Sábado, 17 de agosto de 2019 Edição nº 9814 19/12/2000  










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Fórum debate transferência de unidades

Moradores do Pascoal Ramos e lideranças de outros bairros querem a desativação de penitenciária

Lunaé Parracho/DC
Criança veste camisa pedindo a transferência do presídio de Pascoal Ramos, que segundo moradores, estaria atrapalhando desenvolvimento
ORLANDO MORAIS
Da Reportagem

Mais de 100 moradores do bairro Pascoal Ramos e lideranças de vários outros bairros participaram ontem do 1º Fórum de Debates sobre a Transferência Penitenciária do Pascoal Ramos e a Cadeia Pública do Carumbé da zona urbana de Cuiabá, idealizado pelo deputado federal Wilson Santos (PMDB-MT). Em seu discurso, o deputado afirmou que o governo do estado vai receber do governo federal, nos próximos 2 anos, R$ 36 milhões para serem usados na área de Segurança. “Desse montante, já está na conta da Secretaria R$ 8 milhões, o que torna possível a transferência imediata dos presídios”, afirmou. Os secretários de Justiça, Hermes de Abreu, e de Segurança, Benedito Corbelino, foram convidados ao debate, mas não compareceram. A partir de janeiro do ano que vem, o Fórum será realizado em outros 10 bairros localizados próximos aos presídios.

Segundo Wilson Santos, o governo já recebeu R$ 2,6 milhões para fazer a reforma da Penitenciária do Pascoal Ramos. “Se ele juntar mais R$ 900 mil, poderá construir um outro presídio, do mesmo porte, na Colônia Agrícola de Palmeiras, onde já há disponível uma área de 4 mil hectares”. O deputado defende a tese de que os presos devem ter práticas agrícolas e, depois que cumprirem a pena, receber um lote de terras, para que não voltem à criminalidade. Segundo Wilson Santos, o governo de Mato Grosso gasta R$ 600 por mês com cada um dos 2,2 mil presos do estado.

De acordo com o presidente da Associação dos Moradores do Pascoal Ramos, Edmirço de Souza, todos os moradores daquele bairro apoiam a transferência do presídio. “Dois hipermercados e uma fábrica de tratores já deixaram de se instalar no nosso bairro por causa dos presídios. Além disso, a Caixa Econômica Federal não quis construir 200 casas populares porque sabia que ninguém ia querer morar aqui. Nosso bairro ficou marcado”, afirmou. Segundo o líder comunitário, quando há fugas e rebeliões, os presos se escondem nas casas próximas ao presídio. “Eles fazem os moradores de refém e os policiais saem dando tiros pelas ruas”.

Segundo o superintendente do Instituto de Pesquisa e Desenvolvimento Urbano de Cuiabá, José Antônio Lemos, já existe no município uma lei que obriga a retirada da área urbana os “empreendimentos de alto impacto segregável”, como serrarias, curtumes e presídios — uma vez que eles prejudicam a qualidade de vida dos moradores. “A lei já foi regulamentada e está para ser votada na Câmara”, disse José Lemos.

Para o professor de Sociologia da UFMT, Antônio Carlos Monteiro, a mudança dos presídios só faz sentido se se mudar a concepção de todo o sistema prisional. “Os moradores da zona rural não têm voz, mas eles também não querem os presídios. Não se pode simplesmente transferir a violência para o campo”. O professor defende a construção de pequenos presídios, construídos próximos aos locais onde moram os presos. “E onde eles possam aprender um trabalho para executar quando forem libertados”. A vereadora eleita Verinha Araújo (PT), por sua vez, afirmou que, uma vez transferidos os presos do Carumbé e do Pascoal Ramos, os presídios devem ser transformados em “espaços de vivência”, onde os moradores possam aprender cursos profissionalizantes e realizar eventos esportivos e culturais.



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