Um mosaico coletivo
O Museu Morro da Caixa D’Água Velha abriga desde o início da semana mostra com 30 peças produzidas por jovens de comunidades de baixa renda
Da Redação
Pela primeira vez o Projeto Mosaico organiza uma exposição coletiva de artes. Foi aberta no início desta semana uma mostra que reúne cerca de 30 peças produzidas cuidadosamente por jovens carentes, com idade entre 17 e 24 anos, estão expostas no Museu da Caixa D’água Velha, um dos mais agitados espaços culturais da capital mato-grossense.
O Projeto Mosaico é uma iniciativa da Prefeitura de Cuiabá e tem como objetivo qualificar jovens de comunidades de baixa-renda, que têm entre 18 e 24 anos e que saíram preferencialmente de projetos sociais como Agente Jovem. Na primeira edição do projeto, em 2007, foram capacitados 50 jovens, de ambos os sexos. Em 2008, outros 50 jovens receberam capacitação similar. Antes de começar o curso, os jovens passam por um processo de seleção, e aqueles que apresentam aptidão e maior interesse pela arte aprendem a transformar em obras de artes cacos de materiais de construção como cerâmica, porcelanato, granito, azulejos, vidro e outros materiais descartados pela construção civil.
Até o dia 9 de fevereiro, de terça a domingo, das 8h às 19hs, o público poderá apreciar o talento dos jovens mosaicistas cuiabanos e até adquirir peças. A variedade das cores, os motivos dos desenhos e o capricho na produção dos trabalhos estão chamando a atenção do público. Isso ocorre especialmente porque são criações de jovens que por ocasião do anúncio da oferta do curso em suas comunidades ouviram pela primeira algo sobre a arte em mosaico.
Expositores
O estudante Edílson Oliveira de Sousa, 17 anos, morador do bairro Altos da Glória, uma das comunidades mais pobres da capital, antes do curso do Projeto Mosaico trabalhava como servente de pedreiro com o pai, Edson Luis de Sousa. “Eu nunca tinha ouvido falar em mosaico, não sabia nem o que significava essa palavra”, confessou o jovem. Ele, que participou do segundo curso, oferecido entre julho e agosto de 2008, hoje se considerada um apaixonado por essa arte. Edílson, que fez a peça “Sininho”, inspirada na personagem do conto de fada do Peter Pan, diz que está esperando as oportunidades de trabalho para mostrar o que aprendeu no curso.
De casamento marcado, a estudante Rúbia da Silva Costa, 21 anos, moradora do bairro João Bosco Pinheiro, não sabe se terá a arte em mosaico como profissão. Entretanto, de uma coisa ela está certa, a casa onde vai morar depois de casada terá frases e peças em mosaico. Durante o curso, Rúbia fez o quadro intitulado “A Ilha da Maravilha”, um paraíso tropical imaginário.
Oportunidade
A coordenadora do curso, Leila Hussem Sayed, reforça que uma grande parcela dos jovens mosaicistas formados pela Prefeitura reúne capacidade, interesse e disposição para trabalhar com essa arte e somente aguarda a chance de mostrar essas qualidades. Eles esperam fazer como os irmãos Willian, Wellington e Wesley, que integraram a primeira turma de formandos e recentemente foram convidados a recriar em mosaico a “Maria Fumaça”, antigo trem de transporte de passageiros, na parede do espaço mineiro do bar e restaurante Dukas, na Avenida Rubens de Mendonça(do CPA). (com assessoria)
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