Segunda feira, 16 de setembro de 2019 Edição nº 13550 14/03/2013  










GUSTAVO NASCIMENTOAnterior | Índice | Próxima

Todos os outros dias

Em 2011 o Brasil registrou um recorde de 351.153 divórcios, um número 45,6% maior do que o de 2010 (243.224). Segundo a informações do Registro Civil, que acompanha o dado desde 1984, a proporção vem aumentando constantemente.

Apesar disso. Eu vou me casar (esse ano, diga-se de passagem). Quando falo isso em voz alta em um ambiente, a história ganha forma e sai do quadro. Em 90% dos comentários o mesmo argumento é repetido: “Não está bom do jeito que está?”, “Como vocês vão pagar?, “Quem vão convidar?”, “Quanto vocês vão gastar?”...

Acabamos entrando na pilha e achando que apenas isso importa. Raramente alguém me pergunta se estou feliz com a decisão ou coisas do tipo. No final tudo se resume ao espetáculo. A sociedade reduziu a vida humana à aparência. As experiências passaram a ser moldadas pelos espetáculos da cultura e da mídia deixamos de ser sujeitos da nossa própria história. Ou como diria Guy Debord: “O espetáculo apresenta-se como uma enorme positividade indiscutível e inacessível. Ele nada mais diz senão que “o que aparece é bom, o que é bom aparece”. (Debord,1997,p.16-17).

A indústria transformou tudo o que podia em negócio e com os relacionamentos foi o mesmo. Datas foram criadas, comemorações foram inventadas e a essência do que realmente importa simplesmente se perdeu. Afinal, por que as pessoas decidem viver juntas para sempre?

Não sabemos mais. Não vale mais a pena. O que outrora era motivo de comemoração virou apenas mais status social. Festa, vestido, alianças, presentes, padrinhos, comida e por aí diante. E o que vale é quanto custa! É assim que aprendemos a quantificar tudo.

Olhando assim fica fácil entender o número de divórcios. Os mega eventos são tão mais importantes que os dias normais que quando chega no dia-a-da, a monotonia da relação parece extinguir com o amor dos casais.

A minha pesquisa sobre o assunto continuou. Descobri que apesar do número vertiginoso de separações o volume de oficializações ainda é três vezes superior. Mas, por que?

Uma grande amiga me disse certa vez que em qualquer relação há três tipos de momentos inesquecíveis. Os que são bons demais e por isso guardamos com carinho. Os que são ruins ao extremo e não conseguimos esquecer e todos os outros dias. Fiquei surpreso quando ela olhou para mim e disse: “O que sempre faz o amor acabar são todos os outros dias”.

Bem, nesse mesmo dia descobri que vou ter momentos ótimos e péssimos momentos com a minha nega. Mas, entendi que o que eu mais quero é passar todos os outros dias com ela. Pensando nisso volto a importância da essência e vejo que esqueci algo importante. O pedido.

Então lá vai: “Nega (Day), quer casar comigo?”



GUSTAVO NASCIMENTO é repórter



Anterior | Índice | Próxima

Comentários Deixe aqui sua opinião sobre esse assunto

· Amei sua originalidade Gustavo!!!! Felic  - Silbene Monteiro
· JÁ HAVIA FALADO P VCS QUE O QUE IMPORTA   - KELLY CRISTINA VEIGA DA SILVA
· Gus querido, que coisa linda! Eu e Leand  - Renata Serpa
· Meu bem, vc é lindo e sabe realmente me   - Day (Nega)
· DEUS,CERTAMENTE SURPREENDERIA AGUEM TAO   - ARYADNE
· Texto bom, ousado e corajoso. Não é a co  - Gustavo de Lima
· Tomara que sua Nega Day responda aqui pr  - Marcia




17:45 Seis em cada dez internautas fizeram compras no último ano
17:37
16:53 Novos horizontes na aviação brasileira
16:53 A mulher bonita da janela alegre
16:52 Resistência à CPMF


16:52 Saúde: um direito ainda utópico
16:51 Nietzsche ganha verniz pop em nova biografia, que o apresenta como misógino
16:51
16:50 Órfãos da Terra: capítulos da última semana não serão antecipados no Globoplay
16:50 Dramaturgia em diálogo com a psicanálise
Cuiabá
Min: 18°
Max: 36°

TOPO | PRIMEIRA PÁGINA | ÚLTIMAS NOTÍCIAS | POLÍTICA | ECONOMIA | CIDADES | POLÍCIA | ESPORTES
BRASIL | MUNDO | DC ILUSTRADO | CUIABÁ URGENTE | EDITORIAIS | ARTIGOS | AZUL | TEVÊ | E-MAIL
Diário de Cuiabá © 2018