Segunda feira, 22 de abril de 2019 Edição nº 13574 13/04/2013  










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Cinema no Mato Grosso

O experiente cineasta mato grossense Amaury Tangará só tem 7 meses para captar R$ 2,85 milhões e ‘salvar’ filme “Cão de Louça”, aprovado em 2010

Ariane Laura
Da Redação

Amaury Tangará é um cineasta mato grossense com vasta experiência de quem já sofreu para produzir vários filmes em solo mato-grossense e corre o mundo para defender com garra a sétima arte. É com tom de lamento que ele afirma “é impossível fazer cinema hoje em Mato Grosso”.

A angústia de Tangará é pertinente. Há três anos que seu projeto para produção do filme “Cão de Louça” foi apresentado na Agência Nacional de Cinema (Ancine) e ainda aguarda patrocínio de R$ 2,85 milhões, que pode ser captado pelas leis de incentivo federal (Audiovisual), estadual (Hermes de Abreu) e municipais, para realizar o projeto.

Ele tem apenas sete meses para captar R$ 2,85 milhões junto a empresas privadas se quiser realizar seu sonho de filmar o longa metragem. Segundo a produtora Maria de Fátima Mendes, produtora cultural da Artes Brasil Produções Artísticas, a aprovação do projeto foi pelo “artigo 1A” da lei 8.685/93 (Lei Audiovisual), dispositivo que prevê a captação obrigatória para o projeto cinematográfico em um período de quatro anos.

“Estamos no último ano para captar os recursos ou perderemos a chance de produzir o filme. Ou melhor, temos apenas sete meses, porque as empresas têm que inserir ou demonstrar o eventual patrocínio em seus balanços”, esclarece Fátima Mendes, que é companheira de Amaury Tangará, sem esconder seu desapontamento.

Ainda de acordo com ela, o valor total do projeto (R$ 3 milhões) só foi aprovado porque o cineasta mato-grossense tem uma produção invejável de curtas e longas. “Por isso, vamos buscar patrocínio e estamos abertos para conversações”, declara a produtora.

Além de cineasta, Tangará também é teatrólogo, roteirista e ator. Autor de inúmeros curtas, dentre os quais se pode destacar “Pobre É Quem Não Tem Jipe”, “A Velha, os Meninos e o Gato Que Escaparam da Estranha Caixa Azul|” e “Horizontem” e dos longas “Ao Sul de Setembro” e “A Oitava Cor do Arco Íris”. Todas as produções foram feitas com a rara dedicação de quem ainda pensa o cinema como um agente transformador, como educativo, revolucionário.

“Cão de Louça” narra, conforme consta do projeto aprovado pela Ancine, 50 anos da história política do Brasil narrada em paralelo com a história de 4 irmãs exiladas em sua própria casa, depois da grande vergonha a que foram submetidas. “Um fato verdadeiro, que ajuda a compreender a alma humana diante do surrealismo a que o jogo do poder imprime. E um cão de louça é o objeto ícone desse poder naquele universo ensandecido”, justifica a produtora no projeto.

Além do filme em si, “Cão de Louça” tem a singularidade de pretender ser um projeto que reside na preocupação de investir parte do valor da produção na formação de pelo menos 15 jovens, de diversos municípios do estado, que demonstrarem aptidão e/ou intenção de escolher o audiovisual como profissão. (Com informações OC)



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