Multa de até R$ 500 impõe fim à tradição de atrasos
ALECY ALVES
Da Reportagem
A tradição do atraso das noivas para a cerimônia do casamento religioso está se convertendo em multas que variam de R$ 200 a R$ 500 em Cuiabá. O que parecia glamour ou uma maneira de gerar mais expectativa ao noivo e convidados pode, literalmente, estar custar caro ao bolso e estar fadado à extinção.
As igrejas instituíram o “cheque-caução” no contrato de locação e não toleram mais que 15 minutos de atraso. Não se sabe quem teve a idéia da cobrança, mas a assimilação foi rápida: em menos de um ano, todas já haviam adotado o recurso. A prática é comum independe da localização, história ou classificação da igreja, desde a Catedral Metropolitana do Senhor Bom Jesus de Cuiabá (Matriz) até as paróquias e capelas da periferia. Mudam apenas os valores convencionados.
Em algumas igrejas, atrasar-se pode gerar um gasto extra de valor similar ao ato do tão sonhado enlace. No Santuário de Nossa Senhora Auxiliadora, um dos templos mais procurados para casamentos, a multa corresponde a mais de 50% do custo da celebração feita pelo padre.
Essa igreja taxou a cerimônia principal em R$ 950 e está cobrando R$ 500 a partir do 16º minuto de atraso, exceto se cair um temporal ou acontecer algum acidente que impossibilite a chegada da noiva no horário agendado.
Talvez por sua história (construída há 100 anos), beleza e localização, com jardim nas laterais de uma longa escadaria, mesmo sendo a mais cara da cidade, a Nossa Senhora Auxiliadora já tem 78 casamentos pagos para este ano e outros 22 agendados para 2010. Numa conta hipotética, caso as mesmas 100 noivas rompessem a cláusula que barra atrasos excessivos, R$ 50 mil seriam arrecadados pela igreja.
Na Paróquia de Nossa Senhora do Rosário e São Benedito, o rigor é maior ainda. Lá, o casamento está ‘tabelado’ em R$ 600 e a multa não sai por menos de R$ 500. Mesmo assim, ainda há noivas que se atrasam, segundo o padre Pedro Canisio.
Ele afirma que desde que o cheque-caução passou a ser exigido, os atrasos diminuíram e estão dentro da tolerância contratual. Isso faz com que, segundo o padre, as cerimônias sejam menos estressantes. Ele explica que manter a igreja aberta além do tempo acordado com os noivos gera gastos extras.
Na Paróquia do Coração Imaculado de Maria, no bairro CPA IV, casar-se custa R$ 200. Mas, a exemplo das demais, se a noiva chegar à igreja depois dos 15 minutos aceitáveis terá de desembolsar outros R$ 200. “Nossa! Me assustei quando a secretária da igreja que visitei dias atrás me informou sobre essa cláusula contratual”, Ana Carolina de Jesus Pereira, que planeja se casar em 2010.
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