Domingo, 28 de maio de 2017 Edição nº 13603 19/05/2013  










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Atender vítimas de violência também deixa marcas

JOANICE DE DEUS
Da Reportagem

A violência sexual contra crianças e adolescentes é uma prática que infelizmente ainda acontece em todo o Brasil. Em Cuiabá, dados da Delegacia Especializada de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente (Deddica) mostram que este tipo de crime cresceu 26,83% nos primeiros quatro meses de 2013, quando foram abertos 230 inquéritos policiais e 115 termos circunstanciados de ocorrências. No mesmo período do ano passado, foram instaurados 200 inquéritos e 72 termos circunstanciados de ocorrências.

Em Várzea Grande, a Delegacia Especializada de Defesa da Mulher, Criança e Idoso contabiliza 22 inquéritos policiais de crimes sexuais e seis por maus tratos, além de 50 verificações preliminares de violência sexual, que estão em fase de averiguação para instauração de inquérito.

Um dos casos mais recentes é a do menino de 2 anos e 8 meses, internado na unidade intensiva (UTI) de um hospital particular há 30 dias com edema cerebral, vítima de violência física. A suspeita é a própria madrasta, que foi presa na manhã da última quinta-feira. Investigações da Polícia Civil com apoio de reconstituição do fato descobriram que o menino foi agredido por Viviane Regina Marafon, 26 anos, no dia 16 de abril passado.

Casos como estes assustam e comovem aqueles que atuam no combate à violência de meninos e meninas menores de idade. "Quando se trata de violência sexual contra criança e adolescente, eu não consigo atender uma vítima sem ficar chocada. Quando isso se tornar banal para mim, acho que não poderei mais atuar na área. Então, toda e qualquer criança que você olha e verifica que houve violência sexual, que houve a violação do seu corpo, você se comove, se compadece”, relata a delegada de polícia, Daniela Silveira Maidel, da Delegacia de Várzea Grande.

Porém, a delegada afirma que ao estar frente a frente com um pedófilo não deixa de lado o profissionalismo. “Acima de tudo somos profissionais. Temos que buscar a verdade dos fatos. É claro que se trata de uma situação que exige bastante controle emocional para não se envolver emocionalmente. Mas você sabe que as marcas vão permanecer [na criança]. Por isso, ela tem que ser acompanhada e amparada. Tudo envolve uma carga emocional muito grande”, diz.

O primeiro passo é atuar de forma que a violência acabe, pois é muito comum o agressor ou abusador ser uma pessoa muito próxima da vítima. “A primeira coisa a fazer é proteger a criança”. Na delegacia, a primeira abordagem é feita por uma psicóloga. Após o acolhimento da vítima, os policiais iniciam o trabalho de investigação propriamente dito com oitivas e requisição de perícia.

O trabalho é demorado, pois geralmente, conforme Maidel, os abusadores não deixam marcas físicas. “A primeira coisa que eles [abusadores] dizem é para que seja feito um exame. A investigação, as oitivas e a perícia servem para comprovar a narrativa da criança”, explica.

Porém, 95% dos casos denunciados são verdadeiros e a família totalmente destruída. "Quando as pessoas procuram uma delegacia os policiais percebem que elas já chegam devastadas pela dor. Uma mãe quando descobre que seu filho ou filha foi abusado sexualmente fica devastada. A dor é imensa. O nosso objetivo é objetivo é tentar diminuir esta dor”, conta.



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