Nova onda no mercado cervejeiro cuiabano
Cuiabanos começam a provar novos sabores e texturas da bebida mais popular no País. Marcas de renome internacional invadem as gôndolas dos supermercados
GERALDO TAVARES/DC
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| | Gerente regional do supermercado Comper, Albanes Tiago da Silva, mesmo abstêmio, teve visão de mercado e apresenta sua variedade, aliás, a maior da Capital |
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ANSELMO CARVALHO PINTO
Editor executivo
O cuiabano costuma se vangloriar por ser um dos maiores consumidores de cerveja per capita do País. A observação empírica do dia-a-dia, se não comprova, ao menos fortifica a tese. O calor desértico, a sociabilidade do povo e a rica culinária local desenham um convite para uma boa rodada.
Na falta de estatística confiável, é difícil supor se o cuiabano bebe mais ou menos que o carioca, que o paulistano ou o soteropolitano.
Se sobre a quantidade não existe consenso, sobre a qualidade há fatos que refreiam qualquer argumento: a maioria dos cuiabanos bebe mal. E bebe mal porque, basicamente, só tem acesso a um tipo de cerveja, a pilsen – presente em dez entre dez mesas de bar.
A chegada de uma nova leva de cervejas importadas e artesanais a dois supermercados de Cuiabá está fazendo sombra ao monopólio da pilsen, categoria na qual se enquadram as marcas mais vendidas no Brasil, e em Mato Grosso por tabela: Skol, Antarctica, Brahma, Original...e por aí vai.
“A matriz fez uma pesquisa e detectou o anseio de nossos clientes por cervejas diferentes, mais requintadas”, explica o gerente regional do supermercado Comper, Albanes Tiago da Silva. Por enquanto, é o Comper quem oferece a maior gama de rótulos, cerca de 60, de países como Bélgica, Alemanha, Austrália, República Tcheca e Inglaterra. “A aceitação foi imediata”, reforça Albanes, um abstêmio que soube enxergar o potencial da cerveja em suas lojas. A procura só tem aumentado, muito por causa do boca-a-boca da clientela, diz.
Embora tenha sido o primeiro supermercado a trazer novos produtos, o Big Lar apresenta um portfólio mais modesto: resume-se, basicamente, às alemãs Edinger e Paulaner e às brasileiras Bohemia Weiss, Devassa e Terezópolis.
Faça-se justiça: Comper e Big Lar não são os pioneiros. Muito antes dos dois supermercados, o Bar do Azeitona, na praça Popular, já oferecia uma diversificada carta, com destaque para a irlandesa Guiness, a preferida dos roqueiros dos Rolling Stones e do U2. “Quando vem ao bar, nosso cliente sabe exatamente qual marca quer”, diz o gerente Rodrigo Marin. O maior sucesso no Azeitona ainda é a alemã Erdinger, feita com trigo. A vantagem da entrada dos supermercados no ramo é a possibilidade de ampliar a oferta, reduzir os preços e atrair novos consumidores.
ESPECIALISTA - A cerveja premium está vivendo no Brasil o mesmo processo pelo qual passou o vinho na década passada – uma massificação impulsionada pela maior oferta e por uma boa dose de marketing.
A diferença, no Brasil, é que a cerveja parte de uma base de consumo infinitamente maior que a do vinho, segundo explica o jornalista Ricardo Amorim, que tem um blog especializado (WWW.oglobo.globo.com/blogs/cervejaso/). “As empresas estão investindo porque este é um mercado com potencial de crescimento imenso. E a cerveja premium tem maior valor agregado”, diz.
Uma boa notícia é que - ao contrário do vinho e ao menos por enquanto – a cultura cervejeira ainda não se transformou num feudo pernóstico de “entendedores”. Com ela ainda não se repetiu o efeito dos “enochatos”, para quem o mais importante no vinho são a pseudo-erudição e o requinte, e não as sensações que a bebida provoca.
“Existe o risco de acontecer com a cerveja o mesmo processo. Mas acho difícil. Todo mundo já gosta de cerveja, já existe familiaridade com o produto”, avalia Amorim, cujo blog tem como slogan: “para quem não agüenta mais ouvir falar em vinho”.
Amorim avalia que o súbito interesse pelas cervejas premium pode ser explicado por vários fatores, a começar pela maior oferta gerada a partir do processo de globalização pelo qual passou a AmBev, a cervejaria controlada por brasileiros e que domina o mercado mundial. “A AmBev começou a trazer para o Brasil marcas de sucesso no exterior. Como tem um marketing forte e uma boa assessoria de imprensa, consegue pôr matérias nos jornais, influenciar a opinião pública”, explica o jornalista. Amorim aponta outros atores: os importadores, os donos de bares e as microcervejarias nacionais – todo mundo enxergou o bom momento. Claro que o dólar barato também contribuiu.
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