Segunda feira, 20 de janeiro de 2020 Edição nº 9607 20/05/2000  










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Nha Barbina clama por mudanças

Da Reportagem

A torcedora símbolo do Mixto, Nhá Barbina não vai mais ao estádio ver o seu time do coração jogar. O Mixto Esporte Clube, que sempre esteve presente na vida dessa senhora que em agosto completa 80 anos e que desde os dezoito elegeu o Mixto como o “melhor do Mato Grosso”, diz que “não tem mais o que ver. Tá feio demais.”

Filha do zelador do Dutrinha, Ângelo Carlos da Silva, Nhá Barbina o acompanhava ao estádio e foi tomando “gosto” pelo futebol.

Fundadora da primeira torcida organizada do Mixto, a torcida “O mais querido”, de 15 de agosto de 1975, ela conta que sua paixão pelo futebol e mais, pelo Mixto, nasceu quando, muito religiosa, foi ajudar na venda de ingressos para um jogo entre Mixto e Operário, em que a arrecadação ajudaria o padre Quirino da Catedral Metropolitana. “Vendi os ingressos e fui assistir ao jogo. Como o centro-avante, Carlos Leônidas (quem não se lembra), era jogador do Mixto e comecei a torcer para o time. No final da partida, com a vitória me apaixonei.”

Desde então começou a coordenar a torcida do time e segundo ela, “arrastava as mulheres, suas amigas, para o estádio”, coisa que na época não era bem vista, mas que “elas nem ligavam”.

O nome de batismo de Nhá Barbina, é Maria Zeferina da Silva. O apelido carinhoso, ela recebeu do sargento Zarur que comandava a torcida do arqui-adversário Operário por conta de uma personagem da novela “As pupilas do senhor Reitor, que passava na época. “Ele me apelidou de Nhá Barbina porque eu gritava demais nos jogos. Eu não parava um minuto e ele achava que eu era parecida com ela”, recorda.

Com as recordações vem a decepção de ver o alvinegro falido. Ela critica a atuação do presidente da Federação Mato-grossense de Futebol, Carlos Orione, e do presidente do Mixto Esporte Clube, Orlando Craici. “O Carlos Orione está na Federação há muito tempo e não faz nada que presta. Está a maior bagunça o futebol daqui (do estado). E o Orlando Craici, afundou o Operário de Campo Grande e veio prá cá afundar o Mixto. Não quero morrer e deixar ele no comando do meu time. Um homem que chegou a afirmar que não precisa da torcida, não merece ser presidente do meu time”, disse de forma veemente.

“Antigamente lotava o Dutrinha, depois quando construíram o Verdão, todo mundo ia para lá. Hoje não tem informação de quando vai ter jogo. As rádios e a televisão tem que avisar o torcedor. O bom de boca mesmo era o Roberto França e o Saraiva”, relembra.

Nhá Barbina conta que em 1976, o Mixto foi disputar a final do Campeonato Brasileiro no Maracanã (RJ), contra o Vasco. Ela organizou uma caravana e foi assistir o jogo. “O Mixto perdeu de 1 a 0, porque o jogador Pastoril perdeu um pênalti. O Maracanã foi o lugar mais distante que já fui ver o Mixto jogar.”

“Eu tenho saudade daquele tempo que infelizmente não volta mais. Antigamente tinha organização. Hoje, se o Carlos Orione não organizar a casa não tem mais futebol em Mato Grosso”, declarou a torcedora, que recebeu a reportagem do DIÁRIO, uniformizada.

Ela recordou de um jogo em que, depois de “tomar uma cervejinha” foi sentar, uniformizada, armada e com a devida bandeira do Mixto, na torcida do Operário. “Apanhei e a polícia viu a minha arma, segundo ela, uma pistolinha, e quase fui presa. A polícia pegou quem me bateu e eu fui sentar com a minha torcida”, recorda a passagem divertida.



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