Terça feira, 22 de agosto de 2017 Edição nº 12422 24/05/2009  










ONOFRE RIBEIRO Anterior | Índice | Próxima

Enfim, Mato Grosso se divide!

A (quase) real possibilidade de Cuiabá ser uma das sedes da Copa do Mundo de 2014 precisa ser compreendida sob muitos aspectos. Prefiro tratar de um só: o da identidade dos dois Mato Grossos que disputaram ferrenhamente junto à FIFA. Primeiro, uma explicação necessária. Vou tratar das identidades, justamente porque hoje a população dos dois estados não se recorda ou não tem conhecimento dessa longa e grande disputa familiar entre o antigo Sul e o Norte do velho Mato Grosso - que se dividiu fisicamente em 1979.

É preciso entender que, para a copa, no fundo, os líderes dos dois estados disputaram uma posição política muito antiga que ainda não se resolveu completamente. Campo Grande e Cuiabá não são exatamente cidades-irmãs, apesar de terem sido parte de um mesmo estado, o velho Mato Grosso anterior à divisão.

Em 1914 a Ferrovia Noroeste do Brasil passou pelo vilarejo de Campo Grande e chegou a Corumbá, modificando o traçado original, que era de Bauru (SP) a Cuiabá. Por questões de fronteira e pela experiência da guerra com o Paraguai, se desviou os trilhos, mas Cuiabá sentiu-se lesada e viu a vila tornar-se cidade de Campo Grande que, a partir de 1932, começaria uma rivalidade histórica com Cuiabá. Até 1977, quando a divisão foi assinada, as duas cidades polarizavam as regiões Norte e Sul do estado numa “guerra fria”, de muitos lances domésticos, tanto políticos como econômicos.

Passada a divisão, a partir de 1979, os dois estados tomaram vida própria. Mato Grosso do Sul nasceu rico, bem estruturado, com ótimas vizinhanças de São Paulo, Minas e Paraná e orientado para o Sul-Sudeste do país. Mato Grosso nasceu endividado com todos os compromissos do passado, com os aposentados, sem infra-estrutura de estradas e de energia e um rumo incerto. A única certeza no começo de 1979 era que um desastre econômico e político era iminente para o estado. Falava-se em quebradeira geral de uma economia que nascia para a agricultura, sem indústria, e amarrada nas ofertas de trabalho ligadas ao governo. Aconteceu o contrário.

Lá se vão exatos 30 anos da separação dos dois estados (1979-2009), e a disputa pela sede da copa do mundo de futebol de 2014 reavivou, ainda que veladamente, as velhas disputas entre o Sul e o Norte de Mato Grosso. Oficiosamente, sabe-se que Cuiabá será oficialmente escolhida por uma série de razões que remontam às causas da própria divisão, como o fortalecimento político e econômico de Mato Grosso, e a posse dos dois ecossistemas ambientais mais disputados do mundo: o Pantanal e a Amazônia.

Para Cuiabá, o trauma da perda da ferrovia em 1914, mais uma série de outras coisas perdidas para o Sul no passado, são sublimadas agora se Cuiabá for a sede do maior evento mundial do futebol. Campo Grande sabe disso. Por isso lutou tanto. Será um adversário de respeito histórico que foi vencido.

Acompanhei todo o processo da divisão, parte da história anterior e toda a história posterior. Era coisa de doido o tamanho do jogo político, econômico e outros interesses que havia por detrás da divisão. Passou. Penso que agora a divisão de Mato Grosso, definitivamente, se encerra, 30 anos depois. O que vier a acontecer entre os dois estados e, principalmente, as duas capitais, será só lenga-lenga saudosista. Cuiabá encontrou o seu trem ao longo da História...!



* ONOFRE RIBEIRO é jornalista em Mato Grosso

onofreribeiro@terra.com.br



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· E completo, discordo do titulo: em fim M  - Luiz Alves Corrêa
· Prezado Onofre ainda bem que, apear de s  - Luiz Alves Corrêa




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