Quinta feira, 27 de novembro de 2014 Edição nº 13051 05/07/2011  










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Música sacra na missa

Igreja do N. Sra. do Bom Despacho realiza, pela segunda vez, liturgia acompanhada por coral de louvor a Deus

Martha Baptista
Da Reportagem

Uma viagem no tempo e no espaço. Essa foi a sensação que provavelmente percorreu muitos fiéis durante a missa celebrada na Igreja Nossa Senhora do Bom Despacho, no alto do Morro do Seminário, na manhã cinzenta do último domingo. Apesar do frio intenso, a igreja estava lotada, e a luz de velas e o cheiro do incenso realçavam o clima aconchegante.

Mas o grande diferencial da missa das 11h, celebrada pelo padre Kleberson Paes, em homenagem a dois apóstolos da Igreja, São Pedro e São Paulo, foi a música. Foi a segunda vez que a celebração contou com a participação do coro Cantorum, dirigido e regido por André Vilani. A parceria entre o padre Kleberson, um mato-grossense de Jaciara, de 27 anos, e o Cantorum está dando certo e deve prosseguir, sempre no primeiro domingo do mês.

“Muitas pessoas vieram me cumprimentar pela iniciativa e algumas disseram que, se morressem hoje, morreriam felizes”, comentou o celebrante, entusiasmado, após a missa, que durou quase duas horas. Segundo ele, trazer a música sacra para a cerimônia, especialmente o canto gregoriano, é “uma tentativa de resgatar esse tesouro da Igreja que está esquecido, escondido”.

Padre Kleberson, que se considera um conservador, diz que a população brasileira deixou de saborear o prazer de ouvir cânticos religiosos em latim e na tradição gregoriana. “Alguém pode dizer: ‘Mas, padre, não estou entendendo nada’. Não tem problema, Deus é mistério e o Cantorum está enriquecendo a liturgia da missa. Não queiram entender tudo. Vivam o momento”, comentou o religioso durante a missa, que teve partes fixas da liturgia cantadas pelo próprio padre.

LEVITANDO

Segundo o site http://gregoriano.org.br, o canto gregoriano é mais antiga manifestação musical do Ocidente e tem suas raízes nos cantos das antigas sinagogas desde os tempos de Jesus Cristo.

“O período de formação do canto gregoriano vai dos séculos I ao VI, atingindo o seu auge nos séculos VII e VIII, quando foram feitas as mais lindas composições e, finalmente, nos séculos IX, X e XI, princípio da Idade Média; começa, então, sua decadência”. Seu nome é uma homenagem ao papa Gregório Magno (540-604) que fez uma coletânea de peças, publicando-as em dois livros. Ele também iniciou a “Schola Cantorum” que deu grande desenvolvimento ao canto gregoriano. Após a realização do Concílio Vaticano II (1965), o latim deixou de ser a língua oficial na liturgia da Igreja, e as celebrações litúrgicas passaram a ser realizadas na língua vernácula de cada país. A prática do canto gregoriano ficou então restrita aos mosteiros e a grupos de admiradores e aficionados da beleza desta “palavra-cantada”, informa o site.

De acordo com o regente André Vilani, fundador do Cantorum, o canto gregoriano foi utilizado pelo papa Gregório como uma forma de manter a unidade da Igreja, numa época em que as distâncias e dificuldades de comunicação eram imensas. Ele explica ainda que como é feito em escalas modais, esse tipo de canto acaba dando a sensação aos ouvintes de estar levitando. Em outras palavras, mexe profundamente com as sensações e emoções de quem o está escutando e quem está cantando.

“O Cantorum (que conta com um total de 17 integrantes) é um grupo de louvor a Deus. A arte vem como consequência. Muitas pessoas vêem a música sacra como arte, mas nós entendemos que antes da arte vem a devoção. Nós, do Cantorum, cantamos com muita devoção”, afirma Vilani.

MICROFONES

É isso que provavelmente emociona todos que assistiram à missa da Igreja Nossa Senhora do Bom Despacho, mesmo aqueles que não estejam muito familiarizados com a liturgia católica: a devoção dos componentes do Cantorum.

No domingo passado, a entrada solene do padre Kleberson, acólitos, sacristãos e coroinhas aconteceu ao som de “Cantate Domino”, de Haendel. Em seguida, acompanhando a liturgia da missa, vieram várias peças de canto gregoriano e outras, como “O Crux Ave” de Palestrina, de diferentes períodos da música sacra, como o Renascimento e o Romantismo.

Em alguns momentos, houve solos de tenores do grupo: Cid Fortuna, Maurício Tadeu Pacheco da Silva, Jonathan Martins, que cantou e bisou - a pedido do padre Kleberson - a célebre “Ave Maria” de Gounod, e o próprio Vilani, que solou “Panis Angelicus” de Cesar Frank.

Numa prova de que essa novidade – a missa cantada – chegou para ficar, o padre Kleberson pediu aos fiéis que continuem colaborando com a igreja para comprar microfones apropriados e um teclado, de modo a valorizar a participação do Cantorum. Ele contou que seu plano é criar condições para instalar o coro no local apropriado, que já existe na igreja, mas precisa ser preparado para receber os cantores.

Seja como for, a próxima apresentação já está marcada para domingo, dia 7 de agosto, com as bênçãos do padre Kleberson. “Santo Agostinho diz que cantar é próprio de quem ama e quem canta reza duas vezes”. Amém.



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