Terça feira, 18 de junho de 2019 Edição nº 12607 08/01/2010  










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Novo Sherlock Holmes

Desde sua primeira ‘aparição’ na literatura, Holmes parece ter ganhado uma sobrevida em nova roupagem. Afinal, este é o 64° filme e um dos mais ousados

Claudio de Oliveira
Da Reportagem

Entra em cartaz hoje o esperado Sherlock Holmes. Depois de ter causado um frisson no seu pré-lançamento mundial na Inglaterra o filme de Guy Ritchie chega ao Brasil.

O filme vem se somar aos outros 63 filmes já feitos sobre o personagem de Arthur Conan Doyle. O escritor até tentou se livrar do personagem matando-o, mas o público exigiu a sua volta. É incrível como uma grande quantidade de pessoas acredita que ele é real. Também pudera, afere-se do cânone sherlockiano: “Holmes nasceu em 6 de Janeiro de 1854 , filho de um agricultor e de uma mãe de origem francesa, pois sua avó era filha do pintor Horace Vernet. O seu irmão mais velho, Mycroft, trabalha para o Serviço Secreto britânico. Mycroft passa a maior parte do seu tempo livre no Diogenes Club.” Informações disponíveis na Wikipédia.

Segundo JB Medeiros “a primeira descrição do personagem Sherlock Holmes, na história em que ele surgiu, "Um Estudo em Vermelho", há 123 anos[completa em novembro deste], não parece confirmar o personagem de Guy Ritchie. "Media mais de um metro e oitenta de altura, mas a magreza o fazia parecer ainda mais alto. Seus olhos eram agudos e penetrantes, exceto durante os intervalos de torpor. Tinha o nariz delgado, aquilino, emprestava à fisionomia um ar de vigilância e determinação. Também o queixo, saliente e quadrado, marcava o homem decidido. Suas mãos estavam sempre manchadas de tintas e produtos químicos, mas mostravam uma extraordinária delicadeza de toque enquanto manipulava seus frágeis instrumentos de alquimista." Todavia o próprio Medeiros afirma logo que tirando isso, a fisionomia do ator americano Robert Downey Jr. (Holmes) não casa muito com esta descrição, e o fato do diretor optar por aposentar o chapéu xadrez característico o filme parece coincidir com o personagem literário.

Esta nova versão do personagem baseada tanto nos livros de Doyle quanto em HQs protagonizadas pelo personagem, dá um pouco mais de ação - no sentido clássico da palavra - às aventuras do detetive, sempre guiadas pela lógica. O filme mostra Sherlock Holmes (Robert Downey Jr.) se utiliza de seu brilhante intelecto, bem como revela habilidades marciais letais, para desvendar uma trama diabólica e mortal que poderá destruir a Inglaterra, enfrentando o misterioso Blackwood (Mark Strong). Jude Law interpreta Dr. Watson, fiel parceiro de Holmes.

Em uma antiga fábrica transformada em um matadouro, Sherlock e Watson se esmeravam para protagonizar as cenas em que salvavam Adler (Rachel McAdams) de cair em uma armadilha mortal de Lorde Blackwood. Como manda o manual de bons filmes de ação, há muito fogo, fumaça, explosões e perseguições.

A mocinha em questão é também ‘inimiga’ de Holmes e capaz de roubar o coração do detetive. Aliás, além de livrar a Inglaterra dos poderes ocultos de Blackwood, Holmes também tenta salvar sua amizade com Watson, que está cansado de ter um companheiro tão desastrado e ciumento. Watson está prestes a se casar e os dias da dupla podem estar contados.

Unir a ação dos filmes americanos com a sagacidade do cinema inglês. Guy Ritchie não queria pouco ao assumir, há cerca de dois anos, o projeto de "Sherlock Holmes”. O diretor revelou em entrevistas que não pretende para no primeiro. Como quem lambe a cria o diretor deixou claro que pretende dar sequência a história do detetive.

Cenas de ação à parte, a irmandade entre Watson e Holmes garante mistérios e humor à releitura de um clássico tão britânico. "Não acho que Sherlock seja só britânico. Ele seduz o mundo todo. Foi o primeiro super-herói e sei que o jovem de hoje tem muito o que se identificar com ele", disse Ritchie ao Estado de SP quando questionado se a escolha de um ator americano para viver a figura emblemática britânica foi a tentativa de ganhar o público jovem.

Downey Jr. não se abateu com as críticas antecipadas de que sua figura e seu sotaque não alcançariam a fleuma necessária ao personagem. "Não fiz o sotaque inglês. Já tenho este sotaque depois de passar tanto tempo aqui", brincou.

Quem espera ver o clima de films noir de outras adaptações para o cinema das histórias de Conan Doyle vai se decepcionar.

Já quem quiser descobrir mais sobre os dotes de espadachim, lutador de artes marciais, boxe, vai se impressionar com a forma física afiada e o raciocínio lógico que Downey Jr. dá ao detetive. Não por acaso, o ator recebeu na semana passada a indicação a melhor ator em comédia no Globo de Ouro.

Jotabê Medeiros resume o filme assim: “Para reviver o mito, Guy Ritchie recorreu ao caldeirão pós-moderno: uma pitada de Indiana Jones; outra de seus próprios filmes anteriores (como Snatch); um vilão com coté místico de Aleister Crowley e personagens secundários com punch (como o assassino gigante, que parece o Jaws do James Bond). E voilà! Matinê irresistível.” (Com Assessoria)



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Apogeu em filme de 1939 de Sidney Lanfield



Por Luiz Carlos Merten



Pela fidelidade física, o Sherlock mais perfeito do cinema foi Basil Rathbone, que sucedeu a Clive Brook e Reginald Owen no papel, nos primórdios do cinema sonoro. Você pode rever alguns de seus filmes, lançados em DVD, mas não o melhor deles - a versão de 1939 de "O Cão dos Baskervilles", de Sidney Lanfield, que se assiste como a um filme de horror e o mesmo se pode dizer da adaptação que Terence Fisher fez 20 anos mais tarde, na Hammer, com Peter Cushing como o mestre da dedução. Esta você encontra. Por seus Dráculas e Frankensteins, Fisher já era um mestre do horror e o que ele fez foi radicalizar o conceito de Lanfield.

Por mais interessantes que sejam Rathbone e Cushing, os melhores Sherlocks da tela surgiram em filmes que foram se afastando do espírito original. O "Sherlock Jr." de Buster Keaton não é bem sobre o personagem de Conan Doyle, mas é uma das grandes comédias do cinema. "A Vida Íntima de Sherlock Holmes", de Billy Wilder, é inconformista, mais do que iconoclasta. E "O Enigma da Pirâmide", de Barry Levinson, com roteiro de Chris Columbus, propõe uma boa gênese para o mito.

Conan Doyle era médico e a primeira história de Sherlock, "Um Estudo em Vermelho", foi difícil de vender. O sucesso foi apenas relativo quando surgiu no "Beeton’s Christmas Annual", em 1887. "Sherlock" só estourou três anos mais tarde quando "O Signo dos Quatro" foi publicado nos EUA, no "Lippincott’s Magazine". A edição definitiva - comentada e ilustrada - de "Um Estudo em Vermelho" saiu pela Jorge Zahar. Se você nunca leu, não sabe o que está perdendo.



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