Projeto de lei não prevê consulta popular
Senadores que defendem mudança de horário para o vigente em Brasília, em MT e MS, dizem, porém, que não há problemas em ouvir a população, se necessário
| | Astrônomo diz que incidência solar será muito maior, o que não vê como positivo |
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ALEXANDRE APRÁ
Especial para o Diário
O texto do projeto de lei que tramita no Senado sobre a mudança do fuso horário de Mato Grosso e Mato Grosso do Sul não prevê a realização de audiências públicas para discussão do assunto. No entanto, os senadores propositores, Jayme Campos (DEM-MT) e Delcídio Amaral (PT-MS), dizem que não há problemas para ouvir a população.
A argumentação dada pelos parlamentares para a mudança são os prejuízos causados à economia local em detrimento da diferença do fechamento do mercado financeiro nacional e dos bancos.
O senador sul mato-grossense, Delcício Amaral, afirma que a proposta está sendo aderida maciçamente, não só por empresários e comerciantes, mas também por toda a população. “A Câmara municipal de Campo Grande já se demonstrou a favor do projeto”, justifica.
Em Mato Grosso, as opiniões ainda estão divididas. Alguns defendem que o projeto é justificado pelo fator econômico, que será beneficiado. No entanto, outros são contra, por conta das modificações no fator biológico e no cotidiano das pessoas.
O pesquisador em astronomia, Eduardo Baldaci, afirma que a mudança do fuso horário irá refletir nas horas de “foto-período”. Ou seja, o ser humano estará exposto ao sol por mais tempo, já que se porá mais tarde a partir da mudança. Baldaci também explica que a partir de 2010, o sistema solar iniciará um novo ciclo, chamado de ciclo máximo, que resultará em mais incidência de raios solares na Terra por 11 anos.
Além disso, ele alerta para os efeitos do “Jet Lag”, que são os efeitos da mudança drástica de fuso horário que é sentida pelo corpo humano, geralmente sentidos em viagens para outros países com fuso horário diferente. “Acho que o melhor mesmo é que a população seja ouvida. Particularmente, eu sou contra”, opina.
O advogado Cezino Maciel também é contra a proposta e planeja um levante contra a mudança. Para ele, uma hora a menos no relógio representará problemas de adaptações a pessoas idosas que já estão acostumadas ao horário vigente. “Não acrescenta em nada para o povo”.
Por outro lado, a geógrafa da Universidade Federal de Mato Grosso, Gilda Maenteli, pondera que, do ponto de vista geográfico, não há nenhuma interferência. Ela cita a experiência do Pará, que está na mesma altura geográfica de Mato Grosso, mas vive no horário de Brasília. Ela ainda acrescenta que, da perspectiva biológica, não há transtorno, já que as pessoas facilmente se adaptam ao horário verão todos os anos.
O projeto de lei número 177 já foi apresentado e está na mesa diretora do Senado Federal. Agora, ele será encaminhado a duas comissões: a de Constituição e Justiça e a de Assuntos Econômicos. Segundo Delcídio Amaral, deverá ser pedido caráter de “urgência urgentíssima” para que possa entrar na pauta de votação ainda este ano. Se aprovado no Senado, o projeto é enviado então à Câmara Federal onde também deve passar por votação. Se a Câmara indicar que deverão ser feitas mudanças ou alterações no texto, ele deve voltar ao Senado e todo processo tem que ser refeito. “Faremos o máximo para que ele seja aprovado em sua totalidade”, explica.
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