Terça feira, 17 de setembro de 2019 Edição nº 13394 24/08/2012  










RENATO DE PAIVA PEREIRAAnterior | Índice | Próxima

O pastor que ouviu a galinha

Há pelo menos dois episódios na Bíblia que mostram animais falando com os humanos. O primeiro e mais conhecido é a cobra convencendo Eva a comer o fruto da ciência do bem e do mal. Esse fato ocorreu há mais ou menos 6 mil anos, a crer na contagem do tempo defendida pelos cristãos.

O segundo aconteceu uns mil anos depois. A mula de Balaão, profeta de Deus, foi utilizada para avisar seu dono dos perigos que estava correndo desobedecendo as ordens divinas. Açoitada sem dó pelo mensageiro de Deus, retrucou revoltada: “Porque tá fazendo isso, cara? Não vê que estou lhe salvando a vida?” a linguagem não foi bem essa, principalmente porque ela não tinha intimidade para falar com o profeta nesse tom.

Muito depois, já há cerca de 2 mil anos, um galo avisou o apóstolo Pedro que ele já havia negado o Mestre por 3 vezes. A diferença dos outros dois fatos é que o galo simplesmente cantou, o que é do seu ofício e gosto.

Passado tanto tempo parece que ninguém esperava mais que Deus usasse os animais para mandar recados aos humanos. Eis que aqui no centro geodésico da América Latina, em pleno século XXI, um pastor evangélico teve o privilégio de ser escolhido para receber a mensagem através de uma galinha.

Pois é isso que leio em um jornal local. O dito pastor, candidato a vice-prefeito da capital, mantém uma página eletrônica para venda de produtos religiosos, do tipo “compre djá”, onde relata esse fenômeno. Afirma ainda que como a galinha “falava em línguas”, um galo fazia a tradução instantânea.

Conta ainda o político/pastor que foi curado de 7 cânceres, sendo um deles na bigórnia, que não sei onde fica, mas deve ser ignorância minha. Informa também que agora opera milagres, tais como criar dentes de ouro na boca dos fiéis e que conseguiu a proeza de fazer um anão crescer.

Há tempo tenho defendido uma forma legal de livrar o povo dos danos que esse tipo de procedimento causa. Mas sei que é uma tarefa muito difícil interferir na seara das regiões, onde as pessoas que frequentam os templos vão ali por sua livre vontade e acabam acreditando nos supostos milagres.

Não me preocuparia de escrever sobre esse assunto não fosse a decisão do pastor curandeiro de candidatar-se ao cargo de vice-prefeito. Seria constrangedor pra nossa cidade que começa a cultivar a modernidade, eleger um vice-prefeito que acredita e apregoa tais absurdos.

Como estamos falando de política e região é bom lembrar que quando o PT foi fundado os evangélicos não chegavam a 10% da população brasileira. Ambos, PT e crentes, cresceram muito nesses últimos 25 anos e transformaram-se também. Um, o PT, ganhou o poder político e desvirtuou-se. Assimilou com gosto o que condenava nos adversários. Os outros, os evangélicos, mais que dobraram a participação percentual na população. Não fizeram isso impunemente. Perderam a pureza que apregoavam ter. Incorporaram rapidamente os vícios daqueles que combatiam.

Temos o STF para julgar a ganância dos petistas como está fazendo agora com o “mensalão’, mas quem livrará a população dos que transformam dente em ouro e ouvem mensagens de galinhas interpretadas por galos em tradução instantânea?



*RENATO DE PAIVA PEREIRA – empresário em Cuiabá

renato2p@terra.com.br



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· Prezado Renato, Meu nome é Eduardo, sou  - Eduardo Antonio de Faria
· caro amigo, caso voce nao creia no poder  - claudinei




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