Sábado, 15 de junho de 2019 Edição nº 12450 27/06/2009  










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Tchekhov chega aos quadrinhos

Da Redação

Cinco histórias compõem o livro “Contos de Tchekhov”. Na primeira delas, Aniuta, o autor narra à vida de uma mulher Aniuta, que durante sete anos morou em pensões para estudantes e serviu de objeto de estudo para eles. A personagem conheceu vários rapazes antes do jovem Klotchkov, terceiranista de medicina, cujo interesse era centrado no estudo de anatomia. O conto Aniuta retrata o dilema de uma mulher que era sempre esquecida.

Em O Investigador, Tchekhov conta a história de um médico legista e um investigador criminal que vão fazer uma autópsia no corpo de uma dama que previu com exatidão o dia da própria morte. A possível causa da morte seria envenenamento. E a investigação leva à conclusão de que a própria mulher se matou para punir o marido por uma traição.

O conto A Revelação, fala do engenheiro Bakhromkin, assessor público, que, sentado em sua escrivaninha se põe a meditar sobre o reencontro com uma bela mulher por quem fora apaixonado no passado. Enquanto pensa rabisca em um pedaço de papel os traços dessa mulher. Ao terminar o desenho o considera uma obra de arte, e passa a se imaginar um artista. O devaneio chega a tal ponto que ele começa a comparar a vida que leva com o glamour da vida de um artista.

O Infrator trata do inquérito de Denis Grigóriev, um pobre pescador que rouba uma porca que prendia um dos trilhos de uma ferrovia. Ao ser questionado sobre o roubo da porca, ele diz: “Ué. A porca? A gente usa de peso para pescar!”. O clímax da história acontece com a condenação do pescador que é preso por uma tragédia que não aconteceu.

Uma aposta entre um banqueiro e um jovem advogado é o tema de “A Aposta”. Em uma reunião em que se discute sobre a pena de morte, e em que a maioria a achava um método de punição antiquado, foi proposto uma mudança pela prisão perpétua.

Com o prosseguimento da discussão, o banqueiro que ainda era jovem e impulsivo perdeu a paciência com o advogado muito mais jovem e apostou dois milhões de como ele não agüentaria nem cinco anos na cadeia. Os dois fecharam a aposta em quinze anos de prisão. O desfecho é que nesse tempo o jovem advogado acabou lendo milhares de livros e o banqueiro, quase na falência, não queria pagar o que foi combinado...

Tchekhov

Anton Pavlovitch Tchekhov nasceu em 1860, em Taganrog, Rússia. Aos 16 anos, ingressou na Faculdade de Medicina. Logo cedo começou a escrever contos para jornais e folhetins moscovitas, e ajudava a família com o dinheiro que recebia. Quando passou a clinicar, não só deu continuidade à atividade literária como a incrementou com temas sociais. Dedicou-se intensamente ao teatro, escrevendo peças importantes como: A gaivota; Tio Vânia; As três irmãs e o Jardim das Cerejeiras. Além de peças teatrais e contos, deixou importantes novelas como: O monge negro e Enfermeira nº6.

Adaptação e Roteiro

Desde os vinte anos, o paulistano Ronaldo Antonelli trabalha como revisor e preparador de texto na área de literatura. Estudou Filosofia na USP, mas a atividade editorial o levou a cursar jornalismo nos fins dos anos 70. A partir de 1980 passou a fazer traduções, tais como as primeiras obras de Che Guevara no Brasil. Trabalhou no DCI, Isto É e Folha de São Paulo e editoras como Abril e Círculo do Livro. Ronaldo se aproximou dos quadrinhos nos anos 70, como roteirista de criações. Também criou histórias para as revistas Spektro e Careta. Foi coordenador da InterQuadrinhos, como editor de textos, e mais recentemente adaptou obras de literatura brasileira para a Editora Escala Educacional, tais como: O Cortiço, de Aluísio de Azevedo, e O triste fim de Policarpo Quaresma de Lima Barreto.

Ilustração

O ilustrador Francisco Sebastião Vilachã é carioca, e praticamente se alfabetizou lendo gibis e clássicos da literatura ilustrados nas revistas Epopéia e Edições Maravilhosas. Na década de 70, conheceu Fortuna, criador da revista O Bicho, onde Vilachã publicou sua primeira história. Depois, colaborou com a revista Spektro e as séries da editora Grafipar. Seguiu por duas décadas como ilustrador de livros didáticos e só retornou aos quadrinhos quando a Editora Escala Educacional se interessou por seu projeto voltado para obras de Machado de Assis e Lima Barreto. (com assessoria)



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