Quinta feira, 21 de março de 2019 Edição nº 9799 03/12/2000  










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Super-heróis sem fôlego

Mercado de quadrinhos de super-heróis encolhe: tiragens menores e melhoria no acabamento provocam elitização

MARCELO VALLETTA
Da Agência Folha

"Para o alto e avante!", costumava bradar o Super-Homem -atualmente, chamado no Brasil de Superman- quando levantava vôo. Mas, às vésperas do novo milênio, os velhos super-heróis das histórias em quadrinhos norte-americanas, que se transformaram em grandes ícones da cultura popular do século 20, estão voando cada vez mais baixo.

Elitização, segmentação, retração de mercado, competição com outras mídias. São palavras que estão nas bocas de editores e artistas do ramo das HQs de super-heróis. Se o "boom" de publicações do gênero dirigidas ao público adolescente/adulto, ocorrido no final dos anos 80, impulsionado pelo fenômeno das "graphic novels" - revistas com maior qualidade gráfica, formato diferenciado e roteiro amadurecido-, como "O Cavaleiro das Trevas", de Frank Miller, não durou muito tempo, ele deixou marcas que repercutem até hoje.

Aumento da qualidade - formato maior e papel melhor, basicamente -, diminuição de tiragens e consequente aumento de preços - e elitização. É a tendência atual na seara dos supers. A editora Abril Jovem, campeã de títulos do gênero no país, reformulou em agosto passado sua linha de super-heróis. Os tradicionais gibis em "formatinho" e papel jornal foram aposentados, dando lugar a cinco títulos no formato chamado de "americano" - um pouco maior -, com papel de maior qualidade e 160 páginas, a um preço mais alto: R$ 9,90.

"O fim do formatinho, é uma tendência, sim", diz Sérgio Figueiredo, editor-chefe na Abril Jovem. "As HQs ficaram mais elitizadas porque foi um jeito que as editoras acharam de vender com baixas tiragens para um mercado em profunda retração. Já que estou vendendo menos, distribuo para bancas especializadas, com alta qualidade e procuro melhorar minha margem de lucro por unidade vendida", afirma. Segundo Figueiredo, a tiragem diminuiu cerca de 35%.

"Muita gente fala que o mercado está morrendo, mas não é verdade", diz Leandro Luigi Del Manto, ex-editor de HQ nas editoras Abril Jovem e Globo e atualmente um dos sócios da editora Pandora Books, que publica títulos como "Sin City", de Frank Miller. "As regras no mercado talvez tenham mudado, e a gente vai ter de se adaptar. Não adianta fazer tiragens astronômicas, exceto para as infantis - Maurício de Sousa continua vendendo muito bem -, mas no caso de HQ juvenil e adulta, não adianta fazer distribuição nacional simultânea, que não vai funcionar." Uma estratégia cada vez mais adotada pelas editoras é distribuir os produtos primeiro nos Estados do Sudeste, os maiores consumidores de revistas, e vender o encalhe para o resto do país após cerca de dois meses.

A segmentação cada vez maior do mercado também é apontada como fator da crise. "HQ já vinha sendo nicho de mercado há alguns anos, e agora é mais do que nunca", afirma Figueiredo. "Público adulto é mais restrito, segmentado", diz Del Manto. "Essa segmentação abriu o leque de opções no mercado, mas o número de leitores não cresceu."

Ainda não se sabe se o público de HQ está se renovando com a mudança nesse panorama. Segundo Figueiredo, pesquisas recentes mostram que o leitor médio de HQ de heróis é do sexo masculino - de 85% a 90% do total-, e a maioria tem entre 12 e 18 anos de idade -60% do total.

E além de competir com outras formas de entretenimento - videogames, Internet, etc -, os super-heróis ianques ainda terão de enfrentar os rivais nipônicos. "Retração de mercado é caso específico de HQs de super-heróis", afirma Rogério de Campos, diretor da editora Conrad, que aposta nos mangás - quadrinhos no estilo japonês. "Os super-heróis não vão acabar, mas devem ficar restritos a tiragens menores, porque o negócio que vem aí tem olho puxado, ou melhor, tem olho grandão", graceja.



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