As letras e a homofobia
Meus amigos, meus inimigos, olha eu aqui de novo! É bem provável que eu conquiste alguns inimigos a mais por conta destas linhas. Sabe como é: gente preconceituosa é complicado. Não costuma perder a chance de emplacar uma inimizade a mais. Homofobia na Academia. Parece rima, mas não é! É coisa feia, fora de moda que, segundo me disseram, anda acontecendo na Academia Mato-grossense de Letras.
E só experimento tocar no assunto aqui porque não é de hoje que ouço esse papo. Entender, eu até entendo, porque o ser humano é mesmo cheio das limitações. O difícil é aceitar esse tipo de comportamento, uma vez que a literatura, enquanto arte, se torna uma espécie de território da liberdade, onde tudo é ou deveria ser permitido, embora o saudoso Tim Maia já tenha cantado que vale tudo, menos dançar homem com homem, e nem mulher com mulher.
Já escrevi em outros artigos que literatura nada tem a ver com ser ou não politicamente correto, daí, um suposto direito a qualquer escritor de discriminar esta ou aquela pessoa por causa da orientação sexual. Na história das artes há muitos casos de artistas que não tiveram aquilo que chamaria de um comportamento exemplar, apesar da inquestionável qualidade do legado cultural que deixaram. Mas isso não quer dizer que esse artista preconceituoso está imune a uma cutucadinha de um jornalista de plantão.
O imortal, ou os imortais que padecem desse mal, a homofobia, eu devo entender, estão manifestando seus últimos temores e rancores contra os gays, já que esse comportamento preconceituoso está em vias de se tornar crime. Aí vai ser difícil pra esses cabras machos. Vão ter que engolir, mesmo que atravessado, seus desafetos sexuais.
O ingresso ou não na Academia, e isso eu já mencionei em um artigo anterior, deve se dar por critérios técnicos, pela qualidade do texto de quem postula entrar pra AML. Jamais por opção sexual, ou qualquer tipo de politicagem. Só que tudo leva a crer que não é bem assim que funciona. Tenho boa relação com o Sebastião Carlos Gomes de Carvalho, presidente da Academia, e já algumas vezes conversamos sobre essa questão de critérios para a eleição de imortais. Ele me diz que é só o presidente e não tem controle absoluto sobre isso.
Bom, era mais ou menos isso que eu tinha a dizer. Assim como os escritores costumam registrar em suas obras o tempo em que vivem, nós, jornalistas, também o fazemos, através de palavras mais simples e nos conformes das regras jornalísticas. Fica aqui, portanto, o meu repúdio a essa atitude homofóbica. Eu ia até finalizar expondo aqui claramente o que pensava de uma Academia de Letras que não quer gay. Mas, deixa pra lá...
LORENZO FALCÃO é editor do Ilustrado do Diário
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