‘Roubo milionário’ não tem vítima
Os ladrões compraram carros de luxo e viajaram para o sul do país; polícia ainda não sabe de quem é dinheiro, que pode chegar a R$ 6 milhões
ADILSON ROSA
Da Reportagem
A Polícia de Mato Grosso investiga um roubo milionário praticado por quatro rapazes moradores de Cuiabá. Com o dinheiro, eles compraram veículos e motos de luxo e passaram a esbanjar dinheiro. O esquema começou a ser descoberto quando dois deles resolveram passear na praia.
O roubo – cujo montante seria entre R$ 3 e R$ 6 milhões - teria ocorrido há cerca de 10 dias. Os ladrões poderiam ser presos se não fosse um simples detalhes – ainda não existe vítima. A Polícia não sabe de quem é o dinheiro e as suspeitas recaem sobre algum candidato que concorre nas eleições deste ano.
“Não encontramos banco assaltado nem arrombado. Não tem empresa, nem aqui nem em Estados próximos. Então, é possível acreditar que seja caixa dois – dinheiro de campanha que não pode ser declarado”, observou um delegado que participa das investigações. O Ministério Público Eleitoral (MPE) informou que todos os valores gastos na campanha precisam obrigatoriamente ser declarados. Caso contrário o candidato diplomado será cassado.
A notícia do roubo chegou até a Polícia de Mato Grosso após dois ladrões seguirem para o litoral paranaense. A Polícia daquele Estado desconfiou dos rapazes. Ao fazer a checagem da ficha criminal deles, descobriram que respondem a vários inquéritos. Além disso, os dois não souberam explicar como compraram os veículos. A partir daí, a investigação partiu para a movimentação financeira deles.
Em contato com a Polícia daqui, os investigadores paranaenses queriam saber se havia indícios de algum roubo ocorrido recentemente porque dois rapazes estavam torrando dinheiro. Nas buscas realizadas na Grande Cuiabá e no Estado todo, não foi detectado o registro de assalto algum. Em contrapartida, os policiais descobriram que quatro ladrões participaram de um assalto e dividiram o dinheiro entre si.
Havia uma suspeita de que o dinheiro todo estaria escondido numa casa em Cuiabá, e que seria da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Tal hipótese, porém, foi rechaçada pela Polícia, uma vez que se algum ladrão fizesse isso teria sido assassinado dias após a ação criminosa.
“Uma empresa privada que tivesse sido vítima de um roubo milionário certamente procuraria a Polícia. O que intriga é que temos tudo, menos a vítima. E sem vítima, não tem crime”, lembrou outro delegado.
Sem registro de ocorrência, as informações são desencontradas. O valor também não foi confirmado, mas seria entre R$ 3 e R$ 6 milhões, uma quantia considerável e que levantou a cobiça de outros ladrões. Os dois assaltantes que estariam em Cuiabá, mais precisamente no bairro Santa Isabel, já teriam fugido.
|