Sexta feira, 21 de julho de 2017 Edição nº 12405 05/05/2009  










ARTES PLÁSTICASAnterior | Índice | Próxima

Maria Bonomi abre mostra na Inglaterra

Romper os limites é a palavra de ordem quando o assunto é a arte pública desta artista brasileira que abre individual em LondresFlávia Guerra

Flávia Guerra
Agência Estado

Maria Bonomi ganha hoje sua primeira exposição individual na Inglaterra. A Galeria 32, interessante espaço anexo à Embaixada Brasileira em Londres, leva ao coração do West Side londrino uma pequena-grande mostra da artista brasileira. Apesar de ser um espaço pequeno, se comparada à retrospectiva que ocupou a Pinacoteca do Estado no ano passado, a mostra da 32 faz um recorte preciso dos tópicos mais importantes da carreira da artista que é referência quando o assunto é esculpir o tempo nos veios da madeira. Estão lá obras que ajudaram a definir o perfil de uma carreira sempre calcada na investigação da memória como ferramenta de criação de uma arte preocupada em dialogar com o público sem que seja necessário perder seu caráter particular.

Se não vai ter a mesma sorte que o público brasileiro tem, como a de poder se deliciar com o painel "Epopéia Paulista" em plena Estação da Luz, o público inglês vai ter o privilégio de conferir obras como a inédita "Transformed". Com dois metros de altura, esta xilogravura foi criada por Maria para a ocasião. "Na verdade, ela faz parte de uma coleção maior de gravuras, a "Integration", que há pouco foi adquirida integralmente pela Bolsa de Valores de São Paulo", explica Maria. Confeccionada sobre papel japonês, em tons de azul e cinza, a obra dialoga com as duras linhas de geométricas das grandes metrópoles."

Outros destaques são "Love Layers" (2008), "Tetraz" (2003) e "Tropicália" (1994). "A Tropicália está aqui da mesma maneira que estava na Pinacoteca, com as matrizes e como gravura tem também a 'Sex Appeal' (1985) e 'Epigrama' (1984)", conta ela. "Não tem um caráter de exposição diplomática. As gravuras estão presas com grampinhos, o papel está exposto para ser tocado. Tudo informal. Esta mostra é apoiada na seleção da Pinacoteca em uma escala menor, mas significativa."

Não por acaso, a mostra tem a apresentação de Marcelo Mattos Araújo, diretor da Pinacoteca. "O Marcelo foi muito afetuoso nesta introdução. E a curadoria, a cargo da Maria Helena Peres Oliveira e do João Guarantani, também me deixou muito feliz", conta. "Não é uma seleção 'cabeça'. O destaque está no sensorial. É cheia de libido. De emoção em vez da razão de uma curadoria tradicional."

Para completar, a faceta 'arte pública' de Maria é revelada em quatro vídeos assinados pelo videoartista Walter Silveira. "Não poderia deixar de abordar esta vertente. Principalmente aqui, onde este caráter é tão interessante. A Inglaterra tem sabor especial. Foi com um professor inglês, nos anos 70, que eu aprendi muito. Fui selecionada para um curso que abordava justamente a arte revolucionária. Este professor nos aproximou da experiência das instalações, que na época era algo muito avançado. Foi então que percebi que havia uma vertente acadêmica que queria romper com os academicismos. Era este professor que me dizia: Maria, no limits!"

Romper os limites é a palavra de ordem quando o assunto é a arte pública de Maria. Muito por isso, descobrir onde hoje se escondem, e se encontram, os artistas urbanos de Londres era uma das tarefas a serem cumpridas em sua lista de afazeres. Sempre atenta ao tempo e espaço em que navega, durante a conversa com o Estado na semana passada, Maria queria saber onde era o endereço da arte urbana londrina.

"Não há muita arte pública nas estações de metrô da cidade?", perguntou ela. Diante da resposta negativa, começou a ter ideias para provocar e dialogar com o cosmopolita morador da cidade. "Esta cidade tem um lado muito duro, mas percebo a vontade de romper com tudo. É neste sentido que a gente se encontra. E há tanto o que ser explorado aqui. As pessoas poderiam contribuir com as obras, com suas próprias histórias, como fizemos na Luz." De fato. Não seria nada mal se Londres ganhasse sua Epopeia Londrina. Memórias e camadas de história não faltam.



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