Domingo, 23 de fevereiro de 2020 Edição nº 12349 21/02/2009  










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Lula reage com indignação sobre demissões

Ação tem efeito político significativo, embora o governo tenha poucos instrumentos para tentar reverter a decisão, do ponto de vista societário e de gestão


O desabafo do presidente da República ocorreu durante a reunião que fez com os ministros da área econômica
BETH MOREIRA
Da Agência Estado – Brasília

A reação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva de indignação por não ter sido comunicado com antecedência das demissões na Embraer tem um efeito político significativo, embora o governo tenha poucos instrumentos para tentar reverter a decisão, do ponto de vista societário e de gestão. Pesa, sobretudo, o papel que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem no financiamento da empresa.

O desabafo do presidente ocorreu durante a reunião que fez com os ministros da área econômica. Foram cerca de cinco horas de conversa.

Hoje, a presença da União no conselho de administração da Embraer está restrita à participação do tenente-brigadeiro Neimar Dieguez Barreiro. Indiretamente o governo também poderia intervir via o Fundo de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil (Previ), que tem um assento no conselho por meio de seu representante José Reinaldo Magalhães.

O peso do fundo Previ na composição acionária da Embraer é o maior, e somado com a participação do BNDESPar (braço de participações em empresas do BNDES) chega a quase 20%. O restante das ações estão diluídas em fatias menores. Na opinião do consultor aéreo da Multiplan, Paulo Bittencourt Sampaio, essa é a principal arma que o governo pode contar neste momento. A outra, seria o fato de a empresa ser dependente de financiamento do BNDES para suas vendas externas e da Força Aérea Brasileira ser um grande cliente na área militar. O próprio BNDES informou ontem que vai se reunir nos próximos dias com a Embraer "para avaliar de maneira mais precisa os acontecimentos".

Embora o banco de fomento não tenha nenhuma representação no conselho, já desembolsou US$ 8,39 bilhões em financiamentos às exportações da empresa desde 1997. E está em fase final de negociação um empréstimo do BNDES para garantir a compra de dois aviões da Embraer pela recém fundada empresa de aviação, Azul.

Mesmo sem poder de interferência direta na gestão, o governo teria uma capacidade de pressão política forte. Um analista da área de transportes que prefere manter seu nome no anonimato acredita, inclusive, que a fabricante poderá sofrer restrições no futuro no que diz respeito a novos financiamentos do BNDES. "É um risco para a companhia", afirma. "A reação do presidente Lula não foi das melhores, o que me faz temer uma retaliação do BNDES no futuro", diz.

Independentemente da pressão política e econômica que o governo pode ter sobre a fabricante de aviões, Sampaio, da Multiplan, afirma que o governo brasileiro poderia criar estímulos para que as companhias aéreas brasileiras utilizem aviões da Embraer. Uma alternativa, segundo ele, seria a criação de linhas com custos menores para essas empresas. "É um absurdo ver a Embraer despedindo funcionários enquanto TAM e Gol importam aviões", avalia.



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