Aventureiro do ‘mínimo’ chega a Cuiabá
Jornalista de 37 anos, Eduardo Felianos percorre as capitais do país contando com solidariedade da população para abrigá-lo. Custo mensal: R$ 415
PEDRO ALVES/DC
 |
| | Em Cuiabá, urbenauta já dormiu em casa de classe alta e também de frentista |
|
ALECY ALVES
Da Reportagem
Cuiabá é 24ª capital visitada pelo urbenauta (aventureiro urbano) Eduardo Felianos, um paulistano de 37 anos que aceitou o desafio de conhecer todas as capitais sobrevivendo com um salário mínimo por mês e dormindo em casas de desconhecidos.
Aqui, onde chegou no último sábado, Felianos já experimentou as desigualdades sociais. Na primeira noite, dormiu na casa da família do empresário Luis Castilho, num bairro de classe alta, por indicação de uma pessoa que conheceu em Porto Velho, Rondônia.
Como o seu projeto não prevê reprise do local da acolhida, no segundo dia, saiu para conhecer novos pontos da cidade e em busca de outra casa para pousar. Depois de um longo bate-papo no posto onde parou para pegar informações, conquistou a confiança do frentista Mauro, que o levou para dormir em sua casa. Lá, conheceu a mulher de Mauro, Jaqueline, grávida de quatro meses, que também o recebeu bem.
Na Igreja Matriz (Catedral Metropolitana), ao invés de contar, ouviu e se sensibilizou com a história de um viciado em crack que implorava a Deus forças para abandonar o vício. Além de pontos turísticos e culturais como a igreja, a praça da República e o centro histórico, que já conheceu, Felianos tem outras metas para Cuiabá.
Até a próxima quinta-feira, quando encerra sua expedição na capital mato-grossense, o urbenauta quer dormir na casa de um morador “folclórico”, conhecer o Marco Zero, revelar um lado diferente, inusitado e até inacreditável da cidade e alcançar os quatro pontos cardeais da cidade desbravada, revelando sua realidade social, cultural e ambiental.
Ontem, ele saiu pouco depois das 10 horas rumo à zona rural, com destino ao Distrito da Guia, mais precisamente a Comunidade Baús, a bordo da “urbenave”, um veículo modelo Spece Fox cedido pela Volkswagem, equipado com computador, máquina fotográfica, filmadora, mapa digital, acesso a internet, telefone celular e outros recursos.
Jornalista e antropólogo, Eduardo Fenianos saiu nessa expedição, denominada “Uma Viagem pelo Brasil em 365 casas”, em 26 de abril. Ele já percorreu as capitais do Sul, Sudeste, Nordeste e Norte, onde, por causa de problemas com as balsas, atrasou a viagem em alguns dias. Ele ainda foi assaltado duas vezes, no Rio de Janeiro e em Belém.
Nos planos dele estão a edição de um álbum de fotos com capítulo sobre cada capital no mês de dezembro deste ano, uma coleção de livros de geografia, história e realidade, uma série de documentários para o cinema e um livro com as experiências de bastidores da expedição.
O urbenauta contou que a idéia de fazer essas incursões pelas cidades surgiu quando morava em Curitiba (PR) e fazia uma reportagem com um homem que se gabava de conhecer muitos países. Depois de perguntar se o entrevistado sabia o nome da rua atrás de sua casa e obter um não como resposta, Eduardo disse que entendeu o quanto era importante conhecer seu próprio país.
Ele começou a expedição por São Paulo, passou 120 dias percorrendo a cidade, inclusive os rios poluídos, e dormindo em casas de estranhos. Na primeira expedição, ele concluiu que as pessoas que menos têm, ou seja, as mais pobres, são as mais acolhedoras. “Passei uma noite num barraco de 25 metros quadrados onde moravam 11 pessoas”, recorda. Como lição, diz, aprendeu a ser mais humilde e solidário.
O cotidiano da expedição pode ser acompanhado pelo site www.urbenauta.com.br.
|