Sábado, 20 de abril de 2019 Edição nº 12491 14/08/2009  










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Alta chega a 84,65%

Majorações tiveram maior peso sobre marcas vindas de outros estados. Justificativa é a entressafra da atividade pecuária, que vai até novembro


Para o varejo reajuste atingiu pico em Mato Grosso e deverá se manter estável até novembro, fim da entressafra
MARCONDES MACIEL
Da Reportagem

Os preços do leite longa vida nos supermercados de Cuiabá já acumulam alta de até 84,65% este ano. De acordo com pesquisa realizada ontem pelo Diário nas principais redes de supermercado, os preços sofreram diversas variações nos últimos dois meses, com o menor índice de reajuste chegando a 28,38%.

Todas as marcas reajustaram seus preços. Na média, o reajuste em seis marcas pesquisadas pelo Diário foi de 50% após o início da entressafra, no mês de maio.

O maior índice de reajuste recai sobre a marca Batavo, cujos preços saltaram de R$ 1,89 para R$ 3,49. A segunda marca de leite mais cara, na média, é a Elegê (passou de R$ 1,99 para R$ 2,99), alta de 50,25%, seguida da Parmalat (R$ 1,89 e agora 2,79), incremento de 47,61%. O leite Italac aparece em quarto lugar na lista dos produtos que mais subiram este ano (R$ 1,69 para R$ 2,49), com alta de 47,33%. A marca Nenê sofreu majoração de 44,02%, passando de R$ 1,59 para R$ 2,29. O Lacbom é a que acumulada o menor reajuste (28,38%), com os preços passando de R$ 1,55 para R$ 1,99.

Os supermercados atribuem a alta dos preços ao período da entressafra, quando há uma redução natural da produção devido ao período de estiagem e a falta de pasto para alimentar as vacas.

“Apenas repassamos os preços da indústria”, justifica o gerente de uma das lojas da rede de supermercados Big Lar. Segundo ele, a alta nos preços do leite é normal neste período do ano em função da escassez provocada pelo período da estiagem. “Todas as indústrias remarcam seus preços nesta época. Mas a tendência, na avaliação dos supermercadistas, é de que os preços se estabilizem nos patamares atuais até o início da safra, a partir de novembro”.

Mesmo com a alta, os supermercados não registram ainda queda no consumo de leite. “O que notamos é que depois da alta, muitos consumidores migraram o consumo para o leite em saquinho, que é bem mais barato, apesar de também ter sofrido um pequeno reajuste”, afirma uma fonte da Associação dos Supermercadistas do Estado (Asmat).

Altair Magalhães, sócio-proprietário da rede de supermercados Modelo, acredita que os preços já atingiram seu pico máximo e agora tendem a cair. “A nossa expectativa é de que os preços recuem pelo menos 10% com a chegada da safra”, prevê.

CONSUMIDORES - Nos supermercados, os consumidores reclamam dos reajustes. “Não dá para levar mais do que uma caixinha [de leite]. Os preços estão muito altos”, diz a funcionária Maria Helena Marques, moradora do Parque Cuiabá. Ela diz que no ano passado chegou a comprar leite por até R$ 1,45.

O vendedor Pedro Santana, residente no bairro Alvorada, também reclama dos preços do leite integral. “Do jeito que está vamos ser obrigados a mudar hábitos, excluir o leite e acrescentar mate no café da manhã”.

PRODUÇÃO - Atualmente, as duas grandes indústrias da região, responsáveis pelas marcas Lacbom e Nenê, produzem 1,45 milhão de litros por dia. No ano passado, esta produção era de aproximadamente 1,5 milhão de litros.

Como Mato Grosso consome apenas 550 mil litros por dia, 36% da produção da Lacbom e Nenê seriam suficientes para abastecer o mercado doméstico. O restante da produção – 64% - é comercializado para a região Sudeste. Parte ainda dos 36% destinados ao mercado regional é transformado em leite tipo C (saquinho) e derivados – como os queijos, manteigas e mussarelas - uma vez que o consumo é complementado com outras marcas como Parmalat, Elegê, Batavo, Italac e Frimesa.



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