O lado bom da crise
Desmatamento na floresta Amazônia, que já estava em
queda, sofreu novo baque com piora na conjuntura
| | O índice de desmatamento em Mato Grosso, entre agosto e dezembro, sofreu queda significativa, diz Imazon |
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RENÊ DIÓZ
Especial para o Diário
A atual crise econômica mundial está surtindo efeitos no meio ambiente. Os últimos dados de satélites analisados pelo Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon) indicam quedas expressivas na prática de desmatamento em toda a floresta Amazônica, nos últimos meses de 2008, exatamente o período em que a crise se acentuou.
O mês de novembro do ano passado, por exemplo, registrou queda de 94% na atividade em relação ao mesmo período de 2007, movimento interpretado como reflexo da recessão, segundo o Imazon.
Em novembro do ano passado, a área detectada por satélite do Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), utilizado pelo Imazon, foi de 61 quilômetros quadrados (km2).
Em dezembro, a extensão caiu para 50. Houve redução de 27% entre o último dezembro e o mesmo mês em 2007. Outras comparações permitem verificar quedas significativas na prática de desmatamento. De agosto a dezembro de 2007, o desmatamento em Mato Grosso foi de 1.704 km2, número reduzido a 154 no mesmo período de 2008. A queda foi de 91%. Em toda a Amazônia, a redução foi de 82%.
“A queda é consistente, seja qual foi a comparação”, analisa o pesquisador Adalberto Veríssimo, do Imazon. “Estamos vivendo um ciclo de queda no desmatamento, que começou mesmo antes da crise econômica. Aliás, ela está acentuando esta redução. A queda se explica tanto pela mão dura do governo quanto pela economia”, explica Veríssimo.
Ele lembra que, até o início do ano passado, a atividade de desmatamento se manteve em alta. O declínio chegou com a política de repressão governamental às práticas irregulares de produtores da Amazônia Legal. Houve restrição de créditos, embargos e confiscos. As medidas surtiram efeito e, na outra metade de 2008, a queda na devastação da floresta amazônica já era evidente.
Com a crise no mercado financeiro, a produção voltada para a exportação se viu ameaçada. E a demanda por ela diminuiu. Assim, o desmate iniciou uma nova tendência: o pesquisador chega a cogitar que, em 2009, a economia desaquecida continue a acometer a produção regional e provoque o menor índice de desmatamento já constatado. Para tanto, porém, “o Governo não pode só reprimir, tem de auxiliar os produtores agropecuários. A repressão às suas práticas irregulares deve ser acompanhada de medidas econômicas que garantam a sustentabilidade na produção. Estas, por enquanto, estão aquém do necessário”.
Em novembro, Mato Grosso participou do desmatamento da Amazônia com uma fatia de 10% (o Pará foi responsável por 60%). Já em dezembro, o estado vizinho desmatou apenas 20% da área, deixando a liderança para Mato Grosso, com 65%.
As áreas que sofreram exploração madeireira ou atingidas por fogo florestal (degradação progressiva) também foram detectadas pelo Imazon. Elas somaram 56 km2 em novembro de 2008, sendo 90% em Mato Grosso. Já no mês de dezembro, foram somente 13 km2, todos no Estado.
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