Quarta feira, 19 de fevereiro de 2020 Edição nº 13033 12/06/2011  










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Natureza inspiradora

“Dois artistas, dois estilos”, é a exposição da N...Art’s Galeria de Artes, que reúne trabalhos de Benedito Aleixo Cortez e Odenil Miranda

Martha Baptista
Da Reportagem

Dois pintores autodidatas, dois cuiabanos que têm na natureza exuberante de Mato Grosso sua maior fonte de inspiração. Dois estilos e personalidades diferentes.

Odenil Miranda, mais tranqüilo e otimista, usa seu talento com os pincéis para retratar tuiuius, araras, capivaras, bois e outros animais do Pantanal e do Cerrado numa paisagem quase realista, porém idílica, num estilo que ele mesmo classifica de “realismo com romantismo”.

Benedito Aleixo Cortez também retrata a ave-símbolo do Pantanal em algumas de suas telas, mas tanto os tuiuius quantos os peixes, abundantes em seus quadros, são mais estilizados, o que leva a galerista e artista plástica Heleninha Botelho de Campos Coelho a classificar seu estilo como “abstracionismo com realismo”. Aleixo, como é conhecido, anda amargo e nem as perspectivas da Copa do Mundo de 2014 o deixam mais animado.

“A vida não está para brincadeira. Se o poder público não olhar para os artistas plásticos, eles vão morrer de fome, se suicidar. Eu me viro para sobreviver da arte, mas vivo mendigando. Vou morrer louco”, desabafa Cortez, fazendo coro às queixas recentemente feitas ao DIÁRIO DE CUIABÁ por outro artista plástico, Sitó, sobre o abandono a que foram relegadas as artes plásticas em Mato Grosso.

Reclamações à parte, quem gosta de apreciar a pintura regional com temática universal tem a oportunidade agora de conferir o talento de Odenil e Aleixo na exposição “Dois artistas, dois estilos”, montada na N...Art’s Galeria de Artes.

“São dois artistas com estilo diferentes, porém ambos representam bem a arte mato-grossense, que não perde para a de nenhum lugar do mundo”, afirma Heleninha, que trabalha com artes plásticas há 25 anos, viaja bastante (inclusive, para a Europa) sempre de olho no trabalho de pintores principalmente.

Embora se queixe de que o povo de Cuiabá não ande muito ligado nas artes plásticas nos últimos tempos (na verdade, sua crítica é mais direcionada ao pessoal de fora), Heleninha compartilha com Odenil as esperanças de dias melhores para o setor com a realização da Copa do Pantanal.

“Os turistas, em especial, os europeus apreciam muito a arte local. A arte nunca acaba. Um dia a gente vai embora, mas ela fica. A arte é eterna”, diz Heleninha, que está investindo na ampliação do espaço de sua galeria para abrigar também peças de artesanato, de olho na Copa do Mundo de 2014 e no desenvolvimento de Cuiabá.

MERCADO PROMISSOR

Odenil Miranda concorda que o mercado para as artes plásticas em Cuiabá está “ruim”, porém acredita que, com a proximidade da Copa e a necessidade de mais investimentos no ramo de hotelaria, o mercado para pintores deve melhorar. Ele está trabalhando em telas para o Hotel Amazon, no Centro, retratando os três ecossistemas de Mato Grosso: Amazônia, Cerrado e Pantanal.

É de sua autoria a pintura que cobre um teto nesse estabelecimento Ele levou cerca de 20 dias para pintar um enorme aquário com peixes do Pantanal e da Amazônia, com detalhes minuciosos. Também fez trabalhos em pintura para o Hotel Taiamã.

Odenil trabalha com as técnicas de óleo e acrílico sobre tela. “Gosto mais de trabalhar com acrílico. É mais rápido”, conta o pintor, que está expondo nove telas na N...Art’s, sendo apenas uma paisagem do Cerrado. “Gosto mais de pintar o Pantanal. É mais rico em fauna, flora, tem água e mais detalhes para retratar”, comenta.

Cortez também trabalha com acrílico sobre tela e, filho de pantaneiros, tem na natureza sua inspiração. Ele diz estar disposto a pintar muros, paredes, cerâmica, a fazer arte para jornais e qualquer coisa que posa lhe garantir alguma renda fixa. “Quero trabalhar. Passo fome, vivo como mendigo. A gente não vende quadro todo dia e uma tela que deveria valer pelo menos R$ 500 está sendo vendia a R$ 100. E ainda tem gente que compra a prestação e me dá tombo”, reclama.

Aleixo diz que só consome arte quem tem alguma informação e lamenta que muitas pessoas gastem tanto em bens supérfluos, mas não invistam em telas e outros trabalhos artísticos. Queixa-se também de que os recursos que deveriam ser investidos em projetos estejam sendo desviados para outros fins.

Seja como for, quem vê as telas de Aleixo, com suas cores e luminosidade, não imagina que o artista esteja passando por momentos tão sombrios. Conhecer seu trabalho assim como o de Odenil Miranda é apenas uma mostra do que a arte mato-grossense tem a oferecer.

A N...Art’s Galeria de Artes está situada na rua Cândido Mariano, n° 764, no Centro (nos fundos da sede da CDL) e fica aberta de segunda a sexta-feira, das 8h às 18h, e no sábado, das 8h às 12h.



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