Fogo atinge 10 mil ha do Pantanal
RENÊ DIÓZ
Especial para o Diário
Um raio deu início ao primeiro incêndio do ano no Parque Nacional do Pantanal. Até ontem, o fogo tinha consumido a vegetação em mais de 10 mil hectares de planície em duas frentes, uma na Baía dos Burros e outra próxima ao rio Caracará, na região do município de Poconé, na fronteira nordeste do Parque. O PrevFogo (Sistema Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais) estima que o incêndio tenha começado há mais de cinco dias.
Ainda ontem, o combate não havia sido iniciado. A ação dos brigadistas do PrevFogo dependia de um sobrevôo pela região destruída, que foi adiado para a manhã de hoje devido a problemas técnicos na aeronave do Instituto Nacional do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). A partir da visualização da área, os brigadistas traçariam as estratégias de combate nas frentes de incêndio, acessíveis somente por barco, inviável por conta da demora, ou por ar.
O analista ambiental Nuno Rodrigues da Silva, gerente do Fogo do Parque Nacional do Pantanal, informou que o incêndio está sendo monitorado pela equipe de analistas e brigadistas do Parque, que conta com mais de 20 pessoas. “Todo fogo é preocupante, por isso estamos monitorando constantemente”, afirma. Porém, ele esclarece que “trata-se de um incêndio natural, em planície de inundação cuja vegetação se encontra seca em função da atual seca no Pantanal”.
O chefe do Parque, José Augusto Ferraz, confirma o panorama. Para ele, entretanto, o atual período de seca está mais rigoroso no Pantanal. Aí, o capim seco, antes alagado, torna-se combustível fácil para os raios, a causa mais comum de incêndios no Parque. Porém, nessas ocasiões, tão comum quanto os raios é o difícil acesso aos locais.
Nuno Rodrigues, gerente do Fogo, vê justamente na dinâmica natural do Pantanal uma provável solução para o incêndio. “É um fogo que se propaga rápido, mas morre rápido também nos alagados. Nesta época do ano, contamos que a freqüência das chuvas dê conta da situação”.
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