Sábado, 18 de maio de 2013 Edição nº 13279 08/04/2012  










300 ANOSAnterior | Índice | Próxima

Analistas são temerosos com o futuro

Na visão deles, a Capital terá que fazer profundas mudanças para alcançar bons resultados na gestão daqui a oito anos


João Edisom questiona a falta de indústria para os produtos locais
ALLINE MARQUES
Da Reportagem

Cuiabá completa hoje 293 anos. Já imaginou o que será dela com 300 anos? Alguns analistas políticos fizeram uma avaliação nada otimista. Uma delas é a de que, prestes a completar três séculos de existência, Cuiabá sequer possui identidade econômica, mesmo sendo a capital do ‘Estado do agronegócio’. João Edisom de Souza, analista político e professor da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), ressalta que este será o maior desafio do próximo prefeito.

“Hoje, as pessoas passam por Cuiabá para ir a Chapada dos Guimarães, Nobres e Pantanal, mas não vêm aqui pelo que a cidade oferece. Quando você vai para São Paulo, por exemplo, logo se pensa em fazer compras, quando você vai para Goiânia ou Belo Horizonte, as pessoas já avisam para comprar roupas porque é muito mais barato e um passeio vira motivo de compra. E em Cuiabá, o que poderíamos recomendar?”.

Cuiabá precisaria trabalhar rápido para conseguir, até a Copa do Mundo de 2014, criar esta referência, por isto o próximo prefeito terá de trabalhar na questão econômica: “não basta conceder incentivos, é preciso dar o benefícios para empresas que realmente darão retorno para Cuiabá. Precisa haver uma cobrança da prefeitura para que esta empresa produza muito mais barato do que em outros lugares e com isso construa uma identidade econômica”.

De acordo com João Edisom, mesmo Mato Grosso sendo o Estado do agronegócio, Cuiabá ficou esquecida não apenas pelos prefeitos, que não possuem visão empreendedora, mas também pelo governo do Estado. “Temos aqui uma grande produção de cana-de-açúcar e ainda assim temos um dos etanóis mais caros do país. Temos o maior rebanho do país, por que não temos aqui na Capital uma indústria de calçados?”.

João Edisom acredita ser possível dar uma identidade a Cuiabá e destaca que construir uma indústria de calçados, por exemplo, leva seis meses. O professor destaca também que os prefeitos que passaram pelo Palácio Alencastro trabalham em prol de suas próprias empresas e deixam o cargo como grandes empresários, mas não como grandes gestores. “Dos que estão aí para a disputa, nenhum tem visão de nada”, avalia, dando ainda menos esperança de grandes mudanças. A começar pela Câmara de Cuiabá. “As pessoas falam mal da Câmara, mas não dos vereadores, por isso cerca de 60% a 70% dos que estão lá devem ser reeleitos, caso o gestor não dê um novo rumo para a Capital”.

O médico Gabriel Novis Neves, fundador da UFMT e articulista, também não é nem um pouco otimista com a política de Cuiabá para os próximos anos. Bastante crítico, ele adianta que “o próximo prefeito encontrará a cidade na UTI, em estado terminal, e terá de ser um bom médico para conseguir terminar o mandato com Cuiabá respirando sem ajuda de aparelhos, pelo menos”. Só que ele avisa que o gestor terá de se indispor com o sistema, a risco de sofrer impeachment. “Ninguém gosta de ser desmamado e o prefeito, para sair deste sistema, terá de pagar preço alto, pois irá ferir interesses”.

“Primeiro, a mudança tem de ser cultural e isso leva séculos. Enquanto continuarmos com a política do ‘toma-lá, dá-cá’, não vamos a lugar algum. A Câmara de Cuiabá virou um balcão de negócios. Qualquer um lá é farinha do mesmo saco. Cuiabá precisa de muita coisa, mas não tem como se autoadministrar porque não tem dinheiro. O custo da prefeitura é muito alto, maior que a arrecadação. Agora, por que será que o governo é refém da Assembleia, assim como a prefeitura é da Câmara? Não sou contra a democracia, mas, sim, este modelo”.



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