Suspensão altera ânimos de políticos
Presidente da Assembleia Legislativa, José Riva “liderou” críticas contra a decisão da Justiça Federal. Taques é acusado de envolvimento na liminar
Mário Friedlander/ALMT
 |
| | Riva disse que há uma “verdadeira guerra de egos, onde um quer aparecer mais que o outro” |
|
HELSON FRANÇA
Da Reportagem
A decisão da Justiça Federal de suspender o contrato firmado entre governo e o consórcio responsável pela construção do Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) na Grande Cuiabá acirrou os ânimos no meio político, principalmente entre aqueles tidos como decisivos para a escolha do modal, como o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, deputado José Riva (PSD).
Quando o governador Silval Barbosa (PMDB) dava sinais de que optaria pelo BRT em detrimento ao VLT, Riva liderou um grupo de políticos que pressionou o chefe do Executivo a retroceder e decidir pelo VLT – como de fato aconteceu.
Para o deputado, a suspensão trará prejuízos para o Estado, pois atrapalha o andamento das obras para o Mundial. Riva teceu duras críticas à decisão, considerando-a “absurda, resultado de uma visão caolha de quem afirma que as cidades não comportam obras deste porte”, afirmou durante sua fala na sessão de ontem à noite na AL.
Para o deputado, está acontecendo uma “verdadeira guerra de egos, onde um quer aparecer mais que o outro”, disse, se referindo aos membros dos ministérios públicos Estadual e Federal, além do poder Judiciário. Riva ainda “convocou” os promotores e procuradores a fazerem uma devassa na Secopa, mas que não atrapalhassem o prosseguimento das obras para a Copa.
O discurso do presidente da Assembleia Legislativa foi endossado pelo deputado estadual Carlos Avalone (PSDB), que, além de criticar a decisão da Justiça, insinuou que o senador Pedro Taques (PDT) tivesse alguma relação com a suspensão do VLT.
“O senador Pedro Taques afirmou no Congresso que as obras para a Copa não poderiam ser executadas pelo RDC [Regime Diferenciado de Contratação]. Por ter sido procurador da República, ele também pode estar exercendo alguma influência entre os promotores”.
Procurado pela reportagem, o senador respondeu, por meio de sua assessoria, que não viu, ouviu ou tomou conhecimento das declarações de Avalone, mas que considera inacreditável que um deputado estadual, eleito pelo povo, menospreze a independência do MP.
Já o senador Blairo Maggi (PR), num primeiro momento, considerou a sentença lamentável, por acreditar que, de uma forma ou de outra, trará prejuízos à realização das obras para o Mundial, sobretudo na área de mobilidade urbana – por ser o setor onde se verificam os maiores atrasos. Maggi ressaltou, porém, que irá se manifestar de forma mais precisa somente depois de avaliar com calma o teor da decisão, até porque preside a Comissão Permanente de Fiscalização e Acompanhamentos das Obras para a Copa de 2014.
Na tarde de ontem, o juiz-substituto da 1ª Vara Federal, Marllon de Sousa, aceitou um pedido liminar (provisório e urgente) formulado em conjunto pelos ministérios públicos Estadual e Federal e determinou a suspensão da construção do VLT, bem como o repasse de recursos do BNDES para o Estado. O juiz estipulou uma multa de R$ 30 mil ao dia em caso de descumprimento.
No pedido liminar, os MPs apontam irregularidades como o valor excessivamente alto do empreendimento (orçado em R$ 1,4 bilhão), desencontro de informações sobre preço da tarifa e tempo hábil para se concretizar a obra, além de vícios no processo de licitação.
|