Domingo, 18 de agosto de 2019 Edição nº 13087 16/08/2011  










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Sensualidade brejeira

Euterpe cativou a plateia com sua voz afinada e bem colocada, e seus movimentos sensuais, mostrando-se uma artista talentosa

Martha Baptista
Da Reportagem

Guardem bem este nome: Euterpe. Aos 26 anos, essa roraimense foi senhora absoluta do palco do Teatro do Sesc Arsenal no domingo, quando se apresentou em Cuiabá, dentro da programação de 2011 do projeto Sesc Amazônia das Artes – rede de intercâmbio e difusão na Amazônia Legal.

É uma pena que poucas pessoas tenham apostado no novo e aceitado o convite (com entrada franca) para assistir a um espetáculo com músicos de Roraima – aquele estado cravado bem lá na pontinha norte do país, tendo por limites Venezuela, Guiana, Pará e Amazonas.

Quem foi se rendeu aos encantos de Euterpe, à força de sua banda (formada pelos músicos Franklin Lima na bateria, Hendds Williams na guitarra e Leocádio Rodrigues no contrabaixo, todos de Roraima) e aos versos poderosos de Eliakin Rufino, parceiro da cantora na maioria das composições e diretor artístico do show.

Por mais de uma hora, Euterpe – nome artístico de Andressa, escolhido por ser a musa da Música na mitologia grega e o nome científico do açaí – apresentou canções de seu primeiro CD, “Batida brasileira”, e novas composições suas e de outros compositores do Norte do país. Surpreendeu o público mais desavisado com a mistura de ritmos - xote bragantino, carimbó, guitarrada, samba de cacete, batuques afro-amazônicos, salsa, cúmbia, e até samba – refletindo as influências sentidas em Roraima.

Cativou a plateia com sua voz afinada e bem colocada, e seus movimentos sensuais – de uma sensualidade brejeira, sutil, que remete a intérpretes do quilate de Carmem Miranda e, mais recentemente, Marisa Monte. É impossível não se lembrar da cantora e compositora carioca quando se conhece a arte de Euterpe. Após o show, ela contou que Marisa é uma de suas maiores referências, mas ultimamente a artista roraimense tem ouvido muito cantoras de Cabo Verde, como Maísa Andrade e Sara Tavares.

Outra semelhança com Marisa Monte: a cantora foi lançada pelo crítico e produtor musical Nélson Motta e, segundo Euterpe, seu CD de estréia, “Batida brasileira”, lançado no final de 2009, recebeu comentários muito favoráveis de Nelsinho, como é conhecido no meio musical.

As semelhanças param por aí, já que Euterpe bebeu em outras fontes e traz para o palco a pujança da música amazônica. Como não se emocionar com a música “Xapuri” (George Farias/Eliakin Rufino) – uma homenagem ao líder seringueiro Chico Mendes, assassinado em 1988? Ou ainda com “Saudações caboclas”, do candomblé amazônico? Tudo isso emoldurado e realçado com uma belíssima iluminação, também a cargo de um profissional da equipe do show.

CAPIVARA

Quando todos já pareciam seduzidos pela naturalidade e simpatia de Euterpe, eis que surge uma surpresa no palco: o poeta Eliakin Rufino, nove livros publicados, professor de Literatura regional no curso de Letras da Universidade Federal de Roraima (UFRR), produtor do CD e do show.

Carismático e com forte presença cênica, Eliakin apresentou três poemas acompanhados da banda: “Cavalo selvagem”, “Luta e prazer” e “Capivara”. Este último contou com a participação da seleta plateia, que era convidada a “soltar a sua capivara” através de um grito em algumas passagens do poema. As “capivaras” não eram muitas, mas conseguiram criar um efeito notável no teatro do Sesc, que pareceu lotado na noite de domingo em que Euterpe, Eliakin e músicos provaram que Roraima tem muito a oferecer à cultura brasileira.



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· Porque tanto espanto, eles são Brasileir  - Zé Bomba
· Vocês sabiam que Euterpe é o nome cienti  - Paulo




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