Apagão da lucidez
A “Luz” do país andou falhando nos últimos dias. Primeiro foi o “erro” do cálculo da tarifa, claro que a favor das empresas e em desfavor dos consumidores, que o ministro das Minas e Energia anunciou que seria devolvido, mas nos dias seguintes afirmou-se que nada seria devolvido. E agora o apagão que nunca mais aconteceria, mas aconteceu, deixando 18 estados sem energia por quase cinco horas.
O primeiro foi descoberto no último dia 18 de outubro, quando a Folha de S. Paulo revelou que as distribuidoras de energia elétrica cobraram a mais dos consumidores brasileiros. O valor total que deveriam ser devolvidos foi estimado pelo TCU, Tribunal de Contas da União, em R$ 1 bilhão por ano. Há quem estime em R$ 10 bilhões. A Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica tinha publicado anúncio nos jornais afirmando não haver erro na cobrança.
Já o apagão traz à tona a disputa eleitoral do ano que vem. A ministra Dilma, que foi responsável pela área, afirmou que nunca mais haveria apagão. O governo tem que justificar o que arrecadam desde os tempos do apagão do FHC. Afinal, pelo que se investiu, fica difícil encarar o problema. O presidente negou ter havido blecaute, chamou-o de “incidente”. Já o ministro Tarso Genro, chamou de “tropeço” e “microincidente”. A oposição não perdoou, o DEM já colocou no Youtube as declarações da ministra com uma imagem dela com o dedo médio da mão em riste...
A baixaria política não se limitou. O governo afirmou que o problema foi ocasionado por raios e chegou até a mostrar fotos dos efeitos do raio. Os especialistas do Inpe prontamente rechaçaram essa hipótese. O ministro Lobão afirmou que não é atribuição do Inpe opinar sobre energia elétrica. Só que esse Lobão encontrou seus três porquinhos no Inpe, na USP e na própria Eletrobrás. E começou assoprando na casa errada, os especialistas do Inpe, do Grupo de Eletricidade Atmosférica (Elat), o terceiro do mundo, só perde para os Estados Unidos e Canadá, afirmam que as descargas elétricas mais próximas aconteceu a 2 km das linhas. Já os especialistas da USP afirmam que a gestão é deficiente e a Eletrobrás investiu, até setembro, só 48% do orçamento que é de R$ 7,2 bilhões.
Enquanto a população e os empresários contabilizavam os prejuízos, o apagão afetou também o abastecimento de água, prejudicando 6,7 milhões de pessoas em São Paulo, um milhão no Rio de Janeiro e 575 mil no ES.
Jabor, da TV Globo, arrisca a apontar a causa do problema: o Diretor Geral de Itaipu é engenheiro agrônomo, os conselheiros, um é advogado trabalhista. Outro é bancário. Cadê os especialistas em energia? Outros ainda questionam se não existe estratégia para preservar as áreas principais? Não elege prioridades para o corte de fornecimento? Nesse momento, o consumidor não precisa de culpados, precisa de solução e devida indenização.
* MARIO EUGENIO SATURNO é Tecnologista Sênior do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), Professor do Instituto Municipal de Ensino Superior de Catanduva e congregado mariano
mariosaturno@uol.com.br
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