e será a maior do Estado.

Até agora ninguém conhece o projeto arquitetônico que será executado, pois a velha estrutura do hospital deverá passar por uma verdadeira cirurgia plástica para se adequar aos padrões atuais de funcionalidade.

Os recursos financeiros da obra também não foram divulgados. Apenas a notícia de sempre: “O Ministério da Saúde está interessadíssimo na viabilização desse projeto”.

Promete ajudar, liberando, imediatamente, recursos para iniciação e conclusão do hospital no prazo previsto.

Todos sabem que o orçamento deste ano já era. Foi todo comprometido e, na melhor das hipóteses, os primeiros recursos, se aparecerem por aqui, serão no próximo ano, após a quarentena da contenção de despesas adotadas pelos governos nos três níveis.

Com esse rápido e lógico raciocínio já se passaram os cento e vinte dias prometidos para a sua inauguração, acrescentando mais uma frustração na nossa população e um tremendo desgaste político aos gestores.

Não nos esqueçamos do longo caminho burocrático enfrentado por uma obra pública.

Licitação, cujo edital é executado após trinta dias da sua publicação. Aprovação do vencedor, mais uns dias para receber e julgar as inevitáveis impugnações.

Proclamado o vencedor, mais alguns dias para a assinatura do contrato, que deverá respeitar a lei da Responsabilidade Fiscal, que diz que uma obra pública só poderá ser lançada se os recursos totais para a construção estiverem assegurados, com indicação das respectivas fontes.

Então, é dada a ordem de serviço ao vencedor. Quem irá trazer esses misteriosos recursos ainda não identificados, será a ECS.

Recentemente tivemos uma grande decepção com o anúncio do início das obras do novo Hospital Universitário Júlio Muller, às margens da rodovia para Santo Antônio de Leverger, em lugar de grande visibilidade, com capacidade para duzentos e cinquenta leitos e inauguração programada para o mês de dezembro, cujo ano não foi dito.

Seria uma grande contribuição na área hospitalar para os jogos da Copa.

O custo do hospital ficaria em cento e vinte milhões de reais. O governo do Estado se comprometeu a dar metade, e o outro tanto viria de emendas parlamentares.

As emendas não foram liberadas, o governo do Estado não toca mais no assunto e ninguém viu o tal projeto, que até hoje não tem um tijolo no chão do cerrado.

O Ministério da Educação colocaria para captar recursos e administrar o abortado hospital, a sua recém-criada Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (EBSERH).

Situação semelhante à nossa ECS.

De certo, o que existe desse novo empreendimento público municipal é o aluguel do antigo hospital, que será totalmente adequado por cento e trinta mil reais por mês e, oitenta por cento do Ministério da Saúde para ajudar nas despesas de custeio, orçadas aleatoriamente em seis milhões de reais por mês.

O Ministério da Saúde prometeu que repassaria apenas doze milhões de reais para o início das obras, sem data marcada.

Prometer para a população sofrida de Cuiabá a construção de um hospital sabendo que ele não será entregue no prazo previsto, só serve para dar desgaste ao esforçado e pobre governo municipal.

Tá bom. Vou acreditar e torcer para que eu esteja errado.

E a construção do nosso novo Pronto Socorro Municipal, hein?



*GABRIEL NOVIS NEVES é médico e ex-reitor da UFMT



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