Sábado, 25 de outubro de 2014 Edição nº 13575 14/04/2013  










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Tema a ser debatido

O melhor trajeto rodoviário de Confresa a Matupá tem 1.850 quilômetros e cruza Barra do Garças, Cuiabá e Sinop. A distância entre as duas cidades diminui para 430 quilômetros quando feita por rodovias estaduais cruzando São José do Xingu e atravessando o rio Xingu.

Na segunda alternativa do trajeto a distância é reduzida em 1.420 quilômetros. Confresa e Matupá são meras referências, porque a primeira se situa à margem da BR-158 e a outra ao lado da BR-163 – Rodovia Cuiabá-Santarém.

O trajeto por Cuiabá tem trechos sem pavimento entre Confresa e Ribeirão Cascalheira, na BR-158, que está em obra. Atualmente tem trânsito livre, mas em breve sofrerá desvio no chamado Contorno Leste, que cruzará Bom Jesus do Araguaia, Serra Nova Dourada e Alto Boa Vista, para não atravessar a terra indígena Marãiwatsede. Com essa alteração a distância deverá aumentar em 90 quilômetros.

Na malha rodoviária do trajeto por São José do Xingu a MT-322 cruza uma distância aproximada de 80 quilômetros na divisa do Parque Indígena do Xingu sendo que parte desse trecho avança pelo corredor que separa aquela área multiétnica da reserva Capoto/Jarina - liderada pelo cacique caiapó Raoni Metuktire. Em razão disso, Raoni e outros líderes xinguanos se posicionaram contrários à pavimentação, muito embora a aprovem na mesma estrada, mas fora do entorno de suas terras.

O posicionamento das lideranças indígenas foi manifestado na sexta-feira (12), ao governador Silval Barbosa, que visitou a aldeia Piaraçu, no Xingu, cumprindo uma agenda que incluía a proposta de integração de Confresa a Matupá por asfalto como parte do programa “Mato Grosso Integrado, Sustentável e Competitivo”.

Com a decisão dos índios, a ligação de Confresa a Matupá não será totalmente pavimentada. O asfalto cobrirá um trecho de 350 quilômetros e 80 quilômetros continuarão em leito encascalhado. Além disso, o governo também não poderá construir ponte na travessia do rio Xingu, na área do parque de igual nome, nos limites de São José do Xingu (margem direita) e Peixoto de Azevedo e Marcelândia (ambos na margem esquerda e separados pela MT-322).

Tanto no Vale do Araguaia, onde se situam Confresa, São José do Xingu e Alto Boa Vista, quanto no Nortão, onde se localizam Matupá, Peixoto de Azevedo e Marcelândia existem grandes reservas indígenas intocáveis e que devem ser respeitadas por todos, indistintamente. Algumas dessas áreas são contíguas, o que dificulta a integração mato-grossense. Essa realidade merece análise isenta, que leve em conta a preservação étnica de seus ocupantes, mas que não exclua a sociedade envolvente.

Pavimentar a malha rodoviária de Confresa a Matupá não é simplesmente interligar as duas cidades por rodovia moderna. É bem mais, porque esse trajeto é de interesse nacional, uma vez que atende a logística entre o Nordeste brasileiro e oeste paraense onde se situa Santarém e, no futuro também será estratégico na ligação de Acre e Rondônia com estados nordestinos via Juína, Alta Floresta, Matupá e Confresa.



Pavimentar a malha rodoviária de Confresa a Matupá não é simplesmente interligar as duas cidades



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