Quarta feira, 13 de dezembro de 2017 Edição nº 13678 18/08/2013  










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TRABALHANDO AS EMOÇÕES

Ninguém pode ser livre e feliz se for prisioneiro de si mesmo.
Quem é encarcerado por barras de ferro pode ainda ser livre para pensar e sentir


ANTÔNIO PADILHA DE CARVALHO*
Especial para o Diário de Cuiabá

Do excelente livro “Superando o Cárcere da Emoção” do psiquiatra e pesquisador da psicologia Augusto Cury, trouxemos alguns posicionamentos que certamente farão o leitor reflexionar sobre atos e fatos que comumente acontecem conosco no dia-a-dia.

O ser humano sempre procurou a liberdade. A liberdade está no cerne das aspirações humanas. Através dela, podemos criar, pesquisar, construir, conhecer novos ambientes, expressar idéias, gerenciar os pensamentos e administrar sentimentos. A liberdade é a coroa do prazer de viver e o alicerce da personalidade saudável.

Você pode seu um rei sem trono desde que tenha a coroa da liberdade.

Apesar da liberdade ser vital para o homem, ele sempre foi vítima de algum tipo de prisão.

Qual é a maior prisão do mundo? - Sem sombra de dúvida é aquela que algema a alma, que controla a inteligência.

O pior cárcere humano é o cárcere da emoção. O mundo moderno virou uma fábrica de pessoas estressadas. O pior doente é aquele que represa suas emoções e tem medo de admitir suas fragilidades, fracassos e momentos de insegurança.

A maioria das pessoas nem sequer sabe que precisa proteger suas emoções. Elas fazem seguro da casa, do carro, colocam grades nas janelas, mas não têm nenhuma proteção no mais importante e delicado território, o território da emoção.

O ser humano tem sido o pior carrasco de si mesmo.

Nunca devemos desistir da vida nem pensar em deixar de caminhar. Por mais tropeços que tenhamos pelo caminho, podemos transpor o caos da emoção e superar nossas angústias... Viver é uma aventura, e saber viver é uma arte.

O uso contínuo das drogas pode queimar etapas de vida de um jovem, fazendo com que ele “envelheça” no único lugar onde não é permitido envelhecer, no território da emoção. Infelizmente, a dependência de drogas tem gerado velhos no corpo de jovens.

A idade emocional freqüentemente é mais velha do que a idade biológica.

Quando uma pessoa vive estressada, ela pode registrar experiências na sua memória que contraem seu encanto pela vida e reduzem seu prazer de viver.

Ninguém pode ser livre e feliz se for prisioneiro de si mesmo. Quem é encarcerado por barras de ferro pode ainda ser livre para pensar e sentir.

Os escravos do passado eram mais livres do que os que estão sob o jugo do cárcere da emoção. Quando uma pessoa supera sua depressão, ansiedade ou síndrome do pânico, fica mais inteligente e experiente.

O ser humano moderno está freqüentemente doente em diversas áreas da personalidade. Não vive cada manhã como um novo espetáculo nem contempla o prazer nos pequenos eventos da vida. Entulha de lixo sua memória e adquire uma série de conflitos em sua personalidade. O que você pensa determina o que você sente.

Aqueles cuja emoção gravita em torno dos efeitos das drogas são prisioneiros e infelizes.

Por que milhares de jovens, no início de sua história com drogas, hasteiam a bandeira do prazer, mas, quando se instala a dependência, desejam, ainda que por momentos, o fim da vida? - Raramente uma pessoa que mergulha no cárcere da dependência não pensa em suicídio.

A vida humana, não suporta ser aprisionada. A liberdade é um embrião que habita na alma humana e não pode morrer.

O importante não é buscar desesperadamente o sucesso, mas aprender a viver desprendido da necessidade compulsiva de ter sucesso.

Precisamos ser especial por dentro, ainda que simples por fora.

Muitos usuários, após ficar dependentes, usam as drogas como tranqüilizantes e antidepressivos, ainda que elas sejam ineficazes. Quanto mais se envolvem nesse círculo vicioso, mais se deprimem. Quanto mais fogem da solidão, mais solitários ficam. Quanto mais fogem da ansiedade, mais se tornam parceiros da irritabilidade e da intolerância.



Nos capítulos iniciais de sua relação com as drogas, vivem a vida como se ela fosse uma primavera incansavelmente bela, mas nos capítulos finais perdem todas as flores que financiam o encanto da existência, e transformam-na num inverno inesgotável. Nas primeiras doses sentem-se imortais, zombam do mundo e o acham careta, mas com o passar do tempo matam-se um pouco a cada dia.

Definitivamente, usar drogas é um desrespeito à própria inteligência.

A sabedoria de um ser humano não está em não errar e não passar por sofrimentos, mas no destino que ele dá aos seus erros e sofrimentos.

Os dependentes de drogas não deveriam se punir e mergulhar numa esfera de sentimentos de culpa, não importa a extensão de sua doença e a freqüência de suas recaídas. Ao contrário, devem assumir com coragem e desafio suas misérias e usá-las como fertilizante para enriquecer sua história. Nisso consiste a sabedoria. Os que passam pelo caos e o superam ficam mais bonitos por dentro.

As pessoas que passam pela depressão, síndrome do pânico, dependência de drogas, e os vencem, tornam-se poetas da vida. Conquistam experiência, solidariedade e sabedoria.

A vida é um espetáculo tão grande que a Ciência não consegue descrevê-la.

A Psiquiatria e a Psicologia tratam das doenças psíquicas, mas não sabem como fazer os seres humanos serem alegres. Não podemos devolver-lhes o prazer de viver e o sentido da vida.

Se os Psiquiatras e Psicólogos soubessem o caminho da felicidade, seriam as pessoas mais felizes da Terra, mas, infelizmente, não são poucos os que entre eles também têm humor basal triste e desenvolvem depressão.

Tenho visto claramente que a busca por Deus, independentemente de uma religião, se feita com consciência, pode trazer saúde e tranqüilidade no território da emoção.

Jesus Cristo cresceu num ambiente agressivo e estressante. Ele tinha todos os motivos para ter depressão e ansiedade, mas, para nossa surpresa, era saturado de alegria e segurança. Mesmo no ápice de sua dor, ele conseguia fazer brilhar sua inteligência.

Um dos maiores inimigos do ser humano é sua baixa auto-estima.

O ser humano que despreza sua vida e a enxerga como uma lata de lixo, jamais terá condições de romper o cárcere da sua doença.

O importante é não desistir nunca, jamais abandonar a si mesmo. É possível recomeçar sempre, retomar as forças e abrir as janelas da mente para uma nova vida.

Por causa do cárcere das drogas, milhões de jovens estão prejudicando e até destruindo drasticamente sua personalidade, seu desempenho intelectual e, conseqüentemente, o futuro de seu próprio país. É preciso recursos e treinamentos para aumentar os índices de eficiência.

Se há uma área abandonada pela sociedade e pelo Estado é a da farmacodependência. As entidades que cuidam do tratamento ambulatorial e da internação desses pacientes precisam de apoio. Os que trabalham nessas entidades são verdadeiros heróis. Dão o melhor de si e do seu tempo para ajudar seus semelhantes e, às vezes, sem remuneração alguma ou com baixa remuneração. Doam-se como poetas anônimos.

Irrigar um usuário de drogas com esperança e estimulá-lo a continuar lutando contra a dependência, mesmo após as recaídas, é fundamental para ajudá-lo a vencer os grilhões do prisão interior. O grande problema não é a recaída, mas o que se faz com ela.

Nenhum tratamento pode ser coroado de sucesso se os pacientes não enriquecerem sua história emocional e fortalecerem sua capacidade de administrar seus pensamentos.

Muitos prometem que nunca mais irão usar drogas. Uns dizem: “pelos meus filhos, eu nunca mas vou usar drogas”. Outros, tomando as lágrimas como seu endosso, proclamam: “Drogas não fazem mais parte de minha vida”. Todos são sinceros nessas afirmações? – Sim. Mas por que não as sustentam? – Porque não conhecem o funcionamento da mente, não compreendem a sinuosidade da construção do pensamento, não sabem que nos focos de tensão suas inteligências são travadas e tornam-se impossibilitados de raciocinar com liberdade.

Os usuários de drogas são os que mais fazem promessas no mundo e os que menos cumprem suas promessas, perdendo apenas para alguns políticos.



Não é preciso usar drogas para saber seu efeito; Se alguém insiste em usá-las, procure a opinião daqueles que querem se libertar delas.

Infelizmente, muitos acabam tendo a experiência do uso de drogas, apesar de toda a advertência. E, o que é pior, costumam ter a experiência em momentos em que não estão preparados para tê-la, em momentos em que estão fragilizados, atravessando conflitos e crises existenciais. Nesses momentos, eles ficam mais vulneráveis a cair nos laços da pior prisão do mundo.

Você pode ser livre para ir onde quiser, mas não é livre para decidir o que quer registrar na sua memória. Se viveu experiências ruins, elas se depositarão nos porões inconscientes da memória. Se hoje passou por uma angústia, uma situação de medo, uma crise de agressividade, tenha certeza de que tudo isso está registrado em sua memória.

Cuidar da qualidade daquilo que é registrado em nossas memórias é mais importante do que cuidar de nossas contas bancárias. Nestas, você deposita dinheiro; naquelas, você faz os depósitos que financiarão a sua riqueza emocional.

O ser humano não teria compreensão dos seus direitos se não tivesse uma história. Sem ela, ele nem mesmo produziria pensamentos ou teria consciência da sua existência. Dessa forma, o tudo e o nada, o ter e o ser seriam a mesma coisa para ele.

As crianças têm de ter infância, têm de registrar uma história de prazer, criatividade e interação. Uma criança alegre gerará um adulto com alta capacidade de prazer de viver. Uma criança rígida gerará um adulto engessado, tímido, inseguro.

Não é saudável que as crianças cresçam exclusivamente aos pés da TV, dos videogames, da internet e fazendo todos os tipos de cursos, tais como línguas e computação. A história arquivada na memória de uma criança define os pilares mestres do território da emoção e do desempenho intelectual de um adulto.

Felizmente, a emoção não segue a matemática financeira. Às vezes, temos crianças que passaram por tantas dificuldades e sofrimentos na infância, mas, por alguns mecanismos próprios, aprenderam a filtrar os estímulos estressantes do ambiente. Assim, apesar do caos da infância, elas se tornaram alegres e seguras.

Muitos jovens queimam etapas preciosas da vida. Jovens fisicamente tão novos produzem em poucos anos um filme de terror em seu inconsciente. Em poucos anos, adquirem um estoque de experiências que muitos velhos jamais terão em toda a sua jornada de vida. Isso pode ocorrer também com as pessoas que se submetem a um estresse intenso e contínuo, a uma competição profissional predatória e sem tréguas ou a portadores de determinados transtornos ansiosos e depressivos.

Eis as palavras de um usuário de drogas pesadas: -“Não suporto ver as pessoas alegres e espontâneas ao meu redor. Sinto raiva e inveja delas, pois não consigo mais ter prazer pela vida”. Sua idade biológica é de vinte e nove anos, mas emocionalmente talvez ultrapasse os cem. Todavia, apesar de estar vivendo a pior prisão do mundo, ele pode se libertar, como tantos outros, dessa prisão e voltar a ser livre nos seus pensamentos e rejuvenescer a sua capacidade de sentir prazer pela vida.

Nem tudo o que dá prazer é saudável e recomendável. O que devemos ver, o que devemos contar aos jovens, são as conseqüências físicas e psicológicas que seu uso acarreta. Imagine uma pessoa no topo de um edifício, com vontade de saltar lá de cima como se fosse uma ave, para experimentar a liberdade. Por alguns segundos ela poderá sentir algum tipo de prazer. Porém, ao término de sua curta viagem, sofrerá o impacto com o solo. Isso não é prazer, mas suicídio.

Não importa se as drogas produzem ou não prazer, se proporcionam viagens curtas ou longas, suas conseqüências, especialmente quando se constrói uma representação doentia no inconsciente, são sempre destrutivas.



Antônio Padilha de Carvalho, é advogado, geógrafo, escritor, poeta e presidente do IMPDrog – Instituto Mato-grossense de Prevenção às Drogas e colabora com o DC Ilustrado.



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