Sexta feira, 03 de setembro de 2010 Edição nº 12204 31/08/2008  










TIPO PREMIUMAnterior | Índice | Próxima

Nova onda no mercado cervejeiro cuiabano

Cuiabanos começam a provar novos sabores e texturas da bebida mais popular no País. Marcas de renome internacional invadem as gôndolas dos supermercados

GERALDO TAVARES/DC
Gerente regional do supermercado Comper, Albanes Tiago da Silva, mesmo abstêmio, teve visão de mercado e apresenta sua variedade, aliás, a maior da Capital
ANSELMO CARVALHO PINTO
Editor executivo

O cuiabano costuma se vangloriar por ser um dos maiores consumidores de cerveja per capita do País. A observação empírica do dia-a-dia, se não comprova, ao menos fortifica a tese. O calor desértico, a sociabilidade do povo e a rica culinária local desenham um convite para uma boa rodada.

Na falta de estatística confiável, é difícil supor se o cuiabano bebe mais ou menos que o carioca, que o paulistano ou o soteropolitano.

Se sobre a quantidade não existe consenso, sobre a qualidade há fatos que refreiam qualquer argumento: a maioria dos cuiabanos bebe mal. E bebe mal porque, basicamente, só tem acesso a um tipo de cerveja, a pilsen – presente em dez entre dez mesas de bar.

A chegada de uma nova leva de cervejas importadas e artesanais a dois supermercados de Cuiabá está fazendo sombra ao monopólio da pilsen, categoria na qual se enquadram as marcas mais vendidas no Brasil, e em Mato Grosso por tabela: Skol, Antarctica, Brahma, Original...e por aí vai.

“A matriz fez uma pesquisa e detectou o anseio de nossos clientes por cervejas diferentes, mais requintadas”, explica o gerente regional do supermercado Comper, Albanes Tiago da Silva. Por enquanto, é o Comper quem oferece a maior gama de rótulos, cerca de 60, de países como Bélgica, Alemanha, Austrália, República Tcheca e Inglaterra. “A aceitação foi imediata”, reforça Albanes, um abstêmio que soube enxergar o potencial da cerveja em suas lojas. A procura só tem aumentado, muito por causa do boca-a-boca da clientela, diz.

Embora tenha sido o primeiro supermercado a trazer novos produtos, o Big Lar apresenta um portfólio mais modesto: resume-se, basicamente, às alemãs Edinger e Paulaner e às brasileiras Bohemia Weiss, Devassa e Terezópolis.

Faça-se justiça: Comper e Big Lar não são os pioneiros. Muito antes dos dois supermercados, o Bar do Azeitona, na praça Popular, já oferecia uma diversificada carta, com destaque para a irlandesa Guiness, a preferida dos roqueiros dos Rolling Stones e do U2. “Quando vem ao bar, nosso cliente sabe exatamente qual marca quer”, diz o gerente Rodrigo Marin. O maior sucesso no Azeitona ainda é a alemã Erdinger, feita com trigo. A vantagem da entrada dos supermercados no ramo é a possibilidade de ampliar a oferta, reduzir os preços e atrair novos consumidores.

ESPECIALISTA - A cerveja premium está vivendo no Brasil o mesmo processo pelo qual passou o vinho na década passada – uma massificação impulsionada pela maior oferta e por uma boa dose de marketing.

A diferença, no Brasil, é que a cerveja parte de uma base de consumo infinitamente maior que a do vinho, segundo explica o jornalista Ricardo Amorim, que tem um blog especializado (WWW.oglobo.globo.com/blogs/cervejaso/). “As empresas estão investindo porque este é um mercado com potencial de crescimento imenso. E a cerveja premium tem maior valor agregado”, diz.

Uma boa notícia é que - ao contrário do vinho e ao menos por enquanto – a cultura cervejeira ainda não se transformou num feudo pernóstico de “entendedores”. Com ela ainda não se repetiu o efeito dos “enochatos”, para quem o mais importante no vinho são a pseudo-erudição e o requinte, e não as sensações que a bebida provoca.

“Existe o risco de acontecer com a cerveja o mesmo processo. Mas acho difícil. Todo mundo já gosta de cerveja, já existe familiaridade com o produto”, avalia Amorim, cujo blog tem como slogan: “para quem não agüenta mais ouvir falar em vinho”.

Amorim avalia que o súbito interesse pelas cervejas premium pode ser explicado por vários fatores, a começar pela maior oferta gerada a partir do processo de globalização pelo qual passou a AmBev, a cervejaria controlada por brasileiros e que domina o mercado mundial. “A AmBev começou a trazer para o Brasil marcas de sucesso no exterior. Como tem um marketing forte e uma boa assessoria de imprensa, consegue pôr matérias nos jornais, influenciar a opinião pública”, explica o jornalista. Amorim aponta outros atores: os importadores, os donos de bares e as microcervejarias nacionais – todo mundo enxergou o bom momento. Claro que o dólar barato também contribuiu.



Anterior | Índice | Próxima

Comentários Deixe aqui sua opinião sobre esse assunto

· A diversificação nas vendas de cervejas   - Wagner Leria

17:54 Órgãos do Governo fecham para o feriado prolongado de 7 de setembro
17:24 Carga tributária no Brasil é maior do que nos Estados Unidos, na Espanha e no Canadá
16:59 Carreta e mineral avaliado em 1 milhão são localizados pela Polícia Civil
16:37 Governador define obras da Ferronorte e aeroporto Marechal Rondon em Brasília
16:20 Sema divulga números parciais das operações de combate às queimadas em MT


15:59 Instituições da Segurança Pública definem projetos para Copa do Mundo 2014
15:34 Reinauguração do Gigante do Norte marca início dos Jogos Olímpicos Mato-grossenses
15:16 Ministro da Agricultura garante recursos aos Estados para a Defesa Agropecuária de 2011
14:57 Belezas naturais incluem municípios de Mato Grosso na Rota das Águas
14:33 Campanha em Tangará da Serra visa preservação e limpeza da cidade
Cuiabá
Min: 18°
Max: 36°

TOPO | PRIMEIRA PÁGINA | ÚLTIMAS NOTÍCIAS | POLÍTICA | ECONOMIA | CIDADES | POLÍCIA | ESPORTES
BRASIL | MUNDO | DC ILUSTRADO | CUIABÁ URGENTE | EDITORIAIS | ARTIGOS | AZUL | TEVÊ | E-MAIL
Diário de Cuiabá © 2009