Prefeito da Capital afirma que a população de Mato Grosso tem demonstrado desejo de o PSDB voltar a dirigir o Estado e o país
ALEXANDRE APRÁ
Da Reportagem
O prefeito Wilson Santos (PSDB) fez um balanço dos seis primeiros meses de segunda gestão frente à prefeitura de Cuiabá. Depois de um primeiro semestre turbulento e de déficit na arrecadação, o tucano está otimista em relação ao Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e às obras de infra-estrutura da cidade.
Mesmo negando candidatura ao governo do Estado, tida como garantida por dirigentes da agremiação tucana de Mato Grosso, Wilson diz que só vai discutir eleições de 2010 no início do ano que vem. No entanto, reconhece que o vice Chico Galindo (PTB) vem exercendo papel fundamental na atual gestão como articulador político.
Ponderado, Wilson prefere não tocar em assuntos polêmicos como as críticas da primeira-dama do Estado, secretária de Trabalho, Emprego, Cidadania e Assistência Social, Terezinha Maggi, à sua gestão e nem os escândalos da Câmara.
Esperançoso, ele acredita que o PSDB vai retomar o poder não só no Estado, mas também no Brasil.
Diário de Cuiabá – Qual o balanço que o senhor faz dos seis primeiros meses da sua segunda gestão e quais as expectativas?
Wilson Santos – Foram meses difíceis com queda na arrecadação própria e também nas transferências estadual e federal, que nós atravessamos com muita prudência, com rigor no controle dos gastos e agora já em julho há um cenário mais alvissareiro, mais esperançoso. Mas a expectativa é de que venhamos a terminar o ano com uma receita rigorosamente igual a do ano passado. E isso implica dizer que vamos ter uma perda de 8% a 10% que é justamente o que nós prevíamos de crescimento. Então, praticamente vai ser um ano zerado.
Diário – E os planos para o próximo semestre?
Wilson – Vamos manter o rigor. Uma das nossas prioridades é o controle rigoroso dos gastos, tanto com a folha de pagamento quanto com o custeio da máquina. Mas vamos avançar mais do que no primeiro semestre no que diz respeito às obras. Vamos concluir a avenida das Torres. Vamos concluir a ETA Tijucal. Vamos avançar com todas as obras do PAC. Vamos avançar nos projetos de pavimentação asfáltica feitos com recursos de emendas parlamentares e de parcerias. Então, o segundo semestre, com certeza, vai ser melhor que o primeiro, que foi um período duro, um primeiro semestre de crise, muito semelhante ao primeiro semestre de 2006.
Diário – Essas obras já serão voltadas para a Copa de 2014. Como está o planejamento da prefeitura para o evento?
Wilson – A prefeitura tem no governador Blairo Maggi o comandante desse processo. Nós aguardamos dele as atitudes, as provocações e deliberações. Recebemos um convite e vamos para a África do Sul no final do mês de agosto. Eu e o secretário Bonilha vamos compor a comitiva do governador. Já cumprimos algumas etapas ‘pró-Copa’, criamos a Secretaria Extraordinária da Copa, escolhemos uma pessoa que é unanimidade no setor, que é o Agripino Bonilha Filho, e já aprovamos a Lei Municipal de incentivos fiscais, conforme exigência da Fifa. Já estamos dando os primeiros passos do programa Cidade Limpa. Já estamos articulando os primeiros contatos com o comércio ambulante. Já adotamos uma estratégia para reduzir, ao máximo, a poluição visual. E estamos 100% à disposição do governador para juntos, sob o comando governador, fazermos da sede Cuiabá uma das boas surpresas da Copa de 2014.
Diário – Essas obras no trânsito que estão acontecendo pela cidade? Já podem ser consideradas uma preparação para a Copa?
Wilson – São pequenas modificações. Até o fim do ano deve dar em torno de umas 40 adequações, eliminando pontos críticos ou minimizando congestionamentos. O volume impactante mesmo será oriundo dos recursos da Copa. Nós esperamos em torno de R$ 1 bilhão para mobilidade urbana em Cuiabá. Vamos contemplar de 300 a 400 quilômetros de recapeamento. Queremos concluir a pavimentação de todas as linhas de ônibus da cidade. Queremos implantar o sistema VLT, que é aquele ônibus com trânsito rápido ou o ônibus rápido no trânsito, com cinco estações de transbordo e mais ou menos 50 quilômetros de canaletas exclusivas para o transporte coletivo.
Diário – Nesse primeiro semestre a prefeitura reajustou a tarifa do transporte coletivo e da água. Muitos criticaram o reajuste. O senhor se arrependeu?
Wilson – Olha, isso é normal. São atos administrativos corriqueiros. Assim como o Estado aumenta as suas tarifas e a União, também. Aliás, não é aumentar, é reajustar, atualizar. Nós temos que manter o equilíbrio econômico-financeiro de alguns serviços diretos, no caso do saneamento, e das concessões, no caso do transporte coletivo. Tudo está dentro da média nacional. São reajustes exigidos pela Lei de Responsabilidade Fiscal para que o município oferte esses serviços à população.
Diário – Como estão as obras do PAC? Elas estão ou não atrasadas? Houve superfaturamento, conforme relatório da Controladoria-Geral da União?
Wilson – Qualquer prefeito ou governador ou mesmo o presidente Lula já gostaria de ter concluído as obras do PAC. Com relação a preços, a prefeitura cumpriu rigorosamente, 100%, os preços analisados e autorizados pelo governo federal. Leia-se: Caixa Econômica Federal. Todos os preços do PAC Cuiabá foram analisados antecipadamente e autorizados pela Caixa Econômica Federal de Mato Grosso e do Brasil. Em relação ao andamento das obras, Cuiabá está mais ou menos no dobro da média nacional, que hoje é em torno de 3,5%. Cuiabá já passou dos 10%. Nós estamos consensualizando com as empresas a implementação do segundo turno, para que nós possamos cumprir, com rigor, o prazo determinado pelo presidente Lula, que é setembro de 2010.
Diário – Como está a atuação do vice-prefeito Chico Galindo na prefeitura?
Wilson – Uma surpresa agradabilíssima. Lealdade total. Experiência da iniciativa privada. Espírito de equipe. E uma surpresa agradável. Tem sido um secretário extremamente eficiente e eficaz.
Diário – Como ele tem atuado na gestão? Apenas em sua pasta ou tem atuado como articulador político nas demais?
Wilson – O Chico trabalha muito articulado junto com o secretário de Finanças, Guilherme Müller, e o secretário de Governo, Osvaldo Sobrinho e o nosso gabinete. Cumpriu missões internas no primeiro semestre e agora no segundo semestre tende a ter uma exposição maior.
Diário – A primeira-dama do Estado, Terezinha Maggi, fez duras críticas, entre outras, à prefeitura de Cuiabá. Questionou por, exemplo, a educação na cidade. Como o senhor recebeu essas críticas?
Wilson – A educação no nosso município vem numa ascendência. Nós pegamos Cuiabá na 18ª posição no ranking das capitais. E hoje já é a 11ª. E a nossa meta é chegarmos em 2012 como a quinta melhor capital no quesito educação. Mais do que dobramos o número de crianças na educação infantil. Criamos o programa pré-vestibular, que já colocou 1.500 jovens nas universidades. Aumentamos em 112% o piso salarial para os professores. Cuiabá paga hoje o melhor piso salarial de professores do País. São R$ 1.152,84 para uma jornada de 20 horas semanais. Consolidamos a gestão democrática nas escolas. Todos os professores da rede têm um computador pessoal. E o grau de satisfação é muito bom. E partir de janeiro estamos criando o princípio da meritocracia onde vamos pagar 15 salários para os profissionais da educação das 10 escolas melhor ‘rankeadas’ do município. E agora estamos criando o Bolsa Universitária, que é um sonho que começou quando eu fui deputado estadual 1991. Lá, eu criei o crédito estudantil estadual. Uma pena que nunca foi implantado pelo Poder Executivo Estadual. Agora, tive a oportunidade de implantar o crédito com o nome de Bolsa Universitária. São quinhentos jovens pobres que vão poder cursar o ensino superior pago pela prefeitura.
Diário – E a relação com o Estado?
Wilson – Na nossa relação com o Estado nós sempre procuramos colaborar com o Estado. Procuramos sempre ter uma atitude positiva, de colaboração. O exemplo disso são várias obras: a avenida Beira-Rio, a avenida das Torres, conjuntos habitacionais e o PAC que temos atuado junto com os governos estadual e federal.
Diário – Falando sobre PAC. O Diário mostrou que R$ 40 milhões estão bloqueados pela CGU. Isso é verdade?
Wilson – Isso é verdade! Mas, também é verdade que estão desbloqueados R$ 200 milhões. O PAC Cuiabá é de R$ 240 milhões. Temos R$ 40 milhões bloqueados por questões técnicas. Porque entre o projeto básico e o executivo houve mudança. Mudanças de equipamentos, mudanças de ferramentas, mudanças de procedimentos. E isso é previsível na Lei. Você pode fazer as mudanças quando você vai do projeto base para o executivo. O que o Ministério quer é que a gente detalhe essa mudança, de que material você saiu para qual matéria você passou. São projetos que foram elaborados em 2006 e 2007. Então, a medida em que a gente for apresentando essas alterações sobre serviços, materiais, ferramentas e outras mudanças, a Caixa Econômica e o Ministério vão liberando. Mas, eu quero tranqüilizar a sociedade de que são itens que não interferem nas obras desse ano. E isso já está garantido: esses recursos não serão perdidos.
Diário - O senhor está deixando o comando do diretório estadual o PSDB. Como o senhor avalia sua gestão?
Wilson – Eu dei a minha contribuição para o partido. Vou deixar o partido em novembro agora quando terminar o meu mandato. Em que pese o diretório nacional ter optado pela prorrogação do mandato dos diretórios estaduais. Espero que os próximos dirigentes do PSDB continuem exaltando a social democracia. Que continuem avançando como um partido democrático, com uma lista farta de serviços prestados ao Estado e ao Brasil. E um partido que está pronto para continuar servindo o Estado e o Brasil.
Diário – A Câmara de vereadores de Cuiabá foi palco de uma série de escândalos nos últimos anos. Os mais emblemáticos envolvendo a ex-vereadora Chica Nunes e o vereador Lutero Ponce, quando presidiram o Legislativo. Diante de tantas denúncias de desvio de dinheiro, não é hora de a prefeitura pensar em reduzir o duodécimo da Câmara?
Wilson – O parlamento municipal tem vida própria, tem independência. Eu não quero opinar sobre questões “interna corpuris” porque a Câmara tem mecanismos, procedimentos e regras suficientes para punir aqueles que deixarem os propósitos da ética e do comprometimento com o voto popular.
Diário – E sobre o duodécimo?
Wilson – Olha, eu sou um legalista. Estou cumprindo rigorosamente e pontualmente e muitas vezes até antecipadamente com a minha obrigação de repassar aquilo que é devido ao Parlamento Municipal.
Diário – O senhor como prefeito reeleito da Capital acaba sendo o mais cotado do seu partido, o PSDB, para ser o candidato ao governo do Estado. Mas, reluta em assumir, mesmo com aclamação praticamente unânime entre os tucanos. O que o senhor espera das eleições de 2010?
Wilson – Minha expectativa é que o PSDB vença no Estado e no Brasil. O PSDB é um partido que reformou o Estado mato-grossense e o Brasil. E, por isso, é que vem liderando as pesquisas em nível estadual e federal. A população sinaliza o desejo da volta do PSDB em dirigir não só o Estado, mas também o Brasil. No tocante à minha candidatura ou não, esse assunto eu só vou tratá-lo no ano que vem. Por enquanto, eu estou visitando o interior do Estado na condição do presidente estadual do PSDB. Mas, tenho claro que o PSDB reúne todas as condições históricas, éticas, estatutárias e programáticas para voltar a governar o Estado.
Diário – E o cenário de alianças? O PSDB já demonstra certa afinidade com o DEM e o PTB. Qual a avaliação que o senhor faz das conjecturas?
Wilson - É claro que ninguém ganha eleição sozinho no País. E o PSDB está trabalhando na construção de alianças nos planos estadual e nacional. E é natural que aqui o PSDB se aproxime daqueles que querem apresentar uma proposta nova para Mato Grosso, um programa novo, um programa arrojado, um governo que governe para todos os mato-grossenses e não apenas para uma meia dúzia.
Diário – Na semana passada, a Polícia Civil acabou prendendo alguns pichadores que pichavam o nome do senhor com ofensas pessoais em muros da cidade. O senhor acha que isso é um fato pontual ou a campanha eleitoral já começou?
Wilson – Acho que já está no ar o clima de eleições 2010. E essa prática é uma prática da idade da pedra. Daqueles que, na minha concepção, estão na vanguarda do atraso.
Diário – O senhor falou na questão das pesquisas em que o PSDB aparece na frente. Em todas, o candidato tucano é o senhor. Isso não o entusiasma para entrar no pleito?
Wilson – Pesquisas são fotografias de um momento. Eu mesmo já vivi os dois lados dessa moeda. Em 2004, faltando 12 dias para o segundo turno, estava a 20 pontos atrás do Alexandre Cesar e ganhamos. E em 2008 saímos na frente e vencemos. Nós vivemos os dois lados dessa moeda. E posso afirmar com precisão que pesquisas são retratos de momento. O eleitor decide com um conjunto de fatores. E é muito cedo para arriscar palpites, muito menos quem vencerá as eleições.
Diário – Qual o melhor candidato a presidente do PSDB: Aécio Neves ou José Serra? Aqui em Mato Grosso, o senhor se mostrou um “amigo de Lula”, mesmo estando no ninho tucano. Isso não vai atrapalhar a candidato a presidente do seu partido?
Wilson – Eu sempre fui honesto nas minhas práticas. O presidente Lula tem ajudado Cuiabá. E reconhecendo isso em público eu estou apenas sendo justo com o presidente Lula. Com relação a Aécio ou José Serra, eu tenho certeza que ambos governarão o Brasil, cada um a seu tempo. O PSDB é um partido privilegiado por ter filiados do potencial, do calibre que tem.