Quarta feira, 20 de novembro de 2019 Edição nº 12427 30/05/2009  










ALECY ALVESAnterior | Índice | Próxima

Sem devolução

Quando os filhos entram em nossas vida é para sempre. Não tem devolução, mesmo que sejam adotados ou tenham sido gerados em nosso ventre.

Portanto, amor, segurança, alimento, moradia, educação e respeito são alguns dos itens da infinita lista de atribuições paternas e maternas. Não há como fugir dessa responsabilidade, a não ser que se opte por não conceber ou adotar filhos.

A consciência desse compromisso nos deixa indignadas com o comportamento de certos pais. Começando pelas mães que geraram seus filhos por nove meses e, nesse longo período de espera e ansiedade, não conseguiram acumular sentimentos capazes de fazê-las pelo menos mais zelosas e responsáveis, se não sensíveis e amorosas.

Já dos pais, que não têm o privilégio de terem seus corpos como instrumentos de geração de novas vidas, novos seres humanos, mas sabem que no corpo do pequenino ser correrá o seu sangue, deveríamos esperar o mínimo de respeito.

Pensando assim, indigna-me saber que crianças são mortas, estupradas e maltratas pelos próprios pais. E me causa espanto descobrir que há pais devolvendo filhos aos órgãos públicos – justo o local aonde foram buscá-los por meio de um processo de adoção.

Esta semana, o Ministério Público de Minas Gerais propôs ação civil pública contra um casal que devolveu a criança que havia adotado. A justiça quer o reparo desse comportamento com o pagamento de indenização para tratar os traumas da rejeição vividos pela menina.

Esse caso me fez lembrar a abordagem de uma mulher, em Cuiabá, que queria devolver uma criança que ela havia adotado anos atrás e que estava lhe dando muito trabalho. Ela não aceitava aparecer na imprensa para assumir a rejeição, mas achava um absurdo o fato de não aceitarem sua decisão.

Filho, para quem não sabe, dá trabalho. Família é feita de bons e maus momentos, da luta diária pela aceitação das diferenças de comportamento e objetivos.

Portanto, é necessário pensar bastante antes de engravidar ou adotar uma criança. Quando passa a nos ver como pai e mãe, a criança espera da gente muito mais que dos outros que estão à sua volta. É assim com aquele ser que trouxemos ao mundo ou que escolhemos entre tantos outros em abrigos e orfanatos da cidade.



ALECY ALVES é jornalista



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