Quarta feira, 27 de agosto de 2014 Edição nº 13028 07/06/2011  










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Parque do Xingu

Em festa, 16 etnias celebram o cinquentenário da criação do Parque Indígena do Xingu pelo presidente Jânio Quadros. O ponto alto das comemorações será o “Festival de Culturas Xinguanas”, que começa nesta semana com programação entre os dias 10 e 12, naquela área, sob organização da Associação Terra Indígena Xingu (Atix) com apoio de várias organizações não governamentais.

O Xingu foi a primeira área demarcada para índios no Brasil e nasceu da luta do marechal Cândido Mariano da Silva Rondon e dos irmãos Villas-Bôas. Sua área de 2,64 mil quilômetros quadrados praticamente dobra enquanto território sob tutela da Funai, porque a ela se juntam suas vizinhas Batovi, Wawi, Capoto/Jarina, Panará e Menkragnoti. Essa terra é habitada por seis mil indivíduos de 16 etnias e que falam 14 línguas.

Banhado pelo rio Xingu, que lhe empresta o nome, essa grande reserva é cortada por outros grandes rios, sendo que alguns nascem e desembocam em sua imensidão territorial. Sem incluir as áreas indígenas anexas o Parque se estende pelos municípios de Nova Ubiratã, Paranatinga, Gaúcha do Norte, Canarana, Querência, São Félix do Araguaia, São José do Xingu, Feliz Natal e Marcelândia.

No Parque e suas áreas contíguas os povos xinguanos encontraram a segurança que buscavam para viver em paz e poder manter seus costumes. Essa área é mantida sob tutela da Funai, mas sua proteção deve ser compartilhada por todos os brasileiros.

Governo de Mato Grosso e as prefeituras dos municípios que cedem terra ao Parque desenvolvem importantes atividades em defesa dos povos xinguanos. Em aldeias há escolas estaduais e municipais. Também na área de saúde, que é de responsabilidade da Fundação Nacional de Saúde (Funasa), os entes federativos mato-grossenses se fazem presentes. Cursos de capacitação profissional para confecção de artesanatos e produção de alimentos promovidos pela Secretaria de Estado de Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social (Setecs) contemplam indivíduos das diversas etnias que o habitam.

Comemorar o aniversário do Parque Indígena do Xingu é celebrar a vida de seus habitantes, a cultura indígena, a preservação ambiental numa importante região brasileira caracterizada por nascentes e por um complexo e delicado ecossistema que não pode sofrer nenhum tipo de antropização que exige cuidados especiais em seu entorno.

Mato Grosso tem o dever de continuar protegendo o Parque e a obrigação moral de reconhecer que sem ele o desmatamento desenfreado teria transformado a calha do Xingu numa região bem próxima da desertificação, com rios assoreados e poluídos e, que essas transformações influenciariam no clima estadual a ponto de lhe roubar a capacidade de produção de grãos, o que acontece graças ao regime hídrico regular assegurado pela floresta e o cerrado intocados. Que o cinquentenário do Parque Indígena do Xingu também sirva de reflexão para que a população urbana e rural se transforme em sociedade ambientalmente correta.



Os povos xinguanos encontraram a segurança que buscavam para viver em paz



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