Sexta feira, 03 de setembro de 2010 Edição nº 12656 09/03/2010  










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MAB bloqueia entrada de usina por 24h

Famílias do movimento querem cumprimento de acordo sobre área e recursos firmados há 3 anos. Encontro em Brasília marcou fim de protesto

ALECY ALVES E RENÊ DIÓZ
Da Reportagem

Centenas de pequenos produtores rurais bloquearam por pouco mais de 24 horas o acesso às instalações da Usina Hidrelétrica de Manso, administrada por Furnas Centrais Elétricas S/A, impedindo a entrada de qualquer pessoa nas instalações. O protesto foi iniciado na manhã de domingo por integrantes do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB), motivados pelo não cumprimento, por parte de Furnas, de acordos que prevêem assistência às famílias atingidas pelo lago da usina de Manso.

Os manifestantes pretendiam reabrir passagem somente depois do cumprimento de alguns itens, mas resolveram encerrar o protesto ao conseguir o agendamento de uma reunião com representantes do Ministério de Minas e Energia e de Furnas na próxima quinta-feira. O próprio presidente de Furnas receberá uma comissão dos integrantes do MAB e a instituição ficará responsável pela locomoção até a sede da administradora, no Rio de Janeiro.

Dentre as reivindicações dos produtores está o apoio àqueles que optarem pela permanência nas áreas do entorno do lago; eles necessitam de projetos alternativos, assistência técnica e financeira para voltarem a produzir. Também exigem a transferência daqueles que inicialmente foram assentados em terras não produtivas para áreas férteis e com assistência técnica em fazenda da região de Alto Paraguai, como estaria acordado.

“Não temos mais o que negociar, tudo o que Furnas precisa fazer é cumprir o acordo que há três anos firmamos junto com o Ministério Público, Eletrobrás, Ministério de Minas e Energia e outros órgãos”, reforçou o líder do MAB em Mato Grosso, Joaquim Neves. Ele também criticou o fato de que o documento assinado por Furnas dizia, claramente, que o atendimento deveria ser imediato. “Isso foi decidido há três anos. Não entendo o que é imediato para eles se até agora não fizeram nada”.

Dos 22 mil hectares de terras necessárias à transferência de parte das 780 famílias atingidas pela barragem, até agora Furnas teria adquirido apenas 8 mil, segundo Joaquim Neves. Ele lembrou que na época do acordo o número de família considerada prejudicadas pela formação do lago ampliou de pouco mais de 500 para o número atual.

OUTRO LADO – Segundo Furnas, os acordos feitos com os manifestantes estão sendo efetivamente cumpridos e um cronograma dos itens será apresentado ao MAB durante a reunião marcada.

Quatro fazendas indicadas pelo próprio MAB já teriam sido compradas para as famílias atingidas, por um custo de aproximadamente R$ 12 milhões. No momento, estão sendo realizados os projetos básicos de assentamento e estão em trâmite os pedidos de licença ambiental para exploração das áreas. Furnas também assegurou que tem mantido para mais de 700 famílias atingidas por Manso, entre outras assistências, R$ 3 milhões anuais de investimento em manutenção temporária.



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